Mercado diante da primeira Super Quarta do ano

23/Jan/2026
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Mercado diante da primeira Super Quarta do ano

São Paulo, 23 de janeiro de 2026 – Depois de uma semana de recordes, de forte fluxo de capitalexterno e de excelente performance, o mercado financeiro nacional volta as suas atenções para aSuper Quarta. Os bancos centrais do Brasil e dos Estados Unidos na semana as suas primeirasreuniões do ano para discutir o futuro da política monetária. As tensões geopolíticas, umabateria de indicadores e o cenário eleitoral também deverão ficar no radar dos investidores.

O Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne na terça e na quarta para definir a Selic paraos próximos 45 dias. É praticamente unanimidade no mercado que a taxa deverá ser mantida em 15%ao ano. O foco do mercado estará voltado para o tom do comunicado e na possibilidade de algumasinalização de que os esperados cortes no juro básico tenham início em março, o que aposta boaparte do mercado.

Antes da decsião do Copom, os investidores já terão absorvido a decisão do Federal Reserve(Fed), o banco central americano, que será anunciada às 16h da quarta. Segundo o FedWatch, passade 97% a expectativa do mercado em manutenção das taxas. Portanto, atenções deslocadas para ocomunicado e o discurso do presidente do Fed, Jerome Powell, após mais uma sequência de ataquesfeitos pelo presidente Donald Trump ao longo da semana.

E as falas de Trump foram novamente importantes para o comportamento do mercado financeiro. Opresidente americano insistiu no discurso de tomar a Groenlândia para os Estados Unidos e ameaçousobretaxar a União Europeia. Posteriormente, voltou atrás e adotou um tom mais pacífico. Ambosmovimentos favoreceram os mercados emergentes, incluindo o Brasil.

Internamente, o jogo eleitoral ganhou força. Pesquisa da Atlas apontou o crescimento da candidaturaFlávio Bolsonaro e a diminuição da diferença de Lula para os candidatos de direita, incluindo ogovernador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, o preferido do mercado. Os números agradaram osinvestidores e ajudaram a impulsionar os recordes do Ibovespa.

Às 13h15 da sexta, 23, o Ibovespa marcava 177.288 pontos, acumulando valorização semanal de6,53%. O dólar comercial era cotado a R$ 5,2887, com perda de 1,57% na semana. As taxas DIs parajaneiro de 2029 abriram a semana a 13,155% ao ano e encaminham o fechamento na casa de R$ 13,290%.

Além da definição da política monetária, a agenda doméstica de indicadores reserva importantespontos de atenção na última semana de janeiro. Na segunda, o BC libera o boletim Focus às 8h25.Na terça, sai o IPCA-15 de janeiro, às 9h. Na quarta, devem sair os dados de dezembro e de 2025 doCaged e, no final do dia, a partir das 18h30, será divulgada a decisão do Copom sobre a Selic. Naquinta, às 8h, sai o IGP-M de janeiro. Encerrando a semana, na sexta, às 9h, o mercado conhece aPnad de dezembro.

Política

As pesquisas eleitoral deverão continuar movimentando Brasília e mexendo a o cenário eleitoral napróxima semana. O Congresso retoma as atividades após um longo recesso e dois assuntos merecemdestaque: a inserção do legislativo no Caso Master e a avaliação do acordo Mercosul e UniãoEuropeia.

Na última semana, a pesquisa Atlas Intel agitou o mercado financeiro. O levantamento indicou queLula venceria Flávio Bolsonaro por quatro pontos percentuais em um eventual segundo turno (49% a45%). A diferença caiu oito pontos percentuais desde dezembro, quando Lula vencia Flávio com 53% a41%. Contra Tarcísio de Freitas, a vantagem de Lula seria idêntica: 49% a 45%. Lula também vencetodos os candidatos no primeiro turno com cerca de 48%, muito próximo de conseguir a maioria.

Dois pontos merecem a atenção. A estabilidade de Lula na liderança e a pequena margem de umapossível vitória já no primeiro turno. Mas a consolidação da candidatura do filho doex-presidente Jair Bolsonaro e a queda da diferença foram comemoradas pelo campo de direita, comreflexo positivos também no mercado, mesmo com a sinalização de que Tarcísio, o preferido dosinvestidores, esteja inclinado a concorrer à reeleição ao governo de São Paulo.

Tarcísio que cancelou uma visita ao presidente Jair Bolsonaro nesta semana, resultando em críticasdos bolsonaristas e rumores de que estaria se distanciando desta ala em busca de uma possívelcandidatura própria. Posteriormente, o governador de São Paulo reiterou sua fidelidade à famíliaBolsonaro, repetindo que vai tentar a reeleição. Mas até abril, o jogo eleitoral promete aindamuitos movimentos.

