O que aprender com o avanço do last mile no mundo

O grupo chinês Alibaba comemorou recentemente a marca de dez milhões de entregas realizadas por seus robôs autônomos

Mariana Missiaggia
06/Jul/2022
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O que aprender com o avanço do last mile no mundo

A recente notícia de que o Alibaba ultrapassou a marca de dez milhões de entregas feitas por robôs materializa o avanço do e-commerce, mas ela também expõe os desafios que o setor ainda enfrenta.

Considerado um dos líderes globais de vendas on-line, o grupo chinês divide um cenário tecnológico muito avançado com a Amazon. A partir do uso de robótica, e a adoção de tecnologias como big data e inteligência artificial, as duas empresas têm revolucionado suas operações e se distanciado cada vez mais da realidade de outras varejistas.

A demanda por serviços mais rápidos e eficazes tornou a entrega de última milha (last mile) parte crucial do varejo. O termo se refere a última etapa de transporte de mercadorias, ou seja, quando saem de um centro de distribuição para o endereço do cliente.

Ocorre que o efeito de parar de casa em casa para fazer as entregas deixa todo o processo mais lento, trabalhoso e, segundo a Euromonitor International, a última milha representa até 28% do custo total do envio de cada encomenda.

O exemplo mais evoluído desse movimento vem do Alibaba. Conhecidos por Xiaomanlv, cada robô da empresa pode transportar cerca de 50 pacotes por vez e viajar 100 quilômetros com uma única carga na bateria.

Os robôs entregadores já circulam em mais de 200 universidades chinesas, onde entregam encomendas enviadas pelo sistema de correio. A navegação desses equipamentos acontece sem intervenção humana em 99,9% do tempo, auxiliados por um algoritmo que encontra as rotas de entrega mais eficientes.

Nos Estados Unidos, a Amazon investiu na compra da Kiva Systems, startup especializada em robótica para poder ampliar sua frota que já passa de 500 mil máquinas para realizar entrega e também para logística interna.

No Brasil, startups como a Synkar, de robôs autônomos, e a SpeedBird, de drones, já atuam no mercado de tecnologias alternativas. No último ano, a rede de supermercados Enxuto, do interior do estado de São Paulo, lançou um robô para fazer entregas last mile em um condomínio na cidade de Paulínia.

O “carrinho” comporta até 35 quilos de mantimentos e trafega sozinho pelas calçadas da propriedade. As compras são feitas via WhatsApp, e um funcionário da unidade é responsável por separar, embalar e carregar o “carrinho”, que vai até a casa do cliente.

O equipamento anda a 6 quilômetros por hora e é guiado por sensores que reconhecem o caminho e os endereços graças a um mapeamento prévio do espaço.

Além disso, o robô também é monitorado em tempo real e é equipado com sensores programados para pará-lo em caso de obstáculos fixos ou em movimento, como animais, pessoas e carros.

No entanto, tanta eficiência tem seu preço. O processo de entrega de última milha é um dos aspectos mais caros e demorados da cadeia de suprimentos de comércio eletrônico, segundo Lígia Aquino, especialista em automação e tecnologia no varejo.

A utilização de robôs, segundo Lígia, é positiva no sentido de inovação e de diminuição de erros, extravios e outras ocorrências nas entregas. Por outro lado, ela cita o impacto social negativo já que os robôs substituiriam muitas pessoas, especialmente, as que ficaram desempregadas na pandemia e começaram a fazer entregas.

Ainda de acordo com a especialista, apesar de parecer perfeito, esse modelo de entrega não está isento de falhas. E segundo Ligia, a melhor maneira de prevê-las ou minimizá-las é com planejamento, uso das tecnologias e criação de um procedimento operacional padrão. Além disso, identificar a falha, analisar os dados (para saber em qual etapa ocorreu), e fazer um plano de ação para sanar as ocorrências também é fundamental.

“Se olharmos para os exemplos de uso dos robôs nos Estados Unidos chegamos à conclusão de que precisamos melhorar muito a questão da infraestrutura em São Paulo para conseguirmos colocar em prática modelos parecidos”, diz Ligia.

Na última semana, a conferência Gartner Supply Chain Symposium/XPO 2022, discutiu os rumos da última milha no varejo. Nas palavras de Tom Enright, vice-presidente da Gartner, empresa referência mundial de TI, um dos caminhos, especialmente para empresas menores não se tornarem reféns do last mile, é oferecer ao consumidor um trajeto inverso.

Ou seja, ter opções para que os consumidores percorram o caminho da última milha e cheguem até suas encomendas. Enright cita que retiradas em lockers, pontos alternativos de entrega e modelos de compra on-line com retirada na loja já são bem aceitos pelo consumidor.

Em uma de suas falas, o executivo destacou que as empresas não podem se deixar levar pela velocidade e desconsiderar o alto custo da entrega de última milha e o impacto ambiental dessa opção enquanto atendem às necessidades do cliente.

“O futuro do varejo não é sobre quem entrega mais rápido, mas sobre quem resolve problemas”, diz Enright.

Em um dos exemplos dados, o executivo citou o serviço Walmart GoLocal, a nova linha de negócios da varejista que amplia sua expertise na entrega de mercadorias aos clientes para empresas de todos os tamanhos.

Com 4,7 mil lojas, o Walmart passou a oferecer para o mercado o mesmo serviço de entrega que reproduz a seus clientes - com a mesma escala e eficiência.

Vale lembrar que nos últimos três anos o Walmart ampliou seu serviço de entrega expressa para seus clientes, atingindo quase 70% da população norte-americana usando sua rede de entrega existente - drones, veículos autônomos e atendimento ao mercado.

Em uma pegada colaborativa – que Enright também aponta como tendência para o last mile, o Walmart GoLocal se tornou um dos responsáveis pela entrega da Home Depot.

 

IMAGEM: Alizila

 

 

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