Eletrobrás equivocada

A privatização, que parece consenso na sociedade, esbarra nos privilégios concedidos, que deturpam a livre concorrência e a busca da qualidade com produtividade

Aristóteles Drummond
24/Jun/2021
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O Brasil sempre teve no seu setor elétrico uma referência de qualidade técnica e operacional. Os melhores quadros do país estão presentes no segmento, que tem sido há mais de meio século a base do desenvolvimento nacional. E compensava o alto custo Brasil, com tarifas abaixo da média dos países desenvolvidos.

O governo Sarney, Collor e Itamar terminaram com o que vinha sendo feito desde o período militar pela Eletrobrás em seus programas plurianuais, do tempo de seus dirigentes de alta referência como Mário Bhering, Costa Cavalcanti, José Marcondes de Brito, Camilo Penna, Eliseu Rezende, José Luiz Alquéres, Mario Santos, César Cals e José Antônio Muniz Lopes. Isso só para citar alguns.

As usinas da era PT – com projetos problemáticos e custos elevados, como Santo Antônio e Jirau e Belo Monte, este uma grande iniciativa deformada pela ideologia –, hoje, são focos de problemas para o setor. Além dessas, ainda há a usina inútil de Serra da Mesa, cujo reservatório raramente ultrapassa 25% de sua capacidade.

A privatização, que parece consenso na sociedade, esbarra nos privilégios concedidos, que deturpam a livre concorrência e a busca da qualidade com produtividade. Temos ainda, depois de dois anos de governo com propósitos liberais e correto no trato da questão ambiental e das reservas indígenas, obras significativas paradas, como o caso do linhão Manaus-Boavista, por inaceitáveis restrições indígenas. E outras de baixo custo, como Cotingo, sem projeto previsto, apesar de já referido pelo presidente da República.

A privatização por Medida Provisória foi um erro; as emendas apresentadas na Câmara, absurdas; os riscos de um fracasso são imensos.

Tudo seria mais fácil com pragmatismo e simplicidade. José Luiz Alquéres, ex-presidente da empresa, da Light, estudioso do assunto, já apontou para a fórmula rápida e segura da venda de controladas, como seria o caso de Furnas, que, pelo valor de venda, resolveria a questão das dívidas da holding. Indicou também a necessidade de uma gestão mais eficiente e a preservação da presença estatal por mais uns anos de consolidação no setor, que passa por fase de transição pelos avanços na tecnologia solar, eólica, fotovoltaica etc. E aproveitamentos  ainda atraentes  na hidroeletricidade. O programa nuclear cercado de silencio e afogado em despesas com sua paralisação.

O risco de encarecer o custo da energia, com os enxertos feitos, coloca em risco a estabilidade da economia. Afinal, a sociedade está no limite do que pode pagar pela energia elétrica. E por outras formas, como combustíveis, ainda sob forte presença estatal. E política.

Pobre setor elétrico!

**As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do Diário do Comércio

 

 

 

 

 

 

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