Negócios

A jornada de compra do cliente neste Natal


Ir a uma loja física ou a um shopping center não está nos planos de todos os consumidores na hora de presentear. Outras possibilidades vêm se destacando nos últimos anos e modificando os hábitos de consumo


  Por Mariana Missiaggia 24 de Dezembro de 2019 às 07:00

  | Repórter mserrain@dcomercio.com.br


O comportamento do consumidor nas compras de final de ano vem se alterando nos últimos tempos. Com cada vez mais opções e ferramentas para pesquisar, comparar e acompanhar os preços, a busca pelos presentes começa cada vez mais cedo e em diferentes esferas - ruas, shoppings, internet e aplicativos.

Alguns estão atrás das melhores ofertas, outros de melhores condições de pagamentos, do menor tempo de entrega e ainda há quem paga para não ter dor de cabeço procurando vaga, entrando e saindo de loja  ou carregando um excesso de sacolas. Portanto, entender as preferências e acompanhar cada jornada é o grande trunfo dos lojistas para vencer a concorrência e garantir boas vendas.

Na hora das compras, 80% dos consumidores praticam tanto o webromming, em que pesquisam pela Internet e compram na loja física; quanto o showromming, no qual visitam a loja física, mas fecham a compra online, segundo levantamento da Criteo Shopper sobre o comportamento do consumidor brasileiro. Veja a seguir o que norteou as compras deste ano:

COMPRAS POR APLICATIVOS

O estudo “Connected Shoppers Report”, realizado pela Salesforce, mostra que 80% dos consumidores brasileiros planejam fazer compras via aplicativos, e 68% devem comprar mais em marketplaces.

A pesquisa também mostra que os brasileiros têm como principais fatores de decisão para as compras durante o período lojas que oferecem frete grátis, códigos promocionais e vendas via aplicativos. Este último quesito, aliás, deve ser um ponto de atenção para as empresas.

Por essa razão, muitas marcas prepararam seus aplicaivos para a alta demanda durante as compras de final de ano realizando testes prévios, como promoções antes da época de compras natalinas. Assim, foi possível testar o desempenho do app, identificar e corrigir erros, para estar 100% nos dias de pico. Outros pontos de atenção são o layout, quanto mais simples e com informações claras, melhor; e a navegação, que precisa ser simples, fluída e intuitiva.

APROVEITARAM A BLACK FRIDAY

Uma pesquisa realizada pela Ebit|Nielsen, logo após a Black Friday traz dados que evidenciam uma tendência de mudança no comportamento do brasileiro, que agora pesquisa mais e aguarda a Black Friday para fazer suas compras, inclusive as de Natal.

Segundo os números, 46% dos entrevistados declararam ter se planejado para fazer as compras no período de ofertas, 11% destes consumidores tiveram a compra de presentes de Natal como principal razão para desembolso.

“Neste ano, vimos que o consumidor ficou de olho nas promoções do varejo online para o período da Black Friday. Ele se programou para as aquisições no evento e, até mesmo, no esquenta, quando tivemos um crescimento 49% em relação ao mesmo período de 2018. Além disso, observamos que muitos também compraram por impulso motivados pelos descontos”, explicou a líder de Ebit|Nielsen, Ana Szasz.

COMPRAS PELA INTERNET

Um levantamento realizado pelo Compre&Confie, empresa de inteligência de mercado focada em e-commerce, mostra que as compras online devem movimentar R$ 13,5 bilhões neste Natal, aumento de 24% em relação ao mesmo período do ano passado.

O estudo da Compre & Confie, que considera o período de 15 de novembro a 24 de dezembro, mostra que o aumento das compras está relacionado principalmente ao maior número de pedidos feitos pela internet durante o período: 30,3 milhões de compras online devem ser realizadas, número 27% maior do que o registrado em 2018.

“Grande parte do crescimento é influenciado pelo sucesso da Black Friday, que apresentou um recorde de vendas via e-commerce. Às vésperas de dezembro, a data colaborou para que muito brasileiros aproveitassem as promoções como pontapé inicial para garantir os presentes de Natal”, afirma André Dias, diretor executivo do Compre&Confie.

Prova disso é o fato de que brasileiros devem gastar menos em cada compra. De acordo com o Compre&Confie, o tíquete médio previsto para a data é de R$ 445, valor 2% menor do que o registrado no ano anterior.

“Temos notado que produtos de bens não duráveis apresentaram crescimento ao longo do ano e, neste período de natal, categorias como Moda e Acessórios, além de Beleza e Perfumaria, devem ter ainda mais destaque, colaborando inclusive com a baixa do ticket médio, já que são itens de menor valor agregado”.

PARA POSTAR

Um panetone em uma embalagem diferente. Um chocolate que transborda recheio. Um maiô com uma estampa exclusiva. As compras instagramáveis são o mais novo desafio das varejistas. Patricia Bolenski, especialista e consultora em varejo de moda, argumenta que esse comportamento foi impulsionado pelas próprias marcas, que investiram fortemente no digital presenteando celebridades e influenciadoras com os famosos recebidos. A prática que se tornou comum nas redes sociais abre novas oportunidades e novos modelos de negócios. 

"Criou-se uma nova cultura que despertou nos consumidores o mesmo desejo de a cada novo foto postada trazer algo muito inovador, personalizado e que ninguém tenha mostrado antes. Nem sempre aquela peça ou produto traduz a verdadeira personalidade de quem o veste. Mas, vale tudo por um like", diz. 

FOTO: Pixabay