Gestão

Glossário do empreendedor: o que é store in store


Trata-se da alocação de um ponto de venda dentro de outros estabelecimentos para vender produtos de marcas distintas, como as minilojas da Daiso nos supermercados Hirota


  Por Italo Rufino 02 de Maio de 2018 às 08:00

  | Repórter isrufino@dcomercio.com.br


Uma loja dentro de outra loja. É isso que a rede Hirota implantou em 24 unidades da marca (nove supermercados e 15 lojas express).

Nesses estabelecimentos, além do sortimento típico do Hirota, como alimentos, pratos prontos e bebidas, o consumidor pode comprar produtos da marca Daiso, que vende artigos para cozinha, papelaria, beleza e decoração.

A Daiso é uma das maiores redes de varejo com foco em preços baixo. Grande parte dos itens sai por cerca de R$ 6,99. A marca chegou no Brasil com lojas próprias em 2015. Mas antes do lançamento oficial, os produtos importados do Japão já eram encontrados na rede Hirota.

“Manter um espaço exclusivo da Daiso no Hirota é uma maneira de completar a variedade de produtos dos supermercados, atrair mais clientes e incrementar o faturamento”, afirma Hélio Freddi, diretor de marketing do Hirota.

FREDDI, DO HIROTA: MIX COM
MAIS VARIEDADE

Atualmente, o portfólio de produtos da Daiso no Hirota é de 4 mil itens. Em termos de vendas, os produtos correspondem, em média, a 6% das receitas do mercado.

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E quais são os cuidados ao realizar um projeto de cobranding dessa magnitude?

É necessário evitar sobreposição de categorias de produtos. Antes de vender itens da Daiso, o Hirota mantinha uma linha de bazar, que foi enxugada posteriormente. Em compensação, os produtos carro-chefe da Daiso são os itens de plásticos para cozinha, como pratos e pegadores de silicone.

Outro detalhe da parceria é que o Hirota compra os produtos diretamente da matriz japonesa da Daiso e os revende em suas lojas. A Daiso Brasil não possui nenhuma relação com as vendas realizadas no Hirota – atua apenas como distribuidora.

“Por isso é importante sempre renovar o sortimento de produtos para não ficarmos defasados em relação às lojas da Daiso Brasil”, diz.

DIFERENCIAÇÃO E MAIS TRÁFEGO 

O conceito utilizado pelo Hirota é chamado de Store in Store, que significa a alocação de um ponto de venda, dentro de outros estabelecimentos, para vender produtos de marcas distintas. A prática é bastante usada por redes de franquias, uma vez que, neste modelo de negócio, o mix de produtos oferecidos ao consumidor costuma ser restrito.

A maior vantagem do modelo é gerar mais tráfego de consumidores nas lojas, devido ao aumento do sortimento de produtos e itens complementares. O modelo também é uma forma de diferenciar a marca dos concorrentes. Há também a chance de aumentar as vendas por metro quadrado, o que pode ser boa maneira de fazer frente ao aumento do custo de aluguel.

Desde 2011, a rede de alimentação Giraffas, especializada em sanduíches rápidos e pratos com arroz, feijão, carnes grelhadas e salada, expandiu sua operação numa parceria com a Tostex, que oferece sanduíches tostados. 

A ação permitiu que franqueados abrissem lojas com operação conjunta das duas marcas para oferecer refeições completas (modelo do Giraffas) e opções mais leves (oriundas do Tostex). Neste caso, o custo para adquirir uma franquia conjunta saía mais baixo do que a compra separadamente.

Fundada em 2015, a empresa Mobibox criou um modelo de franquia focado no conceito de Store In Store para distribuir acessórios para celulares.

DETALHE DO EXPOSITOR
MOBIBOX: PERCENTUAL
DE VENDAS PARA A LOJA

Funciona assim: o franqueado compra uma miniloja da Mobibox (um box dotado de prateleiras) e o instala em um ponto comercial. Entre as opções mais comuns estão lojas de conveniência, restaurantes, universidades, hotéis, cafés, locais turísticos e outros estabelecimentos com alto fluxo de pessoas.

No dia a dia, quem vende os produtos são os funcionários da loja onde o box está instalado. Em contrapartida, o dono do estabelecimento ganha um percentual das vendas.  

Além de não contar com royalties e custos fixos mensais de uma franquia tradicional, como aluguel, internet, luz e funcionários, o franqueado precisa apenas manter uma rotina de visitas a cada ponto de venda para reabastecer os boxes. O gerenciamento das vendas e dos estoques é feito por um site e um aplicativo.

Em menos de três anos, a Mobibox alcançou 2.000 pontos de venda em todo o Brasil. Ano passado, a empresa inaugurou uma sede na capital paulista. A intenção é quadruplicar de tamanho até o fim de 2019.

IMAGENS: Divulgação