Negócios

Zaeli planeja abertura de 100 franquias em São Paulo


Indústria paranaense de alimentos busca pequenos empreendedores na região metropolitana e capital paulista para expandir no comércio. Preferência é por famílias que já possuem ponto comercial


  Por Italo Rufino 26 de Janeiro de 2018 às 08:00

  | Repórter isrufino@dcomercio.com.br


Um objetivo audacioso. Assim pode ser sintetizado o plano de expansão que a Zaeli, indústria paranaense de alimentos, desejar implementar no varejo paulista ao longo de 2018.

Recentemente, a empresa, que produz mais de 350 itens, de arroz e feijão a achocolatado e sucos verdes, anunciou que planeja abrir 100 franquias na região metropolitana de São Paulo.

“Podemos atender até 20 milhões de consumidores com as novas lojas”, afirma Valdemir Zago, presidente da Zaeli.

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Agora, a Zaeli está em busca de franqueados. E o perfil ideal são empreendedores interessados em criar um pequeno negócio familiar, sob a bandeira da marca, num ponto com muito movimento comercial.

Pequenos comerciantes que já possuem lojas de alimentos e mercadinhos também são bem-vindos. Neste caso, será necessário reformular a loja para conversão de marca.

VALDEMIR ZAGO, DA ZAELI: 20 MILHÕES
DE PESSOAS PODERÃO SER ATENDIDAS

A ideia é atrair empreendedores que conheçam bem as particularidades dos consumidores locais.

Além de vender para o consumidor final na loja física, os franqueados da Zaeli também poderão oferecer mais três tipos de atendimento.

No modelo food service, o foco será outras empresas, como hotéis, restaurantes, bares e hospitais.

Também haverá a venda por atacado, com embalagens econômicas. Por último, o modelo de loja virtual, em que os pedidos serão direcionados de acordo com a área geográfica de atuação de cada franquia.

De acordo com a Zaeli, os custos iniciais da franquia envolverão reforma do imóvel (cerca de R$ 100 mil), equipamentos (cerca de R$ 50 mil) e investimento em marketing de inauguração (R$ 5 mil). A previsão de faturamento é de R$ 150 mil por mês, com margem média de 15%.

A Zaeli também oferecerá aos primeiros franqueados isenção nas taxas de franquia e royalties. Os estoques iniciais também serão financiados pela indústria.

Ao mesmo tempo, de acordo com Zago, o atendimento aos 40 mil pontos de venda ativos hoje, grande parte no Sul e Nordeste, não sofrerá mudanças.

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SEM INTERMEDIÁRIOS

A estratégia agressiva tem a ver com a urgência de vender em São Paulo, o maior mercado do país. A empresa possui atuação nacional e que investe pesado em mídia, com anúncios em programas de TV, como os de Ana Maria Braga, Raul Gil, Gugu e Ratinho, e patrocínio de jogos da seleção brasileira de futebol. No entanto, nos últimos anos, a Zaeli teve dificuldade de chegar à casa do consumidor paulista.

O entrave foi a distribuição. Entre 2015 e 2016, a empresa fornecia para pequenos estabelecimentos comerciais e um grande atacadista da capital. No entanto, com a recessão, as compras minguaram. O cliente atacadista entrou numa crise. No início de 2017, não resistiu ao baque e fechou sete lojas no Estado.

Com ruptura no ponto de venda e alto volume de anúncios em mídia de massa, o consumidor, mesmo querendo comprar, poderia não encontrar os produtos nas prateleiras.

INDÚSTRIA DESENVOLVE 35O PRODUTOS

A entrega nas lojas também era deficitária. Os caminhões da Zaeli saiam da fábrica, em Umuarama, no inteior do Paraná, e muitas vezes tinham que passar horas esperando para realizar as entregas nos horários determinados pelas lojas.

“Com as franquias, vamos realizar entregas noturnas para não afetar a movimentação das lojas”, afirma Zago.

Nos últimos anos, grandes indústrias passaram a atuar no varejo, como Samsung e Bauducco. É a busca por retirar o poder dos intermediários. Com venda direta, também é possível aumentar as margens. 

Outra a vantagem para a indústria é ter acesso aos hábitos de compra no ponto de venda – o que é valioso devido os dados poderem ser usados para aprimoramento e criação de produtos.

Essa não será a primeira incursão da Zaeli no varejo. Fundada em 1969, a marca nasceu como uma pequena loja de alimentos a granel. Entre 1984 e 1989, voltou a atuar no comércio, com lojas em 27 cidades do Paraná. No entanto, a operação foi encerrada devido a hiperinflação, que corroía o lucro das lojas. Hoje, a marca mantém uma loja própria, anexa a fábrica.

“A nossa inspiração para abrir franquias foi a nossa própria história”, afirma Zago. “Seremos bem aceitos.”

IMAGEM: Thinkstock