O olhar da Arezzo&Co sobre a logística de moda

Mauro Friedrich (na foto), diretor de logística do grupo, fala sobre o aumento das operações de omnicanalidade e a complexidade da logística no setor de moda, que vem mudando nos últimos anos

Mariana Missiaggia
17/Out/2022
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O olhar da Arezzo&Co sobre a logística de moda

"Logística não é mais sobre transporte de produtos. É sobre fazer o cliente sorrir". É dessa forma que Mauro Friedrich, diretor de logística da Arezzo&Co, define a postura do grupo diante da entrega de produtos.

A sensação de correr uma maratona por dia que o setor de alimentação vive não é muito diferente para o setor calçadista. Com milhares de itens em seu portfólio, cada vez menos estoque e mais pautado pelo omnichannel, Friedrich diz que o mercado de calçados tem acelerado suas soluções para atender o cliente onde ele quiser e no menor tempo possível.

Trabalhando com sete marcas distintas (Arezzo, Schutz, Fiever, Anacapri, Alme, Alexandre Birman, Vans, Reserva), o grupo lança, em média, 16 coleções por ano e, de forma geral, baseadas em inverno e verão.

Tudo isso, segundo o executivo, sustentado em cinco pilares: habilidade para inovar, um sólido programa de comunicação e marketing, supply chain ágil e eficiente, multicanalidade com uma estratégia de distribuição nacional e administração experiente.

Friedrich participou da Retail Conference, promovida recentemente pela Associação Comercial e Industrial de Campinas (ACIC).

RAIO X DA AREZZO

Em uma espécie de raio X do grupo, Friedrich detalha como assegura velocidade, flexibilidade e escalabilidade de produção para garantir o crescimento esperado pela Arezzo&Co. São cinco centros de distribuição (no Espírito Santo e Rio Grande do Sul) e mais de 25 parceiros de transporte.

Segundo o executivo, seu modelo de abastecimento é flexível, com fábrica própria com capacidade de produção anual de 1,1 milhão de pares e forte relacionamento com o cluster de produção do Vale dos Sinos, no Rio Grande do Sul, principal região que concentra a terceirização do grupo.

Outro ponto destacado foi o ganhos de escala, já que o porte e a estrutura da Arezzo proporcionam flexibilidade para terceirizar a produção de um grande número de produtos a partir de várias fábricas em um curto espaço de tempo a preços competitivos.

COMO A AREZZO SE ADAPTOU À ERA DIGITAL

Segundo Friedrich, a pandemia trouxe uma mudança exponencial nos canais de venda. Isso transformou os desafios e estratégias que a empresa tinha anteriormente, aumentando muito as operações digitais. As vendas passaram a ser mais on-line e isso trouxe a necessidade de ajustes.

Nas palavras de Friedrich, o foco sempre é no cliente, buscando antecipar os desejos dos consumidores. Há ainda uma condição diferenciada em sua operação de vendas - a Arezzo entrega gratuitamente os produtos a todos os clientes, sejam multimarcas ou franqueados. Isso, claro, gera um custo importante para a matriz com despesas relacionadas ao transporte.

Pelas regiões continentais do Brasil, Friedrich aponta que há muitos transportadores que, embora atuem em malha nacional, ainda demandam transportadores especialistas para o last mile.

"Entendo que é muito importante adequar a expertise de região em que o transportador opera à sua contratação. E outro ponto para empresas com grandes demandas é a adoção de um caminhão FTL até os entregadores menores para que a última etapa tenha mais qualidade", diz.

O modelo FTL (Full Truckload) citado por Friedrich é o de transporte sem compartilhamento com cargas de outros embarcadores. Ele se mostra muito vantajoso para casos nos quais a mercadoria possui grande volume, ou necessite de condições especiais para ser transportada.

Dessa forma, a mercadoria não muda de veículo durante a rota, não passa por outros armazéns, e ainda tem a opção de lacrar o caminhão, garantindo que não haja manuseio da carga durante todo o percurso. Além disso, há maior agilidade na entrega, já que o veículo segue diretamente do local de embarque até seu destino.

Essa grande operação própria dentro da Arezzo para consolidar a distribuição simultânea em escala nacional conta com mais de 500 funcionários. O executivo cita algumas iniciativas que mostram ser produtivas nesse contexto.

- Busca incansável pelo menor custo e prazo prometido.

- Controle rigoroso no prazo prometido aos clientes.

- Estratégias bem definidas do sortimento do centro de distribuição (vendas pela web).

- Adequações constantes da operação para crescimento do canal.

- Desenvolvimento de estratégias omnichannel com entrega personalizada.

- Atenção total com a acuracidade de estoque (ter um sistema de alocação, para tomar melhores decisões sobre o que e quanto repor).

 

IMAGEM: ACIC/divulgação

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