O que as empresas têm feito no metaverso

Ações como a da Ralph Lauren, em que jogadores fazem atividades como patinação no gelo enquanto compram roupas esportivas retrô da coleção dos anos 1990, indicam o futuro do varejo

Mariana Missiaggia
20/Abr/2022
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O que as empresas têm feito no metaverso

Um caminho irreversível. É dessa forma que muitos empresários definem o avanço de discussões e investimentos no universo tridimensional, mais conhecido como metaverso. Apesar de não se tratar de uma novidade, muitas empresas têm estudado e apresentado inovações relacionadas ao tema.

Recentemente, Mark Zuckerberg, presidente da Meta, sinalizou que a empresa trabalha em uma nova classe de modelos de inteligência artificial, que vai permitir a geração de mundos virtuais com base em descrições feitas através da fala das pessoas.

Essa utopia futurista também já é uma realidade para o HSBC, que comprou um terreno virtual dentro do jogo on-line The Sandbox. Trata-se da primeira grande incursão do banco no metaverso.

Ainda sem marcar presença efetiva no metaverso, a Reserva anunciou a ReservaX, frente voltada ao estudo de inovação e novas tecnologias.

A iniciativa trouxe o lançamento de NFTs do Pistol Bird, ou pássaro-pistola, na tradução para o português, em uma versão reinventada do logo da marca. Nas primeiras horas da pré-venda, 700 pessoas se cadastraram e tiveram acesso antecipado ao primeiro de dois lançamentos previstos.

Seis artes com 81 NFTs cada foram disponibilizadas aos compradores, que esgotaram 486 tokens no mesmo dia, totalizando R$ 900 mil em vendas.

Nos primeiros 50 minutos de vendas, a Reserva X já havia alcançado o equivalente a um mês de faturamento de vendas em uma loja física da marca, segundo divulgado pela varejista em nota.

O próximo lançamento, ainda sem data prevista, contará com outras seis artes, que terão valor mais elevado.

Apostar em uma das siglas mais em voga atualmente é uma tentativa da marca em fotalecer o vínculo com seus clientes, e aumentar as possibilidades de relacionamento.

Considerada uma importante marca de lifestyle no Brasil, a Reserva ainda estuda sobre a possível entrada da marca no metaverso por dois motivos: a capacidade de ligar o produto virtual ao físico, e vice-versa, e a existência de um ambiente mais consolidado.

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A conduta da varejista vai de encontro ao que Ronald Nossig, sócio do OasisLab e integrante do Conselho de Varejo da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), pensa sobre esse movimento.

Especialmente para pequenas empresas, o especialista sugere que acompanhem a tendência, mas sem desespero:  vai levar tempo para o conceito, dominado por empresas gigantes, chegar ao grande público.

"O Brasil tem realidades sociais muito diferentes, e esse é o primeiro sinal que nos mostra que esse formato não é para agora. Metaverso não é internet. São necessários equipamentos para interagir com esse universo", diz.

Ainda assim, o especialista valida a importância de que pequenos e médios empresários se inspirem nas ações de grandes marcas para entender o que vem por aí. Fazendo um paralelo com o surgimento da internet, ele recorda que na década de 1990, quando ainda tentávamos entender como funcionaria essa novidade, muitos não acreditaram na sua força. Mesmo assim, a rede foi pouco a pouco conquistando cada um de nós.

Pouco mais tarde, tivemos de lidar com o receio de comprar via e-commerce. Muitos duvidavam se o produto chegaria, se o item seria original... Hoje, se trata de algo completamento normal em nosso dia a dia.

"Olhando dessa maneira, enxergo o metaverso como algo para estar no nosso radar, para ser assistido de camarote. A tecnologia é muito rapida, mas diria que para o pequeno ainda é tempo de focar na experiância do cliente, fluxo de caixa, retenção de perdas...um arroz com feijão bem feito".

Nossig lembra que, recentemente, o McDonald’s (MCDC34) apresentou 10 pedidos de marcas registradas ao Escritório de Patentes e Marcas Registradas dos Estados Unidos, para a criação de um restaurante virtual no metaverso que entregará comida on-line e pessoalmente para os clientes.

Alguns dos pedidos eram para marcas registradas de “produtos virtuais de alimentos e bebidas”, “operar um restaurante virtual e on-line com entrega em domicílio” e “shows on-line reais e virtuais”.

A solicitação inclui NFTs, serviços e eventos de entretenimento para ambas as marcas (McDonald's e MCafé), além do símbolo de arcos dourados. A informação veio do advogado de marcas da rede de fast-food, Josh Gerben.

Em publicação no Twitter, ele escreveu: “Você está no metaverso e fica com fome. Você não precisa largar o fone de ouvido. Você entra em um McDonald’s e faz um pedido. Ele chega à sua porta um pouco mais tarde.”

POR ONDE AS MARCAS SE RELACIONAM

Sem recorrer a tanto conceitos, fica mais fácil pensar no metaverso como a forma que vamos usar a internet no futuro. E como as marcas estão fazendo isso? De forma resumida, há três possibilidades:

GAMES - A construção de um novo varejo surge especialmente em plataformas virtuais como o Roblox, que já têm mais de 200 milhões de usuários ativos mensais. Segundo a Fast Company, a Roblox está entre as dez empresas mais inovadoras do mundo, ao lado de marcas como Tesla e Microsoft.

Com alto engajamento diário, esse jogo tem 1,3 milhão de desenvolvedores, e a Roblox é uma das empresas mais valorizadas do metaverso, justamente por criar mecânicas que mantém os usuários envolvidos com possibilidade de criação infinita.

No fim do último ano, a Ralph Lauren lançou o Winter Escape no Roblox. Trata-se de um destino virtual com tema de férias, que inclui atividades como patinação no gelo, torradas de marshmallow, gincanas e compras na Ralph Lauren Digital Collection, disponível para aquisição exclusivamente no Roblox. Ali, os jogadores podem desfrutar de atividades como patinação no gelo, enquanto compram roupas esportivas retrô da coleção dos anos 1990.

REALIDADE VIRTUAL - um ambiente que acontece virtualmente, e no qual podemos nos inserir para fazermos parte da experiência. Tudo em virtual reality ou em realidade virtual é digital: o ambiente, as interações, as ações, os efeitos visuais. Ou seja, estamos falando de uma verdadeira imersão em um mundo real simulado virtualmente.

Chamada de Digital Twins, a nova loja virtual da Fendi é um exemplo de uso da realidade virtual na moda, que representa réplicas perfeitas de ambientes físico existentes, recriados digitalmente em VR.

REALIDADE AUMENTADA - Em inglês, Augmented Reality – a realidade aumentada está diretamente ligada à integração do mundo virtual com o mundo real por meio de uma câmera.

Neste formato, a experiência interativa que acontece no mundo físico, sobrepõe elementos e ambientes criados digitalmente.

Há um ano, o lançamento de um tênis da Gucci retratou bem como esse tecnologia se funde com a realidade. Para usar e comprar o calçado, é só seguir uma dinâmica semelhante a que já estamos acostumados com os filtros do Instagram. Basta realizar a compra, apontar a câmera traseira do seu celular para os pés e eles estarão calçados automaticamente (no ambiente virtual).

Chamado de Gucci Virtual 25, o item foi projetado por Alessandro Michele, diretor criativo da Gucci, só existe virtualmente e foi usado em milhares de posts em redes sociais. 

IMAGEM: Divulgação Ralph Lauren

 

 

 

 

 

 

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