Com valor do aluguel comercial estável, é hora de renegociar

A flexibilização oferece melhores chances de rever os contratos. Com a loja pronta para reabrir, fica mais fácil negociar com o proprietário

Karina Lignelli
03/Ago/2020
  • btn-whatsapp

Levantamento do IBGE divulgado na segunda quinzena de julho mostra que 99% das empresas fechadas desde o início da crise provocada pela epidemia do novo coronavírus eram pequenos negócios. Mas, para quem sobreviveu até agora, a estabilidade nos preços de locação pode facilitar a renegociação de contratos.

A tentativa pode dar um fôlego extra nos próximos meses. Pelo índice Fipe-Zap, em junho o preço médio para locação registrou ligeira alta de 0,2% ante igual período de 2019. O comportamento dos preços de salas e conjuntos comerciais de até 200 m² ficou abaixo da inflação medida pelo IPCA, que foi de 0,26%.  

LEIA MAIS:  Sem acesso ao Pronampe, lojistas liquidam para manter os negócios

No acumulado dos últimos 12 meses, a queda nos preços de salas e conjuntos comerciais foi de 0,57%. O valor médio do metro quadrado ficou em R$ 37,48/m2 na locação, sendo que, em São Paulo, ficou em 43,70/m².

Já a rentabilidade do aluguel comercial, que ficou em 5,46% ao ano, superou a do residencial, de 4,85%.  

Vários fatores apontam para essa estabilidade, segundo Deborah Seabra, economista do Grupo ZAP. Um deles são os descontos ou baixas de preço de aluguel concedidos durante a pandemia via renegociação. 

"São 'combinados' feitos por fora do mercado, por proprietários que não estão anunciando, mas que preferiram renegociar para não cancelarem contratos", afirma.  

Outro movimento que justifica a estabilidade, segundo Deborah, é que muitos empresários entregaram os pontos pois precisaram fechar. Com mais imóveis comerciais à disposição, e baixa demanda, a pressão nos preços diminui. "Porém, a procura não caiu o suficiente para os preços caírem junto", explica. 

Daí a tendência de os preços se estabilizarem.

O QUE FAZER

Renegociar contratos de locação em período de flexibilização do comércio sem dúvida é uma boa opção, segundo Deborah Seabra, tanto pela chance de negociar mais fácil como pelo preço ligeiramente mais barato. 

Porém, é uma decisão que deve ser tomada mais pensando no futuro do que no agora, como, por exemplo, se o empresário conseguiu se proteger na crise, teve acesso a crédito, e pretende reinventar o negócio, alugando um espaço para delivery, por exemplo. "Se ele sair da crise, tende até a pegar uma fatia maior na retomada." 

Mas é preciso ficar atento a alguns detalhes importantes, já que tudo depende da pandemia, da vacina e da reabertura engrenar. Sem contar que o processo de devolução de imóveis locados não terminou. 

"Ninguém espera uma retomada super rápida. E se no atual cenário eu reabrir e depois precisar fechar de novo? Assim, haverá uma nova onda de empresas que não vão aguentar", destaca. 

LEIA MAIS:  Aluguel comercial atrasado: quais os riscos e como proceder?

Como primeira dica, a economista orienta proteger o capital, e não pensar em renegociar ou até expandir - como alugar um espaço menor - se a empresa não está em boa situação financeira nesse momento.

Depois, vale falar com o proprietário do imóvel, nesse momento em que todo mundo está fazendo o mesmo. Mas é preciso prestar atenção nas condições: com a loja ainda fechada, fica mais fácil renegociar o contrato. 

"Mas, se o estabelecimento já abriu, não consegue. Mesmo se tiver alguma previsão de retorno", afirma. 

A economista também orienta a colocar na ponta do lápis as condições de reabertura - e que vão além do preço do aluguel, como a adaptação às normas sanitárias, reposição de estoque e o retorno dos funcionários. 

"Não vale a pena se o custo de abrir é maior do que ficar fechado. Nesse momento, a palavra é cautela: mantenha o fluxo de caixa, mas fique de olho nas oportunidades", conclui.  

LEIA MAIS: Lojistas entregam os pontos e aluguel cai no Bom Retiro  

FOTO: Fátima Fernandes 

 

 

Indicadores Econômicos

Fator de Reajuste

ÍNDICE
Mai
Jun
Jul
IGP-M
1,1072
1,1070
1,1008
IGP-DI
1,1056
1,1112
1,0913
IPCA
1,1173
1,1189
1,1007
IPC-Fipe
1,1227
1,1169
1,1073

Indicadores de crédito Boa Vista

Índice
Abr
Mai
Jun
Demanda por crédito
-4,3%
-2,1%
-1,9%
Pedidos de falência
--
--
--
Movimento do comércio
1,1%
1,5%
-0,8%
Inadimplência do consumidor
5,0%
7,5%
-0,6%
Recuperação de crédito
1,8%
-5,6%
2,4%
mais índices

Vídeos

Tarcísio de Freitas participa de ciclo de debates promovido pela ACSP

Tarcísio de Freitas participa de ciclo de debates promovido pela ACSP

Felipe d’Avila, do Novo, foi sabatinado por empresários na ACSP

Márcio França fala em fim da ‘tiriricação’ da política

Colunistas