Negócios

Checklist: o que ainda dá tempo de fazer para a Black Friday


Apesar da instabilidade relacionada ao emprego, renda e confiança, o evento segue sendo uma oportunidade para aqueles que começam a organizar suas compras de fim de ano


  Por Mariana Missiaggia 26 de Novembro de 2020 às 07:00

  | Repórter mserrain@dcomercio.com.br


Há quem defenda que o poder da Black Friday esteja diminuindo ao longo dos anos. Neste ano, a tese será colocada à prova e para muitos, pode ser reforçada com a pandemia do novo coronavírus. Por outro lado, os consumidores nunca estiveram tão digitais e adaptados a comprar virtualmente. 

Nos Estados Unidos, onde a tradição começou e é considerada um fenômeno, o sucesso da Black Friday dependia exclusivamente do tamanho dos descontos. Agora, o avanço da pandemia deve se tornar um fator decisivo acima de qualquer preço. O país registrou mais de 100 mil novos casos diários nas últimas semanas. 

De fato, a situação é um tanto nebulosa. Os brasileiros atravessam uma crise, com desemprego recorde de 14% no terceiro trimestre deste ano, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Além disso, a pandemia também tem gerado escassez de matéria-prima em diversos setores fazendo os preços subirem.

Há ainda o fato de que mais de 65 milhões de brasileiros receberam o auxílio emergencial, mas tiveram os valores reduzidos pela metade desde setembro. Em geral, o comércio físico ainda funciona com restrições, que limitam a entrada de consumidores a lojas e shoppings. Somado a isso, muita gente ainda tem receio de se aglomerar para fazer compras.

Ainda assim, um levantamento da Boa Vista aponta que a maioria das empresas tem perspectivas positivas com relação as vendas na Black Friday deste ano.

A pesquisa, realizada com 600 representantes dos setores do comércio, serviços e indústria, indica que 66% das empresas acreditam que as vendas da Black Friday em 2020 serão iguais ou superiores às de 2019. No entanto, apesar da maioria otimista, houve uma queda de 20 pontos percentuais na comparação com 2019, quando estes eram 86% do total.

De acordo com o levantamento, as vendas da Black Friday têm uma representatividade de, em média, 5,7% no faturamento anual das empresas. No ano passado, essa média era de 3,7%, indicando uma maior importância da data este ano para os negócios, muito por conta do desempenho fraco nas vendas em datas comemorativas anteriores, afetadas pelas medidas contra a pandemia do novo coronavírus.

Especialistas apontam que apesar da instabilidade relacionada ao emprego, renda e confiança, o evento segue sendo uma oportunidade para aqueles que começam a organizar suas compras de fim de ano com antecedência, especialmente num ano como 2020, e com tanta demanda reprimida.

Enquanto diferentes fatores apontam em direções opostas e tornam difícil qualquer tipo de previsão sobre como o novo coronavírus irá afetar o evento marcado para a próxima sexta-feira (27/11), o importante é ter lojas e todos os canais de vendas preparados para garantir mais segurança aos consumidores. Alguns lojistas já trabalham com as opções de agendamento, drive thru para retirada ou delivery como diferencial.

Descrição de Produtos

Para aqueles que estão exclusivamente no on-line, Rodolfo Faria, gerente de conta-chave da Amazon, destaca a importância de esclarecer todas as dúvidas do consumidor na hora de fechar a compra. “É importante ter a descrição mais esclarecedora possível, a maior quantidade de fotos possíveis e um título bem completo para facilitar a busca do consumidor”, diz. 

SITE DA AMARO AJUDA A CONSUMIDORA A DESCOBRIR SUAS MEDIDAS E TAMANHOS

De forma geral, uma boa descrição de produto precisa atender aos seguintes quesitos: explicar a experiência física e até emocional de comprar o produto, ser clara, responder possíveis dúvidas, preocupações e perguntas comuns sobre o produto, além de incluir avaliações, imagem e vídeo.

Também é importante estar atento às dimensões do produto. Informe detalhadamente as medidas de roupas, calçados, móveis, eletrodomésticos e eletroeletrônicos para que o consumidor tenha segurança ao efetuar a compra.

Além de informar, uma descrição bem detalhada também é importante para ranquear seu produto nas páginas de busca. Portanto, evite a repetição de palavras e utilize palavras-chave importantes e complementares para quem busca seu produto ou serviço.

Parcerias de frete

Para o consultor comercial do SGPweb, Marco Dutra, o frete é fator também decisivo no momento de fechamento de compra on-line.

“Existe ainda um número muito grande de vendedores de e-commerce que não têm contrato com os Correios e a maioria é por falta de informações”, afirma.

Dutra diz que hoje os Correios já oferecem tabelas vantajosas e com descontos de até 29%, dependendo do volume de entregas contratadas, e isso faz toda a diferença no negócio.

"O contrato com os Correios é gratuito, on-line e leva de 15 a 20 minutos para ser feito, e permite que se ofereça a melhor condição de frete para seu cliente. O controle logístico da empresa é muito importante, a gestão de postagem é de suma importância para o sucesso do negócio".

Fale com o cliente

Bruno de Oliveira, fundador do e-commerce na Prática, lembrou da importância da antecipação – avisar o cliente sobre a Black Friday, para que ele coloque a sua marca no planejamento dele.

A estratégia, segundo Oliveira, é aumentar os pontos de contato com o cliente. Vale usar uma notificação de browser, mandar mensagens no celular, criar um grupo de WhatsApp VIP com as promoções da data, um canal no Telegram, usar o remarketing, as redes sociais para então, criar uma jornada de relacionamento com o cliente.

Guilherme Minuzzi, da área de marketing e parcerias da Bling!, lembra que no ano passado o pico de vendas foi entre 2h e 4h da madrugada e às 12h. “Prepare seu e-commerce para esses picos de tráfego”.

Esteja disponível

O consultor e especialista em varejo do Sebrae, Osmar Delquano Jr, lembra que esse ano a tendência virou pendência. Nas palavras do consultor, tudo o que as empresas precisavam fazer nos próximos anos, precisa ser feito agora para atender esse novo mercado.

“O varejo aprendeu que vende em todos os momentos, não existe mais abrir e fechar a loja - e sim estar preparado para atender o cliente 24 horas por dia”, diz. 

Justamente porque algumas marcas aproveitam a madrugada para oferecer super descontos, o banco BTG anunciou aos seus clientes que irão reforçar o time de atendimento responsável pelo cartão de crédito BTG+ que ficará 24 horas disponível pelo chat do aplicativo para ajudar clientes que tiveram dificuldades com alguma compra.

A prática é simples e possível para qualquer negócio - nesse período, é muito comum surgirem dúvidas ou problemas para finalizar carrinhos, estoque indisponível, link quebrado e afins. A disponibilidade de um atendente pode resolver muitos mal-entendidos ou erros do sistema.

Além dos produtos

Considerada uma carta na manga dos lojistas, a oferta de kits, como os de ingredientes para preparar um drinque em casa ou um jantar, foi uma alternativa que algumas empresas adotaram para manter a operação e atender os consumidores.

A tendência, que une conveniência e flexibilidade, deve se manter, especialmente para presentear. Nessa levada pré-Natal, também é esperado que os consumidores se interessem mais por cartões-presente digitais do que nos anos anteriores.

Experiências e entretenimento digital podem chamar a atenção dos consumidores para as varejistas que pensarem "além da loja", na opinião de Fernando Pantaleão, VP de Vendas e Soluções para o Comércio da Visa do Brasil.

 

FOTO: Thinkstock

 






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