Negócios

Casas Bahia prepara megaloja no formato store in store


Loja dentro de loja começa a ser mais utilizado pelo varejo no Brasil e também nos Estados Unidos com o objetivo de complementar linhas e trazer mais conveniência para os clientes


  Por Fátima Fernandes 17 de Setembro de 2021 às 06:00

  | Jornalista especializada em economia e negócios e editora do site varejoemdia.com


Uma das mais tradicionais lojas do Ponto Frio, localizada na marginal Tietê, está se transformando em uma mega Casas Bahia, com uma proposta diferente.

Em uma área com mais de 15 mil metros quadrados, a Via, dona das duas marcas, deve colocar ali outras lojas capazes de complementar a sua linha e atrair mais clientes.

A varejista está negociando com outras redes a ocupação dos espaços em sua megaloja. Inicialmente a área dedicada aos parceiros será modesta, mas deve crescer gradualmente.

Consultores de varejo estão chamando a loja de CBxp (Casas Bahia Experience) por conta das novidades que estão sendo preparadas para o espaço.

O modelo de loja chamado de store in store é adotado no país há alguns anos, mas agora, com a retomada dos negócios, dá sinais de que pode ganhar força.

PONTO FRIO DA MARGINAL TIETÊ VAI VIRAR A CASAS BAHIA EXPERIENCE

Loja dentro de loja começa a ser mais vista, principalmente, em supermercados. Em junho deste ano, o grupo Pão de Açúcar inaugurou 12 das marcas Swift, Bocattino Box e Pastelândia.

Os clientes poderão ver algumas delas em estabelecimentos das redes Pão de Açúcar, Extra e Mercado Extra no Estado de São Paulo.

Uma das redes mais antigas no uso deste modelo é a Daiso Japan, por meio de uma parceria feita, em 2012, com o supermercado Hirota.

A rede possui hoje pouco mais de 40 lojas próprias e outras 55 no formato store in store com dez redes de supermercados, como GPA, Boa, Shibata, Royal e Armazém do Grão.

A Daiso deve terminar o ano com aproximadamente 40 novas lojas dentro de outras lojas e se prepara para abrir outras 40 em 2022 com as atuais e também novas parcerias.

Recentemente, a Daiso fechou parceria com a rede Soneda para entrar em cerca de seis lojas da perfumaria neste ano.

Para a rede japonesa, o modelo de loja dentro de loja fortalece a marca e aumenta a velocidade de expansão, chegando mais facilmente em cidades menores.

EUA

Nos Estados Unidos, empresas que estavam sumidas estão voltando por meio dessas parcerias.

A Toys ‘R’ Us, rede de brinquedos fundada em 1948, que entrou com pedido de recuperação judicial em 2018, se prepara para entrar em cerca de 400 lojas da Macy´s.

A Disney Store e a Ulta Beauty, rede de lojas de beleza, vão ocupar espaços dentro da Target, uma das maiores varejistas dos Estados Unidos.

CAFÉS, SORVETERIAS

No Brasil, consultores de varejo lembram de parcerias similares e ainda mais antigas do que as da Daiso e Hirota com cafés e sorveterias.

A rede Mc Donald´s, por exemplo, já serviu café e vendeu sorvetes em lojas da Casas Bahia, do Ponto Frio e do Magazine Luiza.

“É uma maneira de aumentar a capilaridade e de crescimento barato, pois fazer uma loja dentro de outra loja custa menos”, afirma Daniel Cremonini, diretor da Via.

Além disso, diz ele, o modelo proporciona uma troca de clientes.

“No passado, algumas empresas até torciam o nariz para essas parcerias. Hoje, muitas novidades estão por vir, pois é uma forma de expansão orgânica mais barata.”

MARKETPLACE FÍSICO

Consultores de varejo dizem que se o uso deste formato crescer, como se espera, poderá se transformar num marketplace físico.

Assim como no on-line, vai ser um espaço onde o cliente vai poder encontrar várias marcas, parecido com o que se vê em shoppings menores.

É bom lembrar que, no passado, algumas dessas parcerias não prosperaram.

Um projeto do Magazine Luiza e do Carrefour, iniciado no final de 2019, por exemplo, não foi renovado.

A ideia era o Magazine Luiza cuidar da operação de venda de eletroeletrônicos, portáteis e telefones celulares em algumas lojas do Carrefour.

Hoje, o Magazine Luiza possui parcerias com a Lojas Marisa, em 171 pontos, com foco em celulares, e em unidades da rede Semar, com a venda também de eletrônicos.

“Entendo que o modelo store in store deveria e poderia estar crescendo muito mais no Brasil. Não expandiu tanto por razões culturais. É difícil lojista fazer parceria com lojista”, diz o consultor Marcos Hirai.

Neste momento econômico do país, de acordo com ele, é justamente a hora de juntar os esforços para atender da melhor forma o consumidor.

“A parceria entre Daiso e Hirota, por exemplo, foi fundamental na pandemia, já que os supermercados permaneceram abertos”, diz.

Para Maurício Morgado, coordenador do Centro de Excelência em Varejo da FGV-EAESP, este é um movimento interessante, principalmente, para as marcas com públicos-alvo parecidos e posicionamentos não-conflitantes.

 

IMAGEM: Divulgação






Publicidade


Publicidade



Publicidade



Publicidade




Publicidade



Publicidade




Publicidade