Negócios

Wise Up mantém receita com 420 escolas fechadas


Desde o anúncio do início da quarentena, a rede habilitou seus franqueados a comercializarem o produto Wise Up Online, de aulas de inglês 100% pela internet, lançado em outubro de 2019


  Por Mariana Missiaggia 22 de Julho de 2020 às 13:20

  | Repórter mserrain@dcomercio.com.br


Assim como a ciência se empenha na descoberta de uma solução para a pandemia do novo coronavírus, muitos empresários anseiam por uma fórmula mágica capaz de salvar negócios da ruína.

Expostos a uma infinidade de soluções digitais, que tem ajudado algumas empresas a driblar as medidas de distanciamento e outras a até gerar mais receita durante a pandemia, a tecnologia tomou a frente do varejo e tem gerado uma digitalização em massa para recuperar e gerar vendas.

Entretanto, para o empresário Flavio Augusto, fundador da Wise UP, é o caixa da empresa o protagonista dos casos de sobrevivência dessa quarentena.

“Um trunfo que a maioria não tem. Somos uma empresa estruturada e capitalizada, mas me preocupa quem está na ponta - um franqueado, um pequeno empreendedor, que nem sempre tem caixa para aguentar um mês de crise”, diz.

Conseguindo passar pela crise sem fechar nenhuma escola ou demitir, o empresário diz estar preocupado em apoiar o franqueado. É a primeira vez, em 26 anos, que Flávio administra sua rede de ensino sem aulas presenciais.

FLÁVIO, DA WISE UP, DIZ QUE O CAIXA É O GRANDE
RESPONSÁVEL PELA SOBREVIVÊNCIA DOS NEGÓCIOS

Com as 420 escolas da rede fechadas, a Wise Up conseguiu injetar dinheiro novo na empresa durante a crise. Desde o anúncio do início da quarentena, a rede habilitou seus franqueados a comercializarem o produto Wise Up Online, de aulas de inglês 100% pela internet, lançado em outubro de 2019 e que até então, não era comercializado pelas franquias. O resultado foi uma alta de 400% nas vendas da plataforma desde março.

Além disso, suspendeu a cobrança de royalties por três meses para franqueados. Para a base de alunos matriculados, ofereceu um desconto de 25% nas mensalidades dos cursos presenciais, cinco horas de conteúdo virtual por semana, e reposição total das aulas perdidas no pós-pandemia.

“É necessário ter um plano de contingência e renegociar custos como, por exemplo, pagamento de aluguéis. A abordagem de toda negociação precisa carregar o peso do momento, e agora, o que está em jogo é a sobrevivência”.

Em meio ao caos, o empresário conseguiu encontrar ainda mais espaço no ambiente on-line para crescer. Há pouco mais de um mês, lançou um aplicativo que permite a venda de produtos da empresa em troca de uma comissão. Mais de 50 mil vendedores já se cadastraram.

Admirado no mundo do empreendedorismo, Flavio criou a Wise Up, em 1994 e vinte anos depois, vendeu a empresa por quase R$ 900 milhões, para comprá-la de volta por menos da metade do preço. É também dono de um time de futebol nos Estados Unidos, o Orlando City, avaliado em US$ 600 milhões. Com todos os jogos cancelados e as receitas, de cerca de R$ 7 milhões por jogo, perdidas, o empresário diz manter o encantamento dos torcedores transmitindo reprises de jogos antigos, que têm dado muita audiência.

“É importante pensar que estamos num processo evolutivo que exige adaptação. A dinâmica de mercado vai se transformando e caminhamos para uma vida mais digital”.

Para quem está indeciso com o momento, Flavio aconselha aproveitar para se tornar um empreendedor melhor, sem tomar medidas drásticas e muito arriscadas. Às vésperas da pandemia, a Wise Up estava prestes a se lançar na bolsa – uma novidade que não foi descartada, apenas postergada, segundo o empresário.

 FOTOS: Divulgação





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