Cresce a demanda por locação de brinquedos e itens infantis

Nova geração de pais adepta do consumo compartilhado faz aumentar a abertura de lojas do ramo. Proposta é reduzir gastos com produtos que serão pouco usados, além de poupar espaço dentro de casa

Cibele Gandolpho
16/Nov/2023
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Cresce a demanda por locação de brinquedos e itens infantis

Economia, praticidade e variedade. Essas são algumas das propostas que as lojas de aluguel de brinquedos e itens para bebês proporcionam aos pais em um mercado em que o custo desse tipo de produto é bastante elevado no Brasil.

Nos últimos dois anos, os preços dos brinquedos subiram em torno de 25%, sendo a maior elevação em 2022, segundo levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Os principais motivos são a inflação e a alta do dólar no período, já que a maioria dos brinquedos tem as peças importadas e montadas localmente. 

Uma mesa de atividades pode chegar a R$ 1 mil, um andador varia entre R$ 300 e R$ 700, um cadeirão de alimentação é vendido em torno de R$ 680 e um carrinho elétrico gira em torno de R$ 5 mil. Para um efeito de comparação, a locação do mesmo carrinho por uma semana custa, em média, R$ 60.

Além dos gastos, há outros motivos que levam os pais a procurar a locação de acessórios e brinquedos. O alto custo para investir em produtos que terão pouco tempo de uso, a falta de espaço em casa para guardar tanta coisa que os bebês e as crianças necessitam e ainda a necessidade de viajar para uma cidade e precisar dos itens localmente são as razões pelas quais tem crescido a demanda por locação no setor.

COMPARTILHAMENTO

Um ponto que também reforça essa prática é que temos uma geração de pais atualmente que teve uma mudança de comportamento em relação aos responsáveis de outras gerações. 

São pais que têm um interesse menor em comprar de fato os produtos, pois estão muito inseridos na economia do compartilhamento. 

“Eles têm mais clareza de que o objetivo não é possuir o produto, mas sim obter os benefícios que ele traz”, comenta Ana Clara Facchinato, fundadora do O Baú do Bebê, um dos principais players deste mercado no país.

O consultor de varejo William Seni concorda: “hoje as culturas de reciclagem e compartilhamento estão muito mais inseridas na sociedade, tanto para produtos como brinquedos quanto roupas. Se vê a democratização dos brechós infantis como prova disso. O mesmo pode ser muito válido para brinquedos, que têm um custo alto e o tempo de uso é muito pequeno, conforme as crianças vão crescendo.”

FRANQUIAS

No entanto, a locação de brinquedos não é novidade no mercado brasileiro. A modalidade tem se reinventado. Em 2010, surgiu o pioneiro Clube do Brinquedo, que já não existe mais. De lá para cá, muitas marcas apareceram. 

A maior concentração de lojas ainda permanece no modelo de vendas on-line. Mas, recentemente, a Cresci e Perdi - uma das maiores franquias de vendas de roupas e calçados usados infantis - entrou neste mercado e promete agitar o setor. A rede tem mais de 500 lojas em 351 cidades do Brasil e atua no setor de economia circular infantil desde 2014. 

Saulo Alves, COO da empresa, conta como a marca identificou essa oportunidade dentro das lojas. “Atuamos com revenda de roupas e calçados e, assim como esses itens, os brinquedos também são substituídos com facilidade conforme as crianças crescem. Então, decidimos diversificar e investir também neste segmento e temos registrado bons resultados”, afirma.

A maioria das lojas funciona de forma similar: os produtos são oferecidos no site, o cliente escolhe um plano que pode ser semanal, mensal ou, dependendo de alguns produtos, diário. Há cadeiras para carro, bebê-conforto, cadeirão de alimentação, babá eletrônica, carrinhos eletrônicos, mesas de atividades, bonecas, berços portáteis, jumper, balanços e diversos tipos de brinquedos para crianças de todas as idades. Os pagamentos podem ser feitos em cartões de crédito ou de débito, Pix, transferência e boleto bancário.

LEIA MAIS: Franquias de brechós infantis surgem como boa oportunidade de negócio

A loja O Baú do Bebê foi criada em 2017 de uma forma totalmente manual, com planilhas feitas à mão. Mas, em 2021, no meio da pandemia, o negócio cresceu. “Investimos em tecnologia e crescemos muito, a ponto de nos tornarmos uma das principais lojas do setor”, conta a fundadora Ana Clara.

Segundo a empresária, há dois grupos principais de produtos mais procurados. O primeiro são itens do dia-a-dia, como bercinhos e balanças automáticas. 

