Intriga para sabotar

Não acrescenta nada essa mesquinharia que tem sido frequente contra pessoas próximas ao poder, sem distinção partidária

Aristóteles Drummond
23/Jan/2019
Jornalista
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Já me referi, aqui, que Negrão de Lima – grande político mineiro que foi tudo na República, menos presidente – costumava comentar que o esporte nacional não era o futebol, como se supunha, mas a fofoca, a intriga.

E o sábio ex-prefeito do Rio e governador da Guanabara sabia o que estava dizendo. Quando ouvia uma intriga maldosa, normalmente  com bases falsas, ele anotava no seu livro negro o autor e não o alvo da intriga. Por isso, nunca demitiu auxiliares vítimas de pressões.

Pude testemunhar uma conversa sua com o ministro da Justiça, em plena vigência do AI-5, em que a autoridade o alertava para a possibilidade de seu secretário de Saúde, o admirável dr. Hildebrando Monteiro Marinho,  perder seus direitos políticos por vínculos com o Partido Comunista.

Com tranquilidade e cordialidade, o governador disse ao ministro que agradecia a informação, mas que, certamente, não haveria esta injustiça, pois o seu auxiliar havia sido militante 30 anos antes, como estudante, e que era homem dedicado às suas atividades de cientista e secretário.

E aduziu que o ministro calcularia que, caso se confirmasse o ato,os serviços não seriam afetados, pois a procura pelos hospitais independia do Secretario ser cassado ou não. O dr. Marinho ficou até o fim do governo  e o inspirador da intriga, candidato a eventual vaga, foi mantido a distância do Palácio Guanabara.

O fato narrado é para mostrar que não acrescenta nada essa mesquinharia que tem sido frequente contra pessoas próximas ao poder, sem distinção partidária. Uma coisa são fatos concretos, indicações sólidas; outra coisa é o disse me disse da intriga pela intriga.

Por isso, a Justiça deveria ser mais rápida, os códigos mais explícitos no que pode ou não ser feito; a Polícia e o Ministério Público, mais cuidadosos em vazar assuntos  que podem atingir a honra de inocentes.

O mesmo vale para a Coaf, que deixa vazar maldosamente alguns poucos milhares de reais não explicados quando vivemos, infelizmente, ainda a fase de entregas de dinheiro vivo na casa dos milhões.

Buscar declarações, discursos, entrevistas, textos de livros antigos, procurando criar desconforto a quem está no palco é outra atitude menor a ser combatida.

É um crime o uso da intrigalhada – fofoca, como na voz do povo – para se sabotar um programa de recuperação nacional, de retomada do emprego, de diminuição da dívida pública, da melhoria das condições de vida dos menos favorecidos.

Anda prevalecendo o “há governo? Sou contra".  Não pode ser assim!

**As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do Diário do Comércio

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