Conheça Facundo Guerra, o empreendedor serial da noite
Dono e sócio de badaladas casas noturnas, como o Vegas, no Baixo Augusta, ele agora planeja apostar no mercado carioca
Ele é argentino, nascido em Córdoba, mas radicado no Brasil desde 1976. “E mais brasileiro do que você, gata, pois sou brasileiro por opção”, disse ele, ao ouvir o comentário de uma moça da plateia de que não era brasileiro e sim argentino.
Facundo é o que antigamente costumava-se denominar de “O Rei da noite”. Ao ser apresentado desta maneira no primeiro Festival de Cultura Empreendedora, fez questão de dizer que nem gosta da noite e que, incrível, “não bebo”.
Ele gosta mesmo é de ser chamado de empreendedor. Gosta tanto que até escreveu um livro sobre o tema, intitulado Empreendedorismo para Subversivos”, lançado recentemente pela Editora Planeta.
Apontado como um dos cem empreendedores mais influentes do mundo, Facundo conta na obra sua trajetória profissional até decidir largar tudo para abrir um negócio próprio.
Ele não planejou ser empreendedor. Estava muito bem como funcionário de uma multinacional americana, onde, segundo conta, trabalhava com “pessoas maravilhosas, tinha todos os benefícios que o mundo corporativo costuma oferecer, tais como vales refeição e de alimentação, plano de saúde, férias, 13° salário e salário mensal de R$ 10 mil”.
Um dia perdeu o emprego como qualquer mortal. Pegou o dinheiro que ganhou e investiu na sociedade de uma confecção de roupas. O negócio não prosperou. Ao contrário, faliu. Ele ficou sem 80% do dinheiro que havia recebido como indenização.
Foi quando surgiu a oportunidade de se tornar sócio de uma boate na Rua Augusta, no centro de São Paulo.
A casa noturna fica bem ao lado de hotéis mal frequentados e inferninhos. É o Vegas, sempre com DJs internacionais, e com uma frequência democrática, que acomoda todas as tribos.
Facundo Guerra não parou mais. Em seguida, inaugurou espaços descolados como o Z Carniceria, Volt, Arcos, Drive-in e Mirante Nove de Julho. Tempos depois, abriu o Lions, na Av. Brigadeiro Luís Antônio, também na região central.
Aos 37 anos, diz que até hoje não se sente bem na noite. Não confirma, mas estima-se que fature mensalmente cerca de R$ 40 mil com seus negócios. Avisa que não tem carro. “Só motos”. Sim, no plural.
Gosta de motos antigas. Tem uma Honda Dominator 1952, uma Norton Commando, 1971 e uma Triumph bonneville, 1969. Mora com o avô materno, que vende balas de côco no centro, em uma casa no bairro do Pacaembu.
Empreendedor serial, planeja continuar investindo em diversão noturna. A próxima atração será a boate Yatch, na Bela Vista, voltada para o público gay. Outro negócio próximo será uma casa de shows na Liberdade.
Também está nos planos de Facundo apostar na noite carioca, onde vai inaugurar em breve a casa noturna Pan Am, que tem como inspiração a conhecida (e já desaparecida) companhia aérea americana, que começou a operar na década de 1920.
Se o “Rei da noite” é um apelido que não lhe cai bem, Facundo Guerra fica feliz ao ser chamado de o empreendedor “que repagina bares e pontos históricos de São Paulo”.
Foi dele a ideia de repaginar o Mirante da Nove de Julho, espaço muito frequentado por jovens, principalmente nos finais de semana.
Formado em jornalismo internacional e político pela Pontifícia Universidade Católica (PUC), filho da classe média baixa, segundo ele próprio, conta que nasceu na Argentina porque o pai e o avô foram para lá para se refugirar do regime militar (1964-1985) no Brasil.
“Sofri muito em casa com as histórias de tortura que o meu pai e meu avô sofreram nas mãos dos militares”, disse durante a palestra. “Fui criado para obedecer. Quando falavam que deveria ter meu próprio negócio eu ficava arrepiado”, recorda.
Relembra que o pai dizia a ele quando era criança que não deixaria riquezas como heranças: “A única coisa que vou te deixar são os estudos”.
Facundo estudou em colégios de elite “sempre com meia bolsa”, afirma. Foi aluno dos colégios Bandeirantes, Mackenzie e Mauá.
Foi aconselhado pelo pai a cursar engenharia de alimentos. “As máquinas vão alimentar os homens”, dizia o pai. Chegou a frequentar o curso de engenharia, mas desistiu logo. “Fui fazer engenharia a contragosto”. Concluiu o curso de jornalismo, mas jamais exerceu a profissão.
FESTIVAL
Tecnologia, empreendedorismo e arte. Foi essa a proposta do conteúdo do primeiro Festival de Cultura Empreendedora, realizado por iniciativa das revistas da Editora Globo e do jornal Valor Econômico no CO.W. Coworking Space, um galpão industrial todo reformulado, localizado na Zona Sul da cidade.
O evento reuniu jovens fundadores de startups, diplomatas de vários países, investidores, artistas e empreendedores do Brasil e exterior.
Luciano Huck, apresentador da Rede Globo, investidor e empreendedor, foi um dos palestrantes. Ele foi a maior atração na abordagem do tema “Luz, Câmera, Ação”, na Arena Grandes Ideias.
Claro, Huck, atraiu ouvintes interessados em sua história de vida. E nem poderia ser diferente, pois é apresentador na emissora de televisão de maior audiência do país, comandando um programa, “Caldeirão do Huck”, de muita repercussão nas tardes de sábado.
Mas dezenas de jovens empreendedores (as) e candidatos (as) a terem seu próprio negócio fizeram questão de irem ao evento para escutar o que tinha a dizer o jovem Facundo Guerra.
FOTO: Ricardo Cardoso/Divulgação