Farmacêutica Cimed quer vender menos remédios

Comandada por João Adibe Marques, a companhia investe cada vez mais na categoria de vitaminas, que hoje responde por 40% do market share da empresa

Mariana Missiaggia
10/Ago/2022
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Farmacêutica Cimed quer vender menos remédios

Nos últimos dias, um lançamento envolvendo o nome de Anitta deu o que falar nas mídias sociais. Puzzy, o perfume íntimo que tem a figura da cantora como embaixadora, deve custar entre R$ 70 e R$ 100, com a expectativa de que a venda da fragrância ultrapasse R$ 40 milhões.

Esse é um dos assuntos que tornam a agenda de João Adibe Marques, CEO da Cimed, supermovimentada. Ao lado da irmã Karla Marques Felmanas, o empresário comanda o laboratório farmacêutico responsável pelo recente burburinho.

Com a comercialização da colônia de Anitta, a Cimed estreia a categoria de perfume íntimo no Brasil - mais uma das oportunidades de mercado detectadas pela empresa. Ocorre que as farmácias têm as mulheres como principal shopper, e segundo Marques, apenas 1% dos perfumes vendidos no país estão dentro desses estabelecimentos. Perfumarias, salões e lojas de departamento ainda dominam esse mercado.

Agora, o Puzzy se junta a outros dois produtos da Cimed voltados para cuidados íntimos: o lubrificante K-Med e o sabonete Dermafeme. Com a chegada do perfume, a empresa farmacêutica tem previsão de faturamento de R$ 200 bilhões, sendo que 7% dessa receita já envolve produtos para cuidados íntimos. Esse é um trabalho que o empresário repete com as categorias de genéricos e vitaminas. 

A informação de que apenas 6% da população brasileira faz algum tipo de suplementação vitamínica direcionou o olhar da farmacêutica para a categoria, que hoje responde por 40% do market share da Cimed.

Uma decisão providencial em tempos de pandemia, quando o negócio teve um aumento expressivo na venda de vitaminas - o crescimento foi superior a 30% no faturamento.

Durante a pandemia a categoria foi potencializada - trabalharam com insumos importados e ao perceber uma movimentação diferente com o começo do coronavírus, adiantaram a compra de matéria-prima.

A imposição de uma quarentena e o distanciamento social mudaram completamente os hábitos de compras e houve muito mais interesse em prevenção e imunidade do que propriamente, em remédios. 

Hoje, a proposta da farmacêutica é inversa, segundo o empresário, mesmo disputando um mercado em que 70% do que é vendido pela indústria do setor no Brasil é curativo e não preventivo.

"Investimos em prevenção porque aquela cultura brasileira de que o uso de vitaminas servia para melhorar de uma doença mudou. Agora, vitamina serve para não ficar doente".

Além disso, no começo da pandemia, a Cimed lançou o primeiro multivitamínico efervescente do Brasil, que promete uma absorção mais rápida do produto. A inovação levou a farmacêutica a fechar 2021 na liderança do segmento de vitaminas.

Com o lema "saúde e qualidade de vida para todo o país", o executivo diz ter descoberto no dia a dia da empresa que o Brasil é composto por uma dezena de outros Brasis pelas especificidades de cada região. Entretanto, percebeu também que a necessidade da democratização do acesso à saúde é comum a todas elas.

"O genérico é um remédio de qualidade, confiável e eficiente, que facilita o acesso dos brasileiros à saúde. Neste ano, essa categoria completou 20 anos e nos consideramos parte disso". "Meu propósito é acessibilidade. Quanto mais baratear meu produto, mais crescimento vou ter no Brasil, porque nosso país é muito pobre", diz.

Todo esse sucesso de Marques é compartilhado nas redes sociais. Com mais de 1,5 milhão de seguidores, o perfil tem registros da vida pessoal do empresário e, principalmente, de bastidores de uma indústria old school - e é nesse ponto que o CEO justifica tanto alcance midiático, que é incomum no ramo.

Além de divulgar novidades sobre sua carreira e a empresa em sua página pessoal, também direciona suas publicações para audiências específicas, como um canal voltado ao time de vendas. Todos os dias, de manhã, o empresário faz uma live com o intuito de engajar essas pessoas.

Nas palavras do executivo, o setor não inovou e, ainda assim, carrega a missão de se tornar uma healthtech.

Nos últimos dez anos, a Cimed passou do 36º para o 3º lugar no ranking das maiores empresas do setor. Hoje, a capacidade produtiva da companhia é de 40 milhões de unidade por mês - número que deve passar para 100 milhões nos próximos dois anos, com investimento de R$ 500 milhões.

As informações foram apuradas durante o evento on-line WebSummit 2022.

 

IMAGEM: Cimed/divulgação

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