Empresas visualizam cenário mais positivo até o fim de 2020

Apesar de um 2º semestre de prejuízo e quedas recordes, retomada gradual da economia e da confiança do consumidor sinalizam melhoras, segundo o Comitê de Avaliação de Conjuntura da ACSP

Karina Lignelli
31/Ago/2020
  • btn-whatsapp

Aos poucos, a economia começa a ensaiar uma retomada. Exemplo disso é a recuperação gradual da confiança do consumidor, que em agosto chegou a 83 pontos ante 79 em julho, segundo o Índice Nacional de Confiança (INC) da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), medido pela Behup.

Mesmo ainda no campo pessimista, o indicador voltou a patamares pré-pandemia.  

Predisposição maior ao consumo engatilhada pelo e-commerce, início da operação do PIX, que vai permitir transações financeiras instantâneas (inclusive em lojas), e os juros no menor patamar histórico são alguns fatores que devem ajudar a manter o nível de atividade do varejo e da economia em geral. 

A análise, apresentada durante reunião mensal on-line do Comitê de Avaliação de Conjuntura da ACSP, realizada na última quinta-feira (27/08), reforça que, mesmo que seja impossível encerrar o ano em crescimento, esses fatores, juntos, devem ajudar a minimizar as perdas.

LEIA MAIS:  Efeitos negativos da crise da covid-19 na economia estão diminuindo

A nova perspectiva, que contraria projeções de queda mais acentuada no desenrolar da crise, já beneficia setores como a indústria, que apesar de não ter recuperado perdas, tem melhorado seus indicadores. 

Com queda de 17,5% na atividade no segundo trimestre, na comparação com o trimestre anterior, a indústria teve uma recuperação de 17,8% em maio e junho. "Foi razoável, mas não suficiente para cobrir as perdas, já que junho ficou 9% menor que o ano passado", disse um empresário industrial presente à reunião. 

Os nomes dos participantes da reunião de conjuntura da ACSP não são divulgados a pedido da entidade.

O empresário lembrou, porém, que a recuperação foi resultado de um ajuste extremamente rápido das indústrias, que pegaram a crise com pouco estoque. As medidas de isolamento relaxadas também foram importantes nessa melhora de maio para frente, assim como o efeito do Auxílio Emergencial sobre a renda. 

"Se pegarmos toda a massa de salário, o Auxílio representou 17% do total. Foram 30 milhões de lares beneficiados, ou 44% de todos os domicílios - um peso importante nessa puxada que estamos assistindo."  

LEIA MAIS:  Sem investimento público, não há crescimento econômico

Mas, apesar da sinalização positiva de crescimento na produção de automóveis, ônibus e caminhões, e do desempenho positivo dos segmentos farmacêutico (13%) e de alimentos (8%), muitos segmentos ainda apresentam resultados ruins, como confecções e calçados, que caíram 45% com a crise. 

Por isso, ainda não dá para comemorar, lembrou um economista que participou do encontro. "O 2º semestre vai ter prejuízo e quedas recordes. Mas, apesar das incertezas políticas e da pandemia, o cenário não é mais tão pessimista quanto antes." 

COM UM EMPURRÃO DO AUXÍLIO EMERGENCIAL

Enquanto a maioria dos setores amargaram perdas recordes, o e-commerce foi um dos que mais faturaram na pandemia. Ele deve encerrar 2020 com 12% de participação no varejo brasileiro, de acordo com um especialista em comércio eletrônico presente à reunião de conjuntura da ACSP. 

Puxado por categorias que mostram novos hábitos de compra on-line, como supermercados, limpeza, medicamentos, beleza e cuidados pessoais, saúde, artigos para o lar e produtos para pets, o setor faturou R$ 39 bilhões no 1º trimestre - uma alta de 47% ante igual período do ano passado, segundo a Ebit|Nielsen. 

As mudanças também aceleraram a integração de varejistas ao ambiente virtual - principalmente dos que tiveram que fechar as lojas durante a quarentena. Por esse motivo é que o e-commerce brasileiro, que demorou 20 anos para chegar a 6% de participação no varejo restrito, dobrará neste ano, disse o especialista. 

Ele citou também dados da consultoria A.T.Kearney, que estimam que o faturamento do setor chegue a R$ 111 bilhões, crescendo 49% ante 2019, e que mais R$ 69 bilhões de 'dinheiro novo' cheguem a esse mercado até 2024. "Esse consumidor com novos hábitos que foi bem-sucedido não vai parar de comprar no e-commerce." 

LEIA MAIS:  Entenda como a pandemia impulsionou o atacado da construção

Já no varejo físico, o movimento decresceu com o fechamento do comércio, e em ruas como Augusta e Haddock Lobo, onde há vários espaços com placas de aluga-se, lembrou um consultor de varejo presente à reunião. "Já o comércio mais popular, que continua com movimento significativo, tem levado vantagem." 

Ele cita o exemplo dos Estados Unidos, onde gigantes como a Amazon têm alugado espaços vazios de lojas de rua e shoppings para oferecerem serviço de entrega em até duas horas. Segundo o consultor, porém, no Brasil isso ainda não acontece, e as lojas de pequenos varejistas estão vagando, principalmente em shoppings.

Um estudo da CNC mostra que o varejo fechou 135 mil lojas no segundo trimestre. 

Mas há empreendedores de shoppings criando marketplaces e fazendo parcerias com empresas de logística para estimular a venda de pequenos lojistas do seu mix ou até de fora dele. Ou varejistas usando sellers para atender aos novos hábitos do consumidor - iniciativas que sinalizam boas perspectivas para o setor.

Para os empresários presentes à reunião, o Auxílio Emergencial, mesmo se reduzido, "continuará a colocar gasolina na economia e fará com que ela continue rodando."  

FOTO: Thinkstock

 

 

Indicadores Econômicos

Fator de Reajuste

ÍNDICE
Mai
Jun
Jul
IGP-M
1,1072
1,1070
1,1008
IGP-DI
1,1056
1,1112
1,0913
IPCA
1,1173
1,1189
--
IPC-Fipe
1,1227
1,1169
1,1073

Indicadores de crédito Boa Vista

Índice
Abr
Mai
Jun
Demanda por crédito
-4,3%
-2,1%
-1,9%
Pedidos de falência
--
--
--
Movimento do comércio
1,1%
1,5%
-0,8%
Inadimplência do consumidor
5,0%
7,5%
-0,6%
Recuperação de crédito
1,8%
-5,6%
2,4%
mais índices

Vídeos

Tarcísio de Freitas participa de ciclo de debates promovido pela ACSP

Tarcísio de Freitas participa de ciclo de debates promovido pela ACSP

Felipe d’Avila, do Novo, foi sabatinado por empresários na ACSP

Márcio França fala em fim da ‘tiriricação’ da política

Colunistas