“Esses são os produtos que os bebês usam por pouco tempo, pois se desenvolvem muito rapidamente. Por isso, não vale a pena comprar. Além deles, temos como um segundo grupo os produtos de viagens, como carrinhos, cadeirinhas para carro e berços portáteis. Os pais precisam viajar e levar ou então recebem a família que mora longe e locam conosco”, revela Ana Clara.

O fato é que, inicialmente, os pais e mães são atraídos para o aluguel pela economia, mas logo esse deixa de ser o  motivo principal, que passa a ser a facilidade e a variedade. 

Na O Baú do Bebê, eles recebem a indicação dos produtos certos para cada fase de desenvolvimento do bebê, ficam com cada um desses itens só pelo tempo necessário e quando o bebê passar para a próxima etapa, recebem o próximo produto. “Tudo isso por um custo bem menor e sem o estresse de tomar decisões de compra mais complexas. Então, acabamos conquistando clientes recorrentes”, ressalta Ana Clara.

Outra facilidade é que, no site, o cliente pode ver o período médio que cada produto ficou com quem já o alugou. Isso facilita as decisões de novos clientes.

EXPERIÊNCIA PRÓPRIA

Foi a partir de quando se tornou mãe que Denise Della Nina, sócia da loja Okipoki, começou a pensar em abrir a empresa, há quase 10 anos. “Eu queria comprar tudo o que via para a minha filha, mas era tudo muito caro e ela usaria por pouco tempo. Assim, pensei que se tivesse uma forma de alugar e compartilhar esses objetos, outras mães também iriam se interessar”, conta.

Os itens mais alugados na Okipoki são jumperoos, andadores e itens para bebês de 6 a 18 meses. Lá, os motivos da locação são semelhantes às demais empresas: variedade, itens importados no catálogo e o alto valor de compra. “Para brinquedos que atendem a crianças maiores, o acúmulo é o principal motivo da locação.

Denise ainda tem uma clientela que demanda por conta de viagens. “Sempre tem uma família que os avós vêm passar uns dias e precisam de uma cadeirinha para o carro, por exemplo, ou alguém que vai viajar e precisa levar um berço portátil”, diz.

A Okipoki também oferece outros serviços que fazem parte do mundo infantil e que solucionam problemas dos pais, como a higienização e a assistência técnica de itens infantis, como cadeira de carro, bebê conforto e carrinho de bebê.

LINHA FESTA

Além dos tradicionais brinquedos e itens, há algumas lojas do setor que também investem em locação de produtos para festas, com contratos de apenas um dia, como piscinas de bolinhas, pula-pula e escorregas.

É o caso da Mamãe Conforto, criada em 2017. “Muitos clientes alugam para uma necessidade pontual. Temos uma boa demanda por festas no salão do prédio, por exemplo, para aniversários, batizados ou almoço em família. Nossa procura por itens para viagens também é considerável”, revela a sócia fundadora Camila Luque Nylander.

“Quando o cliente coloca na ponta do lápis, percebe que a economia vale a pena. O preço de alugar um carrinho elétrico no shopping por 20 minutos chega muito perto do valor que locamos o mesmo produto, porém, com a vantagem do cliente poder ficar com o item por uma semana”, conta Camila. 

Com planos diversos, a Mamãe Conforto atende à capital paulista, cidades do ABC, Osasco, Guarulhos e Alphaville e, além da linha festa, também oferece uma grande variedade de brinquedos e demais itens para o uso do dia-a-dia de bebês e crianças.

CUSTO EM DOBRO

Foi pensando na economia que teria em vez de comprar tudo em dobro que a bancária Laís Siqueira, mãe de dois meninos gêmeos de 2 anos, se tornou cliente de lojas de locação de brinquedos.

“Quando fiz a conta, percebi que seria melhor alugar porque eles iam usar as coisas por poucos meses. Aluguei bercinhos portáteis para deixá-los no meu quarto, perto da cama, quando eram recém-nascidos, babá eletrônica, andadores, entre outros brinquedinhos menores. Além da economia, eu pude deixar de acumular tanta coisa porque moro em um apartamento pequeno. Já usaram e devolvi”, conta Laís.

Agora as crianças estão na fase das mesas de atividades e brinquedos com sons, que são bem caros para comprar. “Eu alugo por dois meses e depois troco por coisas novas para eles experimentarem. Tem sido bem útil e fácil. Alugo pelo site e recebo em casa. Atualmente, estou com dois triciclos aqui em casa.”

SERVIÇO

O Baú do Bebê - www.obaudobebe.com.br  e (11) 95779-3058, (11) 4200-7787

Okipoki - https://okipoki.com.br e (11) 97057-5059

Cresci e Perdi - https://crescieperdi.com.br e (11) 94353-8000 (SAC)

Mamãe Conforto -  www.mamaeconforto.com e (11) 94168-5599

 

IMAGEM: Cresci e Perdi/divulgação

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