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Empório no centro atrai clientes com preços promocionais


O Datavenia, de Claudinei Santos (foto), vira atração com promoções de artigos importados. A loja funciona onde antes era uma agência do Banco Nacional e ostenta uma obra de arte do pintor Clóvis Graciano


  Por Wladimir Miranda 23 de Outubro de 2017 às 09:30

  | Repórter vmiranda@dcomercio.com.br


No local, já funcionou uma agência do Banco Nacional, que sofreu intervenção do Banco Central e encerrou as atividades em 1995.

Quem entra no estabelecimento, tem a atenção despertada pelo painel “Desembarque dos colonizadores e subida da serra”, do artista plástico Clóvis Graciano, em 1962.

Pintada a óleo e cera virgem, a obra retrata momentos da colonização e fundação de São Paulo.

 

PAINEL DE CLÓVIS GRACIANO NO INTERIOR DA LOJA

Mas é logo na porta que estão os cartazes com as promoções que levam muita gente para dentro da loja. Em tempos de crise, o empório Datavenia, na Rua Senador Paulo Egídio,70, só trabalha com artigos importados. E com preços bem abaixo do mercado.

O sucesso das promoções veio rápido. O Datavenia começou a funcionar nos moldes atuais há quatro meses. Antes, no local funcionava uma franquia da Rede La Rioja.

O pouco tempo de funcionamento, no entanto, não foi um obstáculo. O estabelecimento já desperta o interesse dos clientes.

Muitos deles já não vão à Rua Santa Rosa, na zona cerealista, no Parque D. Pedro, também na região central, e não muito distante dali, em busca de mercadoria mais barata.

O Datavenia preenche totalmente suas necessidades. Claudinei de Almeida Campos, 47 anos, um dos sócios, compra direto de importadores e cerealistas.

“Os importadores têm dificuldades de vender para grandes supermercados, então preferem vender para lojas pequenas como a minha. Importadores e cerealistas têm muita mercadoria que está com a data de validade a vencer. Por exemplo, compramos chocolates, biscoitos, geleias, patês, conservas, todos produtos importados.

Então, vendemos aqui pela metade do preço”, diz Claudinei.

Quem vem do Largo de São Francisco e entra na rua Senador Paulo Egídio percebe os cartazes convidativos: massa italiana a R$ 3,60 o pacote, molho italiano, tomates sem pele, a R$ 1,99, arroz Arbório, especial para fazer risoto, a R$ 7,90 o quilo, chocolate italiano, marca Perugina, a R$ 7,90, geleia importada, argentina, a R$ 5,90 o pote, de 450 gramas.

O nome da casa é uma homenagem à região, pródiga em escritórios de advocacia e vizinha à tradicional Faculdade de Direito do Largo de São Francisco.

Claudinei comprou o estabelecimento de Salvador Issa Gonzalez, cerealista, que comercializava os produtos da La Rioja.

“Dei 24 promissórias para ficar com a loja. O negócio está indo bem, mas tive de resolver tantas questões aqui que atraso todos os meses para fazer os pagamentos”, afirma ele, que tem um sócio, Murilo Lebre Travassos Júnior, e não gosta de falar quanto fatura mensalmente.

O comerciante diz que os cartazes na porta anunciando mercadorias com preços bem abaixo do mercado, são um chamariz e tanto. “O varejista tem de ter um chamariz em seu estabelecimento”, ensina.

Ele não tem do que se queixar também da venda de vinhos.

“Estamos vendendo muito vinho”, festeja. O vinho mais caro da Datavenia é o Lota, chileno, que sai por R$ 1 mil. A próxima tacada de Claudinei será colocar mesinhas na calçada em frente à loja. Disse que já enviou toda a documentação necessária para a prefeitura.

“Com as mesinhas, vamos incrementar a venda de queijos. O cliente vai ficar na mesinha comendo bons sanduíches, frios, acompanhados por um bom vinho. Percebo que as pessoas vêm para cá após o almoço. A ideia é que elas façam suas refeições aqui”, planeja.

Para que o consumidor não se assuste com o preço do vinho, Claudinei lembra que lá tem vinhos a R$ 19,90, “dos bons”.

Claudinei de Almeida Campos, 47 começou como vendedor na zona cerealista em 88.

“Vim para o centro preocupado. Tinha outra impressão do centro. Achava que eu só iria encontrar pessoas drogadas (nóias) aqui. Vim pensando nisto. Me surpreendi. A loja aqui tem quatro meses. É bem melhor do que a que tenho em Moema. Aqui eu pego da classe A à Z, no mesmo ambiente. Estou pensando até em abrir outra no centro. E fechar a de Moema”, afirma Claudinei.

Antes de comprar a loja, Claudinei diz que avaliou o cenário.

“Falavam que a loja só vendia café. Hoje o café diminuiu. E o restante aumentou tudo. Vendo muito vinho, fruta seca. Vinhos e frios com preços de prateleira. A loja diminuiu a venda de café porque tem fila no caixa na hora do pagamento. Estou feliz no centro. A loja atende desembargadores e garis. No mesmo caixa. O gari vem pelas promoções da porta”, conta ele.

Claudinei nasceu e foi criado na Mooca, na Zona Leste de São Paulo. Hoje mora em Moema, na Zona Sul.

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Diz que seu hobby é o trabalho.

“Fico na loja até ás oito da noite. Depois, vou para casa e tomo, todos os dias, uma garrafa de vinho. Gosto do vinho chileno Tarapacá. Às sextas-feiras tomo duas garrafas. E caminho todos os dias no Parque do Ibirapuera”, diz.

Separado, é pai de dois filhos: Lucas, de 16, e Isabela, de 12 anos. Dentro do estabelecimento, as duas lembranças de quando o local era uma agência do Banco Nacional, são o painel de Clóvis Graciano e um cofre, que hoje é usado como depósito de cervejas.

O empório tem muita variedade. São seis mil itens, entre bebidas (vinhos, whiskies, cervejas, proseccos, champanhes, cachaças, licores, sucos e águas).

Há também espaço para os enlatados, azeites, queijos, frios em geral, pastas, massas, patês, geleias, biscoitos, condimentos, castanhas e frutas secas.

O café é bastante concorrido. Mas o cliente tem à disposição frios fatiados, azeitonas, alcaparras, tomates secos e tremoços, por quilo. Para breve há planos de fazer na loja degustações de vinhos e de outros produtos.

FOTO: Wladimir Miranda/Diário do Comércio