Comércio paulistano terá 2º pior Natal desde o início do Plano Real

Apesar de ter perdido intensidade, a queda média das vendas na 1ª quinzena de dezembro foi de 7,2% ante igual período de 2015, segundo a ACSP

Karina Lignelli
16/Dez/2016
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Comércio paulistano terá 2º pior Natal desde o início do Plano Real

A praticamente uma semana para o Natal, o comportamento das vendas no comércio paulistano na primeira quinzena de dezembro sinalizam que o resultado do mês será fraco, mas ainda melhor do que o registrado no ano anterior, de acordo com o Balanço de Vendas da Associação Comercial de São Paulo (ACSP).

Nos primeiros quinze dias de dezembro, o movimento total de vendas à vista e parceladas registrou queda média de 7,2%, na comparação com igual intervalo de 2015.  

Na comparação interanual, as vendas a prazo caíram 4,6% e as operações à vista registraram recuo maior, de 9,8%, provavelmente devido ao tempo chuvoso e às temperaturas amenas. 

“Isso desestimulou as vendas de roupas e calçados da coleção primavera-verão”, afirma Emílio Alfieri, economista da ACSP.

A variação negativa desse período ainda foi melhor do que a registrada no mesmo período de 2015, quando as vendas recuaram, em média, 18,9%. Desta forma, o Natal desse ano deve ser o segundo pior desde o início do Plano Real. 

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Faltando apenas uma semana para o Natal, é pouco provável que os números mudem significativamente, diz Alencar Burti, presidente da ACSP e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp). 

“Contudo, isso vai depender muito de como o consumidor vai usar o 13º salário e do quanto a Black Friday impactou as vendas de fim de ano em termos de antecipação”, completa. 

Um levantamento da ACSP e do Instituto Ipsos realizada em outubro apontou que 22,5% dos brasileiros não tinham planos definidos sobre o fazer com a primeira parcela do 13º. Já em novembro, um novo levantamento mostrou que essa incerteza havia caído para 17,9%. 

Ou seja, a projeção negativa pode diminuir. “Os números ainda não são definitivos, então a expectativa do comércio é que os indecisos mudem de ideia”, afirma Emílio Alfieri. 

Se observado apenas o resultado da quinzena de dezembro sobre o mesmo período de novembro, o mês até que começou positivo: o varejo paulistano cresceu em média 28,6%, com altas de 22,5% no movimento de vendas a prazo, e de 34,6% nas operações à vista. 

O resultado, que é sazonal, se justifica pelas compras típicas de fim de ano, segundo Alfieri. Apesar desse repique comum nas vendas de fim de ano, o economista lembra que o resultado foi ligeiramente menor que a média histórica para o período dos anos anteriores, de avanço entre 30% e 40%.  

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NO ANO QUE VEM

No acumulado de 2016, as vendas do comércio paulistano registraram recuo médio de 8,8% (de 1º de janeiro até os quinze primeiros dias de dezembro, na comparação com igual período de 2015). 

As quedas foram de 5,1% nas vendas a prazo, e de 12,5% nas operações à vista. Em 2015 a queda média foi de 8,8%. 

LEIA MAIS: Comércio: volume de vendas recuou em outubro 

A poucos dias do fim de 2016, é possível que o ano tenha o pior resultado dos últimos 22 anos, por conta das crises política e econômica que afetaram o país com mais intensidade no primeiro semestre. 

Ou seja, o arrefecimento das quedas nos últimos meses não foi suficiente para salvar o ano, de acordo com Alencar Burti. 

“Acreditávamos que, com o impeachment, haveria estabilização da economia e rápida retomada da atividade. Contudo, isso não ocorreu. A recuperação se mostra muito mais lenta e gradual do que o esperado”, afirma. 

A perspectiva para 2017, segundo Burti, é que o varejo finalmente cresça. “Mas isso só será possível se o Banco Central intensificar o ciclo de queda dos juros, o que, aliás, já deveria ter sido feito.”

 

 

Foto: Fátima Fernandes

 

 

 

 

 

 

Indicadores Econômicos

Fator de Reajuste

ÍNDICE
Mai
Jun
Jul
IGP-M
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1,1070
1,1008
IGP-DI
1,1056
1,1112
1,0913
IPCA
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1,1189
1,1007
IPC-Fipe
1,1227
1,1169
1,1073

Indicadores de crédito Boa Vista

Índice
Abr
Mai
Jun
Demanda por crédito
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-2,1%
-1,9%
Pedidos de falência
--
--
--
Movimento do comércio
1,1%
1,5%
-0,8%
Inadimplência do consumidor
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7,5%
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Recuperação de crédito
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-5,6%
2,4%
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