Cidades inteligentes não precisam ser tecnológicas

Tema foi debatido no Conselho de Política Urbana (CPU) da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). Para especialistas, cidades inteligentes são aquelas que têm as pessoas como centro das discussões

Mariana Missiaggia
03/Nov/2021
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Cidades inteligentes não precisam ser tecnológicas

Diante de muitos desafios práticos, regulatórios e conceituais, a ideia de smart city - ou cidades inteligentes - deve percorrer um longo caminho até chegar a seu ideal. Enquanto o universo acadêmico e especialistas debatem e trabalham esse conceito, governantes correm em busca desse título, tendo como premissa a aquisição de tecnologia. Mas não deveria ser assim.

Pesquisador do tema, Wilson Levy, advogado e doutor em direito urbanístico e diretor do PPG em cidades inteligentes e sustentáveis da Uninove, diz que a despeito do imaginário popular, reduzir o conceito de cidades inteligentes a um catálogo tecnológico apenas aproxima esse objetivo de um vitrinismo comercial muito distante dos elementos realmente necessários para se criar uma cidade que funcione de forma inteligente.

Na última quinta-feira (28/10), o especialista falou sobre o assunto durante reunião do Conselho de Política Urbana (CPU), Núcleo de Estudos Urbanos (NEU) e Núcleo de Estudos Socioambientais (NESA) da Associação Comercial de São Paulo (ACSP).

Segundo o especialista, bons sistemas de saúde, transporte, saneamento básico, acessibilidade ao mercado de trabalho e serviços são bases para as smart cities, e podem ser alcançadas sem aplicativos ou centrais de comando. "Os governantes insistem em acreditar na compra de tecnologia como solução e reclassificação. Cidades inteligentes não precisam ser tecnológicas", disse Levy.

Tendo todas as demandas mapeadas é mais fácil entender o que toda essa tecnologia pode trazer na prática para melhorar a qualidade de vida das cidades. 

De acordo com projeções da ONU, 68% da população mundial viverá em áreas urbanas até 2050. Entretanto, a discussão sobre o tema ainda é precária e cheia de vieses, na opinião de Levy. Torná-la mais atraente ao cidadão comum, que em geral é quem mais sofre com as dificuldades da urbanização, e incorporar uma reflexão crítica pode ajudar a disseminar melhor o impacto das decisões públicas no cotidiano.

Para Elias de Souza, advogado, sócio da Deloitte no Brasil e professor convidado da Escola Politécnica da USP, as cidades inteligentes devem contar com parcerias colaborativas que proponham soluções unificadas para o trabalho, a escola, a saúde e o lazer dos habitantes.

No cenário internacional, o especialista citou a Índia, que concentra investimentos em âmbito nacional em oito áreas prioritárias, além de oferecer programa de incentivo às cidades inteligentes e disponibilizar tecnologias voltadas a digitalização do governo.

“Smart cities são aquelas que têm as pessoas como centro das discussões. É aquela que pensa de que forma a tecnologia pode contribuir e entregar serviços mais eficientes para o cidadão", diz Souza.

Em sua visão, há várias tentativas de cidades inteligentes pelo mundo, como o conceito de "cidade de 15 minutos", da prefeitura de Paris, que pretende acabar com a necessidade de carros ao organizar as estruturas urbanas a uma distância possível de se acessar caminhando. Entre as iniciativas estão a construção de escritórios em bairros onde há escassez de trabalho, transformação de estacionamentos ociosos em florestas urbanas e o incentivo ao uso de bicicletas.

No Brasil, Levy e Souza são unânimes ao dizer que a dificuldade de executar propostas inovadoras como a de Paris é atribuída ao poder público - altamente burocrático e com processos antigos de licitação sem foco na população. 

Além disso, Levy indica que tal como está, a cidade induz um determinado padrão de interação social que impossibilita ou dificulta outras formas de relação. "As relações não surgem na cidade, mas sim por causa da cidade. E essa relação de causa e efeito tem enorme significado, pois desloca para a urbanização um papel ativo nos grandes acontecimentos do mundo."

Ao expor essa situação, Levy e Souza destacam algumas características de uma cidade inteligente: incentivo à mobilidade eficiente e sustentável, novas tecnologias para melhorar a vida da população, áreas urbanas de convivência, inovação nos serviços públicos, menor desperdício nas mais diversas esferas e incentivo ao desenvolvimento urbano com foco no cidadão.

 

FOTO:Freepik

 

 

 

 

 

 

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