BTG vê Simandou como pouco relevante para precificação do minério de ferro e reitera compra

São Paulo, 20 de janeiro de 2026 – A China recebeu seu primeiro carregamento de minério de ferroda mina de Simandou, na Guiné, marcando um marco no esforço de Pequim para diversificar ofornecimento de minério de ferro, reduzindo a dependência da Austrália e do Brasil, que juntosrepresentam cerca de 80% das importações chinesas, destaca o BTG Pactual, em relatório. Aanálise destaca que um navio transportando quase 200 toneladas de minério de alta qualidade (65 Fe) chegou ao porto de Majishan, em Zhejiang, em 17 de janeiro, após uma viagem de 46 dias,segundo a produtora de aço China Baowu. Um segundo carregamento partiu da Guiné no final dedezembro, reforçando o bom momento inicial das exportações.
Segundo o BTG, a mina de Simandou foi projetada para produzir até 120 milhões de toneladas por ano(após 2023) em quatro blocos de mineração e conta com o apoio de um consórcio que inclui a RioTinto, a Chalco e a Winning Consortium Simandou, com a China Baowu detendo uma participaçãoacionária importante. A importância estratégica do projeto foi destacada pela presença dovice-primeiro-ministro Liu Guozhong em sua inauguração em novembro, enquanto os esforços maisamplos da China para fortalecer o poder de negociação incluem a criação do China MineralResources Group em 2022 para centralizar a compra de minério de ferro.
Diante destes fatos, os analistas do BTG reiteram sua visão sobre Simandou como “um eventopraticamente irrelevante para a precificação do minério de ferro em 2026”. “Juntamente com osconsultores que seguimos, reduzimos nossas projeções de volume para Simandou devido aos crescentesdesafios logísticos e operacionais, incluindo atrasos na entrega da infraestrutura, disputas depropriedade e legais e a complexidade de construir e operar uma ferrovia de mais de 600 km e umporto de águas profundas. Essas restrições já se representaram em capacidade ferroviárialimitada, gargalos portuários, escassez de equipamentos e atrasos nas primeiras cargas.”
Nesse contexto, o BTG calcula que o aumento da oferta de Simandou em 2026 agora é esperado emapenas cerca de 15 a 16 milhões de toneladas, ou aproximadamente 1% do mercado marítimo, o queimplica um impacto muito limitado nos preços a curto prazo. “Em nossa opinião, Simandou se tornaum excesso de oferta mais relevante mais adiante, a partir de 2027, à medida que os volumesaumentam de forma mais significativa, mas para 2026 não deve alterar materialmente o equilíbrioentre oferta e demanda.”
Diante dessas conclusões, o BTG Pactual reitera as recomendações de compra para a ação da Vale(VALE3) e a neutralidade para a ação da CSN Mineração (CMIN3).
Cynara Escobar – [email protected] (Safras News)
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