"A demanda dormente por produtos de consumo leva tempo"

José Carlos Brega, presidente da subsidiária brasileira da Whirlpool, dona das marcas Brastemp e Consul, diz que a participação do país no faturamento da corporação americana caiu de 30% em 2013 para atuais 17%

Estadão Conteúdo
08/Fev/2017
  • btn-whatsapp
"A demanda dormente por produtos de consumo leva tempo"

Depois da queda 10% nas quantidades vendidas de fogões, geladeiras e lavadoras em 2016, que atingiram o menor nível em seis anos, o mercado de eletrodomésticos da linha branca deve se estabilizar este ano, segundo João Carlos Brega, presidente da Whirlpool para América Latina, líder no País com as marcas Brastemp e Cônsul.

Tanto em número de funcionários como em volume de estoques, ele diz que a empresa está ajustada ao ritmo mais fraco da economia. A prova disso é que a Whirlpool como um todo não planeja férias coletivas para o carnaval, como ocorreu nos dois últimos anos.

Brega acredita que a economia deve bater no piso neste trimestre e voltará a crescer só a partir do segundo semestre de 2018. No momento, ele se diz otimista, mas com os pés no chão. "A economia está assim: sarou? Não, mas parou de doer." A seguir, os principais trechos da entrevista.

Como o sr. avalia o momento atual da economia brasileira?

Não temos dúvida de que a economia como um todo bateu no piso, tocou o chão no primeiro trimestre de 2017. Se a economia fosse representada por um ônibus e cada setor por um passageiro, eu diria que o ônibus brecou, mas alguns passageiros (setores) vão continuar caindo mais. No entanto, como um todo, batemos no piso.

O que deve acontecer daqui para frente?

Daqui até o segundo semestre de 2018, na nossa opinião, vai parar de piorar. O crescimento virá a partir do segundo semestre de 2018.

O governo vai liberar os recursos das contas inativas do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e os juros básicos (Selic) foram reduzidos. Isso pode puxar o crescimento?

Não. Isso ratifica que a economia vai parar de piorar. O desemprego, que é uma variável muito importante, hoje está muito alto e ainda deve ter uma pequena piora antes de se estabilizar.

Esses recursos do FGTS, num primeiro momento, serão usados para conter a inadimplência, para a pessoa comer e suprir as prioridades. Essa demanda dormente por produtos de consumo vai vir quando tiver a recuperação da confiança e isso leva tempo.

Mas insisto: o governo está fazendo as coisas certas. Houve reversão nas expectativas de inflação, o gasto desenfreado do governo será reduzido, começamos uma discussão madura de atualização e modernização da legislação trabalhista e já se fala em medidas microeconômicas O governo tem uma série de objetivos que foram atingidos. Mas, pela nossa ansiedade, acabamos não vendo esses progressos.

Como foram as vendas em 2016 e neste início de ano?

O mercado de linha branca caiu 10% em 2016, mas a nossa queda foi menor do que 10%, nós ganhamos mercado. Não tenho o número fechado de janeiro para falar. Há indicações de que este janeiro não foi melhor do que o ano passado, mas também não foi um desastre. O ano de 2017 terá crescimento praticamente zero para o mercado de linha branca.

A empresa está ajustada para esse menor ritmo da economia?

Estamos ajustados para o cenário que a gente espera para até 2018. Isso não significa que não estejamos atentos ao custo e muito restritivos na contratação. O funcionário que sai não é necessariamente reposto. Tínhamos cerca de 22 mil trabalhadores em 2013 e hoje estamos com 18 mil funcionários.

Ao longo desses anos, o ajuste foi feito por meio do turnover natural. Hoje, de forma coletiva, não existe parada planejada da produção no carnaval de 2017. Nos últimos dois anos paramos no carnaval.

O fato de não darmos férias coletivas neste carnaval mostra que estamos com estoques ajustados. Em termos relativos a empresa está muito bem: liderança de mercado consolidada e linha de produtos atualizada. O que a gente precisa é a parte quantitativa.

O Brasil perdeu participação no faturamento global da empresa?

Sim. Éramos 30% em 2013 e hoje (2016) somos 17% (As vendas líquidas da corporação no mundo somaram US$ 20,7 bilhões entre janeiro e setembro do ano passado ante US$ 20,9 bilhões no mesmo período de 2015).

E os investimentos?

Podemos crescer sem necessidade de investimento em capacidade. Mas não paramos de investir em produto e marca, entre 3% e 4% do faturamento. Estamos inaugurando a Casa Brastemp, que é um espaço para o consumidor experimentar os produtos. Esse projeto está olhando para frente.

Temos a foto e o filme. A foto hoje não está legal. Mas o País continua com 200 milhões de habitantes. O nosso consumidor continua lá. Há demanda por reposição e demanda planejada. Com a crise isso foi adiado.

A Eletros (associação da indústria de eletroeletrônicos) fala em redução permanente do Imposto sobre Produtos Industrializados ( IPI) para a linha branca. O sr. Concorda?

Tudo em relação ao IPI deve ser permanente. O que a Whirlpool pleiteia sempre é a redução da carga tributária. Fogão e lava-roupas são bens essenciais. Como se pode ter uma alíquota de 10% sobre um bem essencial? Houve em uma determinada época estímulos pontuais que talvez tenham cumprido o seu papel naquele instante.

A lição aprendida pela sociedade e pelo próprio governo é que estímulos pontuais são válidos quando a economia está organizada. Estimular o consumo sem estar preparado é voo de galinha.

FOTO: Estadão Conteúdo

 

 

 

 

 

 

Indicadores Econômicos

Fator de Reajuste

ÍNDICE
Mai
Jun
Jul
IGP-M
1,1072
1,1070
1,1008
IGP-DI
1,1056
1,1112
1,0913
IPCA
1,1173
1,1189
1,1007
IPC-Fipe
1,1227
1,1169
1,1073

Indicadores de crédito Boa Vista

Índice
Abr
Mai
Jun
Demanda por crédito
-4,3%
-2,1%
-1,9%
Pedidos de falência
--
--
--
Movimento do comércio
1,1%
1,5%
-0,8%
Inadimplência do consumidor
5,0%
7,5%
-0,6%
Recuperação de crédito
1,8%
-5,6%
2,4%
mais índices

Vídeos

Tarcísio de Freitas participa de ciclo de debates promovido pela ACSP

Tarcísio de Freitas participa de ciclo de debates promovido pela ACSP

Felipe d’Avila, do Novo, foi sabatinado por empresários na ACSP

Márcio França fala em fim da ‘tiriricação’ da política

Colunistas