3tentos é a principal escolha do Itaú BBA em cenário com poucos gatilhos para ações do setor

São Paulo, 23 de janeiro de 2026 – O Itaú BBA voltou a reforçar a recomendação da 3tentos comoprincipal escolha na cobertura agrícola, na edição do relatório Monitor Agrícola divulgadanesta sexta-feira, com os principais pontos que o banco considera úteis para monitorar ações deCulturas e Açúcar e Etanol sob sua cobertura. O banco tem uma visão estruturalmente otimista parao agronegócio brasileiro, mas está mais seletivo, com preferência em grãos ao segmento dealimentos e bebidas, embora reconheça a falta de gatilhos de curto prazo na maior parte do setoragroindustrial. Nestes setores, o Itaú BBA tem recomendação de compra para SLC Agrícola (SLCE3),3tentos (TTEN3), Vittia (VTT3) e São Martinho (SMTO3), com preços-alvo para o ano de 2026 de R$23,00, R$ 20,00, R$ 7,00 e R$ 31,00; e neutra para Brasilagro (AGRO3) e Boa Safra (SOJA3), a R$24,00 e R$ 10,00.
Em Culturas, o Itaú destaca os dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), querevisou para cima sua previsão para a safra de soja brasileira de 2025/26, para 178 milhões detoneladas (de 175 milhões de toneladas em relação ao mês anterior), impulsionada por condiçõesclimáticas favoráveis nas regiões Centro-Oeste e Sul, que elevaram as expectativas deprodutividade. Essa perspectiva de oferta mais construtiva aumentou a relação estoque/consumoglobal em 40 pontos-base em relação ao mês anterior, pressionando os preços da soja em Chicago,atualmente cotados a cerca de US$ 10,5 por bushel.
No caso do milho, o banco destaca que as revisões para cima maiores do que o esperado na produçãodos EUA e da China levaram a um aumento de 4,2% nos estoques globais em relação ao mês anterior,resultando em uma queda de 6% nos preços durante a semana.
Em contrapartida, os preços do algodão reagiram positivamente, impulsionados principalmente poruma revisão para baixo nas estimativas de produção indiana, combinada com uma projeção de maiorconsumo chinês, levando a uma redução de 2% nos estoques globais esperados em relação ao mêsanterior.
Apesar dessas revisões de curto prazo, o Itaú BBA aponta que a perspectiva estrutural para osgrãos permanece inalterada, sugerindo um ambiente contínuo de preços de commodities comprimidos.Além disso, conflitos geopolíticos recentes podem pressionar os preços da ureia e aumentar osriscos relacionados a possíveis desenvolvimentos tarifários dos EUA, o que poderia afetarnegativamente a dinâmica das margens dos produtores no futuro.
A análise também destaca a previsão divulgada pela Associação Nacional dos Exportadores deCereais (Anec) no início do mês de que a exportação de soja brasileira para a China deve caircerca de 10 milhões de toneladas em 2026 em relação a 2025 devido à concorrência dos EstadosUnidos, que no ano passado enfrentaram problemas para vender aos chineses por conta da disputatarifária. A queda reflete uma normalização nas relações comerciais EUA-China, que deveredirecionar as exportações para outros destinos.
Por outro lado, os recentes desdobramentos em torno do acordo comercial UE-Mercosul podemimpulsionar a demanda por soja brasileira, embora ainda existam incertezas relacionadas àimplementação do EUDR, prevista para o final de 2026, acrescenta o Itaú BBA. Além disso, oacordo pode incentivar o setor agroindustrial brasileiro, aumentando a demanda por produtos de valoragregado, como farelo e óleo de soja, reforçando o forte posicionamento da 3tentos para sebeneficiar da tendência de descarbonização em curso.
No segmento de esmagamento de soja, as margens melhoraram em relação ao trimestre anterior no 4ºtrimestre de 2025, impulsionadas principalmente pela recuperação dos preços do farelo de soja,enquanto os preços do biodiesel permaneceram resilientes.
Em Açúcar e etanol, o Itaú BBA avaliou os dados mais recentes da UNICA, que mostraram que amoagem de cana-de-açúcar na região Centro-Sul do Brasil já atingiu cerca de 600 milhões detoneladas, quase igualando as 605 milhões de toneladas projetadas para a safra completa de 2025/26.Durante a safra, a produtividade e os níveis de TRS (sólidos totais de açúcar) superiores aoesperado levaram a revisões para cima na produção brasileira de açúcar, o que pressionou ospreços globais do açúcar, atualmente cotados a cerca de US$ 0,15/lb.
Olhando para o futuro, o banco avalia que os preços do açúcar podem apresentar uma recuperaçãomodesta, embora o potencial de alta permaneça limitado pela forte produção dos principaisprodutores, com qualquer recuperação potencialmente amplificada pelo significativo posicionamentovendido de fundos de hedge na commodity.
Embora não seja nosso cenário base, a persistência do El Niño pode impactar negativamente aprodução indiana e fornecer algum suporte aos preços, escrevem os analistas.
Em relação ao etanol, os preços subiram 5% no 4º trimestre de 2025, impulsionados principalmentepor fatores sazonais associados ao período de entressafra. No entanto, a dinâmica futura sugerepossíveis dificuldades, já que a oferta de etanol deve aumentar no próximo ciclo de safra. Essaexpansão é sustentada por volumes de moagem de cana-de-açúcar maiores em comparação com o anoanterior e por uma composição de produção cada vez mais voltada para o etanol, ainda maisimpulsionada por um aumento previsto de 13% na produção de etanol de milho.
Além disso, um cenário de preços mais baixos da gasolina no Brasil pode enfraquecer a paridadeetanol-gasolina, pressionando ainda mais os preços do etanol.
Por outro lado, o acordo comercial UE-Mercosul pode representar um fator positivo para os produtoresbrasileiros, uma vez que o acordo melhora o acesso ao mercado por meio da introdução de cotastarifárias, reduzindo ou eliminando as taxas de importação da UE, anteriormente proibitivas,avalia o Itaú BBA.
Em um contexto de aumento da oferta de etanol tanto de cana-de-açúcar quanto de milho, aliado a umambiente de preços comprimidos para o açúcar, esse desenvolvimento oferece uma importanteoportunidade para absorver volumes excedentes e diversificar os destinos de exportação, conclui obanco, em seu relatório a clientes.
Cynara Escobar – [email protected] (Safras News)
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