Ex-embaixadores analisam o Brasil na reordenação da economia global

Marcos Azambuja (centro) e Rubens Barbosa (segundo à dir.) participaram de reunião do Conselho Político e Social, da Associação Comercial de São Paulo (ACSP)

Cibele Gandolpho
05/Dez/2023
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Ex-embaixadores analisam o Brasil na reordenação da economia global

O Brasil tem lidado adequadamente com a reorganização da economia global. Pelo menos essa é a opinião dos diplomatas e ex-embaixadores Rubens Barbosa e Marcos Azambuja. Eles participaram de reunião do Conselho Político e Social, da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), na última segunda-feira, 4/12.

Ambos debateram com os presentes e uma plateia on-line de mais de 500 pessoas sobre os rumos que a economia mundial vem tomando frente ao avanço da China em setores dominados pelos Estados Unidos há décadas, principalmente após a reunificação da Alemanha.

Azambuja foi embaixador do Brasil na França e na Argentina, Secretário-Geral do Itamaraty, Coordenador da Conferência Rio 92 e Chefe da Delegação do Brasil para Assuntos de Desarmamento e Direitos Humanos em Genebra. Já Barbosa foi embaixador do Brasil em Londres e em Washington, além de presidente do Instituto Relações Internacionais e Comércio Exterior (Irice) e coordenador editorial da Interesse Nacional.

“Vemos uma economia mudada com grande influência das decisões unilaterais e o fortalecimento da visão de que o Estado tem que garantir sua autonomia. Hoje, está prevalecendo na área econômica uma espécie de salve-se quem puder. Vemos medidas restritivas ao comércio e todos os países mantendo medidas protecionistas mais fortes”, afirmou Barbosa.

Segundo ele, a China ganhou importância comercial no mundo e se vê uma realocação das cadeias produtivas globais. “Antes, os Estados Unidos tinham a hegemonia global.” 

Diversos motivos têm contribuído para isso, como crises financeiras, a inclusão da China na OMC (Organização Mundial do Comércio) em 2001, a pandemia, as guerras da Ucrânia com a Rússia e a de Israel com o Hamas, o desenvolvimento sustentável e a multipolaridade de países assumindo grandes frentes além dos Estados Unidos.

“Estamos vivendo em um mundo de grandes desafios. E o eixo econômico está se mudando para a Ásia, com a China neste epicentro”, argumentou Barbosa.

O ex-embaixador vê o Brasil com um papel fundamental porque tem uma força ambiental e agrícola muito potente e reconhecida.

Azambuja definiu o período atual econômico como “o fim de um ciclo em que os Estados Unidos tiveram uma hegemonia absoluta e agora a China, de fato, ameaça aquele país comercialmente.” 

Para ele, o Brasil, no meio disso tudo, “é uma superpotência pela sua extensão, pela sua capacidade agrícola e por ser um ponto fundamental na mudança climática e no desenvolvimento sustentável.”

O ex-embaixador e diplomata acredita que o Brasil está navegando agora como deve. “É cordial, cooperativo, associativo, pacífico e amistoso. Tem um fascínio estrondoso pela letra G, já que adora fazer parte do G7, do G5, do G4 etc. Somos um país à procura de parceiros e temos carteirinha de todos os clubes do mundo”, disse.

Para ele, alguns fatores permitem essa postura do Brasil. “Não temos conflitos. Possuímos 10 fronteiras que não nos ameaçam. Não temos medo dos nossos vizinhos e há um convívio harmonioso. Isso nos permite crescer na América do Sul com uma confiança extraordinária do ponto de vista econômico, social e político, sendo o epicentro da região”, afirma Azambuja.

 

IMAGEM: ACSP/divulgação

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