Itaú BBA reitera visão construtiva para o setor e recomendações de compra de JBS e Minerva

13/Jan/2026
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Itaú BBA reitera visão construtiva para o setor e recomendações de compra de JBS e Minerva

São Paulo, 13 de janeiro de 2026 – O time de analistas do setor de Alimentos e Bebidas do Itaú BBAdivulgou o mais recente relatório de acompanhamento semanal repercutindo dados de exportação doBrasil, diretrizes alimentares nos Estados Unidos e o acordo entre o Mercosul e a União Europeia. Obanco mantém a sua visão construtiva sobre a JBS e Minerva, com recomendações “Outperform”(equivalente à compra) e preços-alvo para o final de 2026 de US$ 20,00 para as ADRs da JBS em NY epara a ação BEEF3 da Minerva na B3.

Em relação à JBS, a avaliação dos analistas Gustavo Troyano, Bruno Tomazetto e Ryu Matsuyama éde que padrões alimentares aprimorados favorecem a perspectiva da demanda por proteínas. Aanálise aponts que, na semana passada, o governo dos EUA divulgou as Diretrizes Alimentares paraAmericanos (20252030), uma política federal de nutrição voltada para a melhoria da saúdepública. Segundo o banco, a nova estrutura enfatiza o valor nutricional dos alimentos integrais,priorizando fontes de proteína de alta qualidade e outros produtos saudáveis, ao mesmo tempo quedesencoraja o consumo de alimentos altamente processados e carboidratos refinados. “Para osfrigoríficos, o aumento previsto na demanda por proteínas pode sustentar um ambiente de consumomais sustentável no futuro, beneficiando os preços das proteínas na região. Pelo contrário, amenor preferência por alimentos processados pode desafiar as estratégias de empresas queexpandiram seus portfólios para produtos processados de maior valor agregado, apesar de sua maiormargem de lucro. Do ponto de vista da oferta, embora se espere que a produção avícola se recupereem algum momento deste ano, o persistente ciclo restrito da pecuária bovina continua a limitar aprodução de proteína nos EUA. Com as novas diretrizes alimentares estimulando a demanda, essalimitação de oferta pode levar a um cenário de necessidades de importação marginalmentemaiores, principalmente de carne bovina, beneficiando também os frigoríficos que exportam para osEUA”, avalia o Itaú BBA.

No que se refere à Minerva, o relatório frisa que a incerteza política pesa sobre os volumes deexportação, com base em uma notícia que aponta que permanecem incertezas em relação a parte dosembarques de 2025 destinados à China, que devem chegar somente em 2026, totalizando cerca de 350mil toneladas. Se esses volumes forem contabilizados na cota imposta pela China aos embarques decarne bovina do Brasil, apenas 750 mil toneladas estariam disponíveis para o restante do ano,restringindo ainda mais a flexibilidade de embarque dos exportadores brasileiros. Nas duas primeirassemanas do ano, as exportações brasileiras de carne bovina para a China atingiram 89 miltoneladas, representando um volume adicional às 350 mil toneladas exportadas no ano anterior, diz aanálise. “Olhando para o futuro, será importante monitorar as potenciais negociações entre ospaíses nos próximos meses, bem como a capacidade dos frigoríficos de redirecionar volumes paraoutras regiões com preços competitivos.”

Por outro lado, a análise também ressalta que as novas diretrizes alimentares dos EUA criam umaoportunidade para os exportadores brasileiros realocarem volumes e compensarem parcialmente osdesafios decorrentes das restrições no mercado chinês.

Além disso, o acordo comercial UE-Mercosul também deverá impulsionar uma demanda resiliente deexportação, reduzindo a dependência da China. “O Mercosul é o terceiro maior destino dasexportações brasileiras de carne bovina, representando 5,5% do valor total das exportações, compreços premium em comparação à média consolidada, considerando sua demanda por produtos demaior valor agregado. Os spreads da carne bovina brasileira recuaram 230 pontos-base em janeiro atéo momento, devido principalmente a uma queda de 2,6% nos preços de exportação, parcialmentecompensada por uma redução de 0,3% nos custos do gado”, acrescenta a análise.

Sobre a MBRF, o relatório destaca que a demanda europeia fortalece a dinâmica das exportações deaves e menciona comunicado divulgado na sexta-feira pela Associação Brasileira de Proteína Animal(ABPA) saudando a conclusão do acordo comercial UE-Mercosul. Segundo a análise, o comunicadodestaca seu potencial para apoiar as exportações brasileiras de proteína por meio de maior acessoao mercado europeu.

A análise lembra que, para aves, o acordo introduz uma nova cota tarifária para todo o Mercosul de180 mil toneladas por ano, totalmente isenta de impostos e compartilhada entre os países membros. Acota será implementada gradualmente ao longo de seis anos, atingindo o volume total no sexto ano deimplementação e tornando-se uma cota anual recorrente a partir de então. “De modo geral, o acordoreforça uma perspectiva construtiva para o ambiente de exportação de aves do Brasil, apoiando ademanda e fortalecendo a posição do país como um dos principais fornecedores globais deproteína. O grupo econômico foi o sétimo maior destino das exportações brasileiras de frango em2025, com uma participação de 3,5% em valor, e espera-se que aumente sua participação com estenovo acordo comercial. Os spreads do frango brasileiro aumentaram 100 pontos-base em relação aomês anterior em janeiro, principalmente devido a um aumento de 1,8% nos preços de exportação dofrango, parcialmente compensado por um aumento de 0,8% nos custos dos grãos para ração (com doismeses de defasagem)”, conclui o relatório.

Cynara Escobar – [email protected] (Safras News)

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