Negócios

Como os aplicativos têm transformado o varejo


Assumindo um papel importante do pré ao pós-venda, essas ferramentas são consideradas pelos consumidores facilitadoras da marca, além de trazerem a percepção de preços melhores


  Por Mariana Missiaggia 10 de Novembro de 2021 às 07:00

  | Repórter mserrain@dcomercio.com.br


Imediatistas e sem tempo ou vontade de ir às compras na loja física, os consumidores se acostumaram a comprar em pequenas quantidades, receber produtos em casa e aproveitar promoções personalizadas. O amadurecimento dos hábitos de compra pelos canais digitais fez com que o volume de transações via smartphones ganhasse ainda mais força.

De acordo com um levantamento recente da Internet Media Services (IMS), cada aparelho smartphone no Brasil possui, em média, 16 aplicativos instalados. Esse número coloca o país como o segundo mercado de aplicativos de compras que mais cresce no mundo. 

Além de animadores para o comércio, os dados citados comprovam o poder e o papel dessa ferramenta na transformação do varejo nos últimos anos. Em um bate-papo sobre o assunto, Ana Fritoli, especialista de insights para varejo no Google, e Vinicius Zimmer, líder de apps no Google, confirmam que nesse novo cenário surge mais um desafio para as marcas - manter o interesse do usuário em seus aplicativos.

Assumindo um papel importante do pré ao pós-venda, de acordo com Ana, os aplicativos funcionam bem na hora de explorar os lançamentos, escolher os produtos e montar o carrinho. Eles também se tornam fundamentais no pós-venda, pois tornam as trocas mais fáceis, permitem consultar e acompanhar pedidos e também trazem a percepção de preços melhores.

Outro ponto a favor dessas ferramentas citado pela especialista está relacionado à facilidade, tanto para encontrar os produtos, quanto para fechar a compra, com poucos cliques.

Tudo isso, segundo Zimmer, contribui para uma verdadeira transformação do varejo. A seguir, entenda o que torna essa interação diferente, baseado em perspectivas do Google.

EXPERIÊNCIAS PRÁTICAS

Os aplicativos geram experiências mais práticas, convenientes e rápidas. Comparando os três tipos de canais digitais (aplicativo, site acessado pelo computador e site acessado pelo celular) percebe-se que os aplicativos trazem mais conveniência e mobilidade, diz Ana.

Um aplicativo agrega melhor a vida do usuário - por lá é possível acessar melhor os pedidos e conhecer novidades. O aplicativo, segundo Zimmer, é o símbolo do favoritismo de determinadas lojas, pois pesquisas do Googles mostram que 26% das pessoas querem ter suas marcas favoritas na tela do seu celular.

"O ponto de venda físico sempre foi algo muito essencial, e continua sendo. Mas o celular é possivelmente o lugar onde uma marca mais tem probabilidade de impactar uma pessoa", diz Zimmer.

Segundo o especialista, esse cenário deu origem ao que no Google é chamado de nova prateleira - um lugar premium, onde as marcas querem e devem estar.

Esse é um lugar disputado. Quem nunca instalou um aplicativo, depois o deletou, e instalou um novo no lugar?

Esse lugar tem sido muito disputado pelas marcas e é muito dinâmico para os consumidores. E com a intensificação do comportamento digital, a tendência é que as marcas passem a competir cada vez mais por esse espaço.

E essa corrida, segundo Ana, acontece também em escala global, já que agora as varejistas competem não apenas com seus vizinhos de loja física, mas com lojas de outros países.

APPS DE PROMOÇÃO

É importante destacar que esse aumento de competitividade também alcança o mercado de aplicativos de promoção. "É uma verdadeira corrida pelos apps que está acontecendo aqui no Brasil. Podemos citar exemplos de alguns players internacionais que têm chegado ao país e se tornado cada vez mais relevantes, como é o caso do Shopee e da Shein", diz Zimmer.

Em 2021, ambas já representam 41% dos downloads de apps em seus respectivos segmentos, segundo os dados da App Annie.

Hoje, o Brasil é o grande foco do mercado global de aplicativos, segundo Zimmer. Isso porque o país detém o segundo maior crescimento no varejo on-line mundial, e também pelo fato de ficar atrás apenas da Índia, que tem se tornado um mercado fechado, especialmente para os aplicativos chineses. 

EXEMPLOS SÓLIDOS NO BRASIL

Dois exemplos de grandes varejistas brasileiras evidenciam o crescimento sólido dos aplicativos no país, segundo Ana.

O trabalho que o Magalu está fazendo na promoção do seu aplicativo é um deles. Na Black Friday do ano passado, a empresa montou uma estratégia para conquistar o máximo possível de visitas ao site durante o período, além de tornar o aplicativo um canal protagonista de venda durante a data.

"E eles conseguiram crescer o volume de instalações e colocar o app no máximo de smartphone possíveis", diz. "O resultado que obtiveram foi 287% do crescimento no volume de vendas."

Outro exemplo de destaque é o caso da Casas Bahia. A empresa apostou em estratégias de engajamento com seu aplicativo e na sua base de clientes para aumentar as suas vendas e os usuários ativos do seu app.

Por meio do formato conhecido como App Campaigns for Engagement, conseguiram realizar mais de um milhão de vendas dentro do aplicativo e gerar R$ 1 bilhão em receita. Além disso, terminaram o ano de 2020 como o aplicativo com melhor open rating (taxa de abertura) entre os principais apps de varejo.

APPS ALÉM DA VENDA

Já há também muitos exemplos de aplicativos sendo usado não propriamente para vendas. Eles oferecem conteúdo para o consumidor, e também podem integrar marcas de um mesmo grupo ou serviços que uma varejista oferece, como, por exemplo, serviços financeiros.

"Ou seja, vemos o aplicativo como um ponto importante para a inovação dentro do varejo e dá para ver que ainda tem muita coisa pela frente", diz Ana.

 

FOTO: Freepik






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