O Brasil sob ataque

O que aconteceu é grave: a violação do sigilo das comunicações de altas autoridades constituídas do País

Sérgio Paulo Muniz Costa
10/Jun/2019
  • btn-whatsapp
O Brasil sob ataque

 

“Foi o crime que violou o telefone do Sérgio Moro”.  

Foi o que pensou muita gente assim que a notícia circulou no fim da semana passada. Imaginou-se logo que tipo de delinquente pudesse estar por trás de tão audaciosa investida e a quem estaria servindo. Às facções criminosas, ao narcotráfico internacional preocupado com a movimentação de Moro pelos países vizinhos?  

As coisas poderiam ter ficado por aí, enquanto não se completassem as investigações.

Mas não. Aquela velha e prosaica visão do bandido não se aplica mais ao crime no Brasil de hoje.

Acordamos nesta segunda-feira (10/06) com a notícia trocada de sinal. O  Ministro da Justiça que teve a vida pessoal, o sigilo profissional e os dados institucionais violados sendo atacado por órgãos da imprensa.

E outras autoridades -tão responsáveis quanto ele pelo enfrentamento do maior problema do Brasil -atacando a maior operação de combate à corrupção no mundo.

Sim, foi o crime que violou o telefone de Sérgio Moro. Os fatos revelados na noite de domingo confirmam. O que ninguém poderia esperar é que um crime servisse tão bem ao crime.

A inspiração da bandidagem se baseia em um simplismo típico de cinema alternativo. Se o Estado pode espionar, pode gravar as conversas das pessoas, por que não se pode expor as comunicações e as confidências das autoridades?

A resposta, claro, não cabe aos bandidos, mas a nós. E ela é simples: porque vivemos em um Estado de Direito democrático.  

O desaparecimento da distinção entre o público e o privado é uma das mais graves violações das liberdades e das garantias asseguradas pelo Estado.

Não se pode admitir que conversas havidas na intimidade dos círculos pessoais e profissionais, de quem quer que seja, venham a ser reveladas e usadas à revelia da Justiça.

E cabe unica e exclusivamente a ela autorizar quem pode ter seu sigilo quebrado. Se assim não for, acabou-se o Estado e voltamos ao estado da natureza, de todos contra todos, segundo a lei do mais forte. Ou do mais rico.

Que há alguma coisa muito errada acontecendo, não há dúvida. O clima de vale tudo político que estamos importando vem destruindo as instituições democráticas no Ocidente, inclusive no Brasil.

O que aconteceu é grave: a violação do sigilo das comunicações de altas autoridades constituídas do País. Não apenas uma questão de Justiça, mas também de Segurança Nacional.

Mas é de todo lamentável que em alguns dos mais importantes gabinetes da República nem se desconfie que é o Brasil que está sob ataque.

FOTO: Marcelo Camargo/Agência Brasil

**As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do Diário do Comércio

 

 

 

Indicadores Econômicos

Fator de Reajuste

ÍNDICE
Mai
Jun
Jul
IGP-M
1,1072
1,1070
1,1008
IGP-DI
1,1056
1,1112
1,0913
IPCA
1,1173
1,1189
1,1007
IPC-Fipe
1,1227
1,1169
1,1073

Indicadores de crédito Boa Vista

Índice
Abr
Mai
Jun
Demanda por crédito
-4,3%
-2,1%
-1,9%
Pedidos de falência
--
--
--
Movimento do comércio
1,1%
1,5%
-0,8%
Inadimplência do consumidor
5,0%
7,5%
-0,6%
Recuperação de crédito
1,8%
-5,6%
2,4%
mais índices

Vídeos

Tarcísio de Freitas participa de ciclo de debates promovido pela ACSP

Tarcísio de Freitas participa de ciclo de debates promovido pela ACSP

Felipe d’Avila, do Novo, foi sabatinado por empresários na ACSP

Márcio França fala em fim da ‘tiriricação’ da política

Colunistas