Finanças

Incertezas levam a novo recorde no Tesouro Direto


Foram 16 mil novos cadastros ativos ante 10 mil em junho. No total, já são mais de 2,3 milhões de cadastros no programa de compra e venda de títulos públicos


  Por Estadão Conteúdo 10 de Setembro de 2018 às 12:36

  | Agência de notícias do Grupo Estado


Diante de um cenário político imprevisível e um mercado volátil, os investidores partiram em peso para o Tesouro Direto. Em julho, foram 107 mil novos cadastros, a maior entrada em um mês desde o início do programa, em 2002 - e 27 mil acima do mês anterior.

As pessoas também estão aplicando mais: foram 16 mil novos cadastros ativos ante 10 mil em junho. No total, