Opinião

A imprensa que embrulha. Ou a pobreza de nosso jornalismo “progressista”


Não se vê a arrogante tentativa de doutrinação das estrelas do jornalismo profissional, mas a crua expressão de opiniões antagônicas dos cidadãos


  Por Jorge Maranhão 14 de Julho de 2020 às 08:22

  | Mestre em filosofia pela UFRJ, dirige o Instituto de Cultura de Cidadania A Voz do Cidadão e autor de "Destorcer o Brasil. De sua cultura de torções, contorções e distorções barroquistas"


Antigamente os jornais eram de papel. Tinham ao menos uma serventia secundária, ou até mesma prioritária para os cadernos que não nos interessavam, de se usar para embrulho de compras e para a exímia arte de empacotar ou forrar as caixas de objetos frágeis.

Serviam também para limpar as sujeiras da vida, forrar o piso para os respingos das pinturas, aquecer o interior dos
sapatos, como mochas de acender lareiras, ou para isolar frestas de janelas, calçar mesas ou revestir gavetas. Hoje, nem para isso servem pois são apenas flatos do mundo digital.

Malcheirosos lero-leros ou blá-blá-blá! Lixo discurseiro de ativistas disfarçados de jornalistas contorcionistas da
realidade. Deixam apenas o mau cheiro da mentira na tentativa malograda de enganar as mentes dos leitores. O que, afinal de contas não deixa de ser embrulhar! Não como empacotar que para algo sempre servia, mas como ludibriar que apenas retarda a hora da verdade!

Neste mês dois amigos socialdemocratas, daqueles que se acham centrados entre as extremas esquerda e direita, me
enviaram dois editoriais de dois jornalistas baixando a lenha no presidente da república.

Um deles, Pedro Dória, que também ocupa cargos nos maiores jornais do país, com mais veemência, grava comentários diários para seu canal nas redes sociais pregando o impeachment do presidente. Veja aqui.

E outro, João Moreira Salles, mais suave, através de editoriais de sua revista mensal Piauí, também fazendo a sua parte para desconstruir a imagem pública do presidente. Veja aqui

No entanto, o Instituto Paraná Pesquisas ouviu 2.390 pessoas na semana passada para definir quem tem mais credibilidade entre Bolsonaro e o mais influente jornalista brasileiro, William Bonner, o principal âncora da poderosa Rede Globo, que comanda os ataques diários ao presidente e... deu Bolsonaro.

O chefe do Executivo tem a confiança de 37,9% contra 32,6% do editor-chefe do Jornal Nacional. Esta é a esquizofrenia que vivemos no fantástico mundo novo das fake news. O que não dá para entender é como os herdeiros de Dr. Roberto, deixam seus jornalistas destruírem a credibilidade do maior grupo de comunicação do país que seu pai levou a vida inteira para construir.

Nas redes sociais é exatamente o contrário do que pensa o nosso Supremo Jeitinho aparelhado pelo esquerdismo. A credibilidade é instantânea pois vem da total diversidade de visões e o checking é imediato, pelo menos em mais de cem canais que acompanho – por que mais não dou conta - muitos dos quais com seguidores na casa dos milhões.

Não se vê a arrogante tentativa de doutrinação das estrelas do jornalismo profissional, mas a crua expressão de opiniões antagônicas dos cidadãos, sem aquele ar enganador e arrogante de doutrinadores dos ideais humanistas, os donos da virtude moral e dos bons costumes.

Pois bem: nossos jornalistas têm muito a perder em credibilidade diante da maioria dos cidadãos que elegeram o presidente quando este tem sido apenas fiel a seus eleitores. E não apenas jornalistas, mas todos os segmentos sociais que, organizados em corporações sindicais e guildas, compõem o establishment que parasita e mama nas tetas do estado tomado pelos esquerdistas nas últimas décadas.

Dando os nomes aos bois: empresários corruptos, bancadas parlamentares assaltantes do tesouro aliadas aos partidos esquerdistas minoritários, membros das altas cortes de justiça indicados por políticos corruptos, alta burocracia estatal com suas acintosas privilegiaturas, ongueiros globalistas, ambientalistas e ativistas de direitos “dos manos”, intelectuais esquerdistas aboletados em cátedras universitárias, banqueiros oligopolistas rentistas parasitas da dívida pública, ativistas do abortismo, da destruição da família e das minorias de gênero, artistas do showbiz viciados em incentivos fiscais, todos ecoados pelos jornalistas militantes do esquerdismo, todos unidos para
achincalhar diuturnamente o presidente eleito.

Mas nenhum desses grupos sequer reconhece os dois compromissos fundamentais da política do presidente, enaltecidos pelos segmentos de seus apoiadores, a maioria conservadora da população brasileira, religiosa e trabalhadora, de ruralistas a pequenos agricultores, corporações militares e de segurança pública, ativistas anti-corrupção, além do que chamam com menosprezo de “a ala ideológica” que são na verdade milhões de jovens seguidores do pensador Olavo de Carvalho.

Ninguém mais rouba há quase dois anos no plano da administração federal e, apesar dos choques da pandemia e da
retração econômica, os escassos recursos públicos são direcionados prioritariamente para os mais vulneráveis.

Mas para estes jornalistas enviesados, o que é essencial é encoberto pelo que é acessório: o presidente é grosso, pavio-curto, insensível, simpático às milícias e até mesmo genocida. O que se trata evidentemente de uma desonestidade intelectual emoral a toda prova: trocar o essencial pelo acessório, como é próprio da resiliente cultura barroquista na qual estamos todos atolados há mais de três séculos.

Somos incapazes, enquanto elites formadoras de opinião, de manter um mínimo compromisso com a razoabilidade e o bom senso no debate público. Incapazes de inaugurar uma era de iluminismo, enfim, pelo coração encharcado de barroquismo.

Quando estes sofismas das esquerdas veganas são velhos conhecidos: identificar a direita como extrema direita para se legitimar como centro e sempre entronizar a esquerda no poder, estratégia das tesouras entre esquerdistas socialdemocratas e socialistas desavergonhados, isolando como “extrema” direita a legítima e inaudita aliança entre conservadores e social-liberais no Brasil.

Não podendo enfrentar com argumentos o discurso conservador de um Olavo de Carvalho, que começou a romper com a hegemonia esquerdista das elites nacionais exatamente aqui neste Diário de Comércio de São Paulo, na década de 90, se apegam às figuras retóricas mais gastas do esquerdismo barroquista de sempre: a hipérbole, a farsa, o ataque pessoal, a judicialização da política, a troca do todo pela parte, a generalização, o paradoxo da ironia e da inversão de papéis.

Alguém duvida? Acessem os artigos e comentários citados acima dos dois jornalistas e tentem achar algo que não seja mero achincalhe à pessoa do presidente, numa clara demonstração de total desapreço à maioria dos cidadãos eleitores brasileiros.

Depois enviem este artigo para algum desses veículos da grande e arrogante mídia profissional e vejam se sai alguma mísera nota a propósito. Pois para ela, simplesmente não existe a grande maioria dos cidadãos eleitores brasileiros e seu sagrado direito de ser conservadora.

**As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do Diário do Comércio