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Para não falir, empresário transforma shopping center em hotel


À frente da Cia do Calçado, em Jaú, por 18 anos, Ledo Massoni acumulou perdas durante quatro anos até fechar as portas do empreendimento com mais de 40 lojas


  Por Mariana Missiaggia 25 de Junho de 2016 às 07:00

  | Repórter mserrain@dcomercio.com.br


O fechamento da Cia dos Calçados, um dos primeiros shopping centers de calçados de Jaú, a 240 quilômetros de São Paulo, foi um acontecimento simbólico para a cidade, em 2013.

O que ninguém esperava é que três anos depois, sob a mesma gestão, o estabelecimento voltaria a movimentar a economia local, com uma nova vocação: o Galeria Hotel. 

A notícia do fim de um empreendimento com 18 anos de operação, 40 lojas especializadas, e mais de 100 funcionários, parecia anunciar o clima de recessão que o comércio sofreria nos anos a seguir.

Desde 2008, o empresário Ledo Mazzei Massoni Filho, 60 anos, tentava driblar a crise econômica que se refletia diretamente em queda acentuada das vendas. Em meio a tudo isso, a chegada de dois grandes concorrentes na cidade foi a gota d´água. 

FACHADA DA ANTIGA CIA DOS CALÇADOS

“Foi uma decisão difícil. Eu criei a Cia do Calçado, que começou com 16 lojas, cresceu, até beirar a catástrofe. A gente se apega às coisas e começa a por muita emoção no negócio. Lutei como um leão”, diz Massoni Filho. “Era hora de parar antes de comprometer ainda mais os próprios lojistas, que entraram em dívidas para tentar manter a atividade”.

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Além de ter que lidar com a própria frustração, Massoni foi compelido a enfrentar uma movimentação criada pela Prefeitura, para revertar a decisão que trouxe consequências para o município, como o fechamento de pontos de vendas, redução de postos de trabalho e perda da arrecadação do ICMS, entre outros impostos. 

TERRITÓRIO DO CALÇADOS, UM DOS GRANDES CONCORRENTES DA CIA DO CALÇADO

Tudo em vão. O empresário já estava convencido de que as possibilidades do negócio haviam se esgotado. Com um prédio comercial enorme, Massoni cogitou uma infinidade de segmentos para atuar, até mesmo um crematório. 

COMO NÃO PENSEI NISSO ANTES

Ainda sem um rumo definido, Massoni conta que teve sorte ao conhecer Otávio Bauer Filho, seu atual sócio. Na época, Bauer tinha em mãos uma pesquisa do Senac que indicava uma grande carência de leitos na cidade, e a proposta de um sociedade para abertura de um hotel.

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“Não sei como não pensei nisso antes. Estamos numa localização privilegiada, e com um imóvel grande o suficiente”.

Inaugurado no início de junho, o imóvel levou dois anos e meio para ser reformado. Sem revelar o valor investido, Massoni assume que não teve pressa para abrir as portas do novo negócio.  

Além de optar por uma construção sustentável, sua preocupação era formar uma equipe qualificada para conquistar todos os tipos de clientes prospectados pelos sócios.

GALERIA HOTEL ABRIU AS PORTAS, ONDE FUNCIONAVA O ANTIGO SHOPPING

“São 20 funcionários, que sabem exatamente como tudo funciona. Todos estão treinados para atender desde uma ligação, até a realizar o check list, que envolve 60 itens em cada suíte”, diz. 

Diferente do antigo shopping, Massoni não quer mais gerir um negócio dependente de um único setor. De acordo com o empresário, construir um hotel com foco no mundo corporativo exigiria um investimento até menor.

A intenção é captar o público que vai a Jaú atraído pelo comércio segmentado, empresários, e também turistas que visitam fazendas históricas na região, restaurantes tradicionais, na pequena cidade de Pouso Alegre de Baixo, e que não oferece opções de hospedagem.

Com 51 apartamentos, o empreendimento oferece internet de alta velocidade, academia, piscina, sala de reunião, e bar. Em 15 dias de funcionamento, Massoni já comemora a nova empreitada. “A primeira impressão é a que fica, e sei que estamos deixando a melhor”, afirma.   

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