Do lado do governo, Lula monta sua estratégia. Em meio às tensões geopolíticas, evita seposicionar de forma mais contundente e avalia que a postura de oposição ao governo Trump rendepopularidade e votos. Também tenta acomodar as principais peças de seu governo nas disputas,tentando reforçar palanque. A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, anunciou quedeixará a pasta para concorrer ao Senado pelo Paraná.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, também deixa o cargo em fevereiro. Lula quer Haddad nadisputa do governo de São Paulo, mesmo contra a vontade do ministro. Haddad tem poucas chancescontra Tarcísio, mas a intenção de Lula é obter uma derrota menos expressiva em um estado chavepara a sua possível reeleição.

Internacional

Se na semana passada o foco era a tensão entre Irã e EUA, e o presidente do Fed, Jerome Powell,anunciando uma investigação sobre ele, nesta semana as turbulências foram entre Donald Trump e aUnião Europeia, a anexação da Groenlândia e o envio de uma ‘armada’ ao país persa por parte dosnorte-americanos.

Boa parte dos anúncios de Trump foram feitos no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça. Odiscurso do norte-americano era o mais esperado, e foi nele que Trump disse não ter pretensão deusar a força contra a Groenlândia. Em vez disso, uma estrutura de acordo com a OTAN poderia,segundo Trump, dar ‘acesso total’ à ilha dinamarquesa.

Embora os mercados tenham reagido de forma positiva, ainda há uma certa preocupação no ar, porquenão foram divulgados detalhes desse acordo com a Otan. Mas há outra expectativa: um encontrotrilateral entre Rússia, Ucrânia e EUA para colocar fim à guerra no leste europeu, que vaicompletar quatro anos em fevereiro. Até agora, nada de concreto ou substancial foi decidido.

Dados econômicos dos EUA divulgados nesta semana mostram uma economia resiliente, com crescimentodo PIB do terceiro trimestre em 4,4% em base anual, índice PCE de inflação subindo 0,2% emoutubro e novembro e com cerca de 200 mil pedidos de seguro-desemprego. Desta forma, o mercadoprecifica que o Fed não deverá cortar os juros na reunião da semana que vem, e sim ficar em modo’esperar para ver’ para fazer modificações na política monetária.

Falando na reunião do Fed da próxima semana, os EUA vão divulgar também os pedidos de bensduráveis, os índice de atividade nacional do Fed Chicago, o de preços de imóveis S&PCase/Shiller, a confiança do consumidor, os estoques de petróleo, os pedidos de seguro-desemprego,o saldo da balança comercial, a leitura revisada da produtividade e dos custos trabalhistas, asencomendas às fábricas e o índice de preços ao produtor.

A Alemanha divulga o índice Ifo de confiança do empresário, o de confiança do consumidor do Gfk,a taxa de desemprego, o índice de preços ao consumidor e o PIB do quarto trimestre. A zona do eurotambém publica o PIB e a taxa de desemprego, além da leitura revisada da confiança do consumidor.O Japão publica a ata da reunião dos dias 18 e 19 de dezembro, o índice de preços ao consumidorda capital Tóquio, a taxa de desemprego e a produção industrial. A China publica os PMIs oficiaisde janeiro dos setores industrial e de serviços.

A temporada de balanços segue, com a divulgação dos resultados trimestrais da LVMH, Samsung, SAP,Roche, Glencore, American Airlines, Boeing, UnitedHealth, General Motors, Meta, Microsoft, Tesla, GEVernova, IBM, AT&T, Visa, Mastercard, Lockheed Martin, Apple, DOW, International Paper, Exxon Mobil,Chevron, American Express, Caterpillar e Verizon.

Empresas

Na última semana de janeiro (26-30/1), o destaque corporativo no mercado de ações é a forteatração de fluxo estrangeiro para a Bolsa brasileira. Analistas apontam que a valorização domercado brasileiro em 2026 reflete a convergência entre fluxo externo positivo, valuation atrativoe a composição defensiva do Ibovespa.

Até o dia 20 de janeiro, a realocação de portfólio dos investidores globais injetou R$ 8,7bilhões nas ações brasileiras e levou o Ibovespa a uma sequência de recordes. Para ter uma ideiada dimensão, o volume equivale a mais de um terço dos R$ 25,4 bilhões aportados pela categoria aolongo de 2025, segundo dados publicados pelo jornal Valor Econômico na quinta-feira (22).

