Após 7 anos, tragédia de Brumadinho será examinada na Justiça

26/Jan/2026
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Após 7 anos, tragédia de Brumadinho será examinada na Justiça

São Paulo, 26 de janeiro de 2026 – Sete anos após o rompimento da barragem de rejeitos da MinaCórrego do Feijão, em Brumadinho, na região metropolitana de Belo Horizonte (MG), abre-sepossibilidade de que 15 pessoas respondam pelo acidente na Justiça. Dia 23 de fevereiro começam asaudiências de instrução na 2 Vara Federal Criminal da Subseção Judiciária de Belo Horizonte.Até maio de 2027, vítimas não letais, testemunhas e réus serão ouvidos.

O acidente ou tragédia-crime, como classifica a Associação dos Familiares de Vítimas e Atingidospelo Rompimento da Barragem da Mina Córrego do Feijão (AVABRUM), ocorreu por volta de 12h30 do dia25 de janeiro de 2019. Duzentas e setenta e duas pessoas foram mortas. Passados 2.557 dias nestedomingo, ninguém foi responsabilizado criminalmente pelo ocorrido.

Ao final do extenso prazo de audiências, a juíza federal Raquel Vasconcelos Alves de Lima poderádecidir levar o caso para julgamento em júri popular. Quinze pessoas poderão ser responsabilizadascriminalmente. Onze são ex-diretores, gerentes e engenheiros da Vale, privatizada em 1997, e quatrosão empregados da TÜV SÜD, empresa multinacional de capital alemão, contratada para monitorar eatestar a qualidade da barragem que rompeu.

Para a jornalista Cristina Serra, autora do livro ‘Tragédia em Mariana: A história do maiordesastre ambiental do Brasil’ (editora Record), é possível associar o caso de Brumadinho comoutros episódios de graves acidentes e consequências ambientais. Entre eles o rompimento dabarragem de Mariana (MG) em novembro de 2015 controlada pela Samarco Mineração S.A. (da Vale S.A.e BHP Billiton); e o afundamento do solo em Maceió (AL), desde fevereiro de 2018, por causa daexploração de minas de sal-gema pela mineradora brasileira Braskem. Nos três casos até o momentonão há nenhum responsável punido criminalmente.

Também entrevistada no programa “Natureza Viva”, Cristina Serra lembra que são três incidentesrelacionados a empresas de mineração e que operam com muita irresponsabilidade, sem levar em contaaspectos essenciais da segurança. Para ela, as companhias não investem tanto na segurança daoperação, como deveriam, porque querem, claro, sempre aumentar a sua margem de lucro.

A jornalista ainda assinala outra ponta dessa história que juntas são responsáveis por essestipos de desastres: órgãos públicos de fiscalização, tanto os órgãos estaduais quanto emnível federal, não exercem de fato seu papel.

Não vão in loco ver o que está acontecendo. Tanto a fiscalização quanto os processos delicenciamento são processos burocráticos que dependem de muita papelada. Documentos que asempresas mandam e que os órgãos de fiscalização simplesmente aceitam como se aquela informaçãoestivesse correta.

Cristina Serra apresenta na TV Brasil, junto com os jornalistas Jamil Chade e Yan Boechat, oprograma Brasil no Mundo. No ar aos domingos, às 19h30.

Outro lado

Procurada pela Agência Brasil, a Vale diz que não comenta a ação contra a empresa que está emtramitação judicial, mas enumerou as ações de reparação que estão sendo feitas na região. Aempresa destaca que “avança na reparação dos impactos do rompimento em Brumadinho, com aexecução econômica, até dezembro de 2025, de 81% do Acordo Judicial de Reparação Integral ecom investimentos que vão além das indenizações”. As ações incluem a recuperaçãosocioambiental, a garantia de abastecimento hídrico e iniciativas para diversificação econômicada região. A empresa diz ainda que, paralelamente, investe na segurança de suas barragens.

Já a Samarco, responsável pela barragem que se rompeu em Mariana, em 2015, respondeu em nota quereafirma sua solidariedade às pessoas, comunidades e territórios impactados. Com a assinatura doNovo Acordo do Rio Doce, em 2024, a Samarco passou a assumir diretamente a responsabilidade pelacondução das ações de reparação e compensação. A empresa afirma que segue cumprindointegralmente o Acordo e mantém o compromisso com a reparação definitiva.

Segundo a Samarco, ao longo desse período, “milhares de pessoas foram indenizadas, novos distritosconstruídos e entregues às comunidades, e ações relevantes de recuperação ambiental continuamsendo executadas nos estados de Minas Gerais e do Espírito Santo”, diz a nota.

A TÜV SÜD, holding alemã cuja filial no Brasil foi contratada para avaliar a barragem, diz emnota que o rompimento da barragem em Brumadinho “foi uma grande tragédia e manifestamos nossasolidariedade às vítimas e seus familiares”. Contudo, a TÜV SÜD declara ainda que não temresponsabilidade legal pelo rompimento da barragem.

Segundo a companhia, que a emissão das declarações de estabilidade foi legítima e emconformidade com a legislação aplicável e padrões técnicos e a barragem estava estável nomomento das declarações de estabilidade.

Memória

No último domingo (25), a Avabrum promoveu ato dedicado à memória das 272 pessoas mortas pelatragédia da barragem de rejeitos da Mina Córrego do Feijão, no Letreiro de Brumadinho, na entradada cidade.

As informações são da Agência Brasil

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