O movimento reflete o fluxo para os mercados emergentes em meio às tensões geopolíticas, àsvésperas da Super Quarta, que terá as reuniões dos bancos centrais do Brasil e dos EstadosUnidos. A instabilidade tem como origem o governo do presidente Donald Trump, que após atacar aVenezuela por petróleo, agora busca minérios na Groenlândia e ameaça o Irã com uma armada emdireção ao Oriente Médio. Trump relacionou a pressão militar às recentes repressão a protestosno Irã. O presidente estadunidense também está sob forte ataque à autonomia do Federal Reserve(Fed, o banco central de lá).

Para analistas, a entrada consistente de recursos no início do ano reforça a relevância da bolsacomo canal fundamental de alocação de capital, elevando a máxima do principal índice da bolsa devalores de São Paulo, o Ibovespa, para 177 mil pontos no pregão de quinta-feira (22). O movimentoreforça o começo positivo que marcou o início de 2026 para a B3, que registrou um fluxo positivode R$ 8,7 bilhões, aliado à valorização das ações, que aponta para um cenário maisconstrutivo para o mercado acionário brasileiro.

Ainda que o ambiente exija cautela e acompanhamento constante dos fatores econômicos e políticos,o início do ano sugere uma base mais sólida para a continuidade do interesse dos investidores aolongo dos próximos meses. As ações da B3 também se destacaram, com alta de 9,65 por cento nosprimeiros dias de 2026. Sem dúvida, o desempenho tem chamado a atenção do mercado, comenta aLevante Ideias de Investimento.

No pregão da última quarta-feira (21), as empresas listadas na B3 voltaram a superar o patamar deR$ 5 trilhões em valor de mercado, nível que não era registrado desde setembro de 2021. No mesmodia, o Ibovespa avançou 3,33%, configurando a quarta maior alta diária do índice desde janeiro de2021 e a mais expressiva desde abril de 2023, segundo levantamento da Elos Ayta. Com o movimento, oíndice encerrou o pregão aos 171.816,67 pontos, renovando sua máxima histórica pela terceira vezno ano.

Segundo a consultoria, o retorno do valor de mercado da bolsa ao patamar de R$ 5 trilhões carregaum significado distinto em relação a 2021. Diferentemente do período marcado por uma forte ondade IPOs, o movimento atual é impulsionado principalmente pela reprecificação dos ativos jálistados, sinalizando uma possível mudança de ciclo no mercado acionário brasileiro, maisancorada em fundamentos e menos dependente de euforia de curto prazo. A ver.

Acordo Mercosul-UE é suspenso

Um tema negativo que ganhou destaque foi a suspensão do acordo entre o Mercosul e a UniãoEuropeia. O Parlamento Europeu, por maioria simples, decidiu questionar na Justiça aspectosrelativos à tramitação legislativa do acordo, o que pode atrasar a aprovação na UE e suarespectiva entrada em vigor por dois anos.

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), GeraldoAlckmin, afirmou nesta quinta-feira (22/1) que o governo brasileiro continua trabalhando pelarápida ratificação do acordo pelo Congresso Nacional, na expectativa de que a celeridade doprocesso no Brasil e nos demais parlamentos do bloco sul-americano (Argentina, Uruguai e Paraguai)possa acelerar o processo também na Europa.

Gasolina da Petrobras

Outro assunto que segue no radar dos investidores é um possível anúncio de reajuste no preço dagasolina pela Petrobras. Reportagem do jornal Valor Econômico de hoje (23) a mudança oumanutenção do preço da gasolina pela Petrobras deve ser apreciada em reunião do conselho deadministração da companhia marcada para a próxima quarta-feira, 28 de janeiro.

O combustível da Petrobras está 10% mais caro que o produto importado, segundo o acompanhamentodiário da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) divulgado hoje. Opreço da estatal está acima do que o mercado chama de preço de paridade de importação (PPI)desde setembro de 2025, segundo cálculos da consultoria StoneX, e continuou assim mesmo depois de apetroleira realizar um corte de R$ 0,14 por litro em outubro.

Bandeira tarifária

A última semana do mês também terá a divulgação da bandeira tarifária de fevereiro, pelaAgência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), na sexta-feira (30). Em janeiro, a agência rebaixoua bandeira tarifária para o patamar verde, ou seja, a conta de energia elétrica não teve custoextra no primeiro mês do próximo ano.

Em dezembro, a Aneel havia definido a categoria amarela para a bandeira, o que significou um custoextra de R$ 1,88 a cada 100kWh, menor do que no mês anterior. Em novembro, a bandeira tarifáriafoi a vermelha patamar 1, um custo extra de R$ 4,46 a cada 100 kWh.

A semana também antecede o início da temporada de resultados trimestrais da B3, que começa no dia3 de fevereiro, com a Romi (ROMI3).

Cynara Escobar, Dylan Della Pasqua, Paulo Holland e Vanessa Zampronho / Safras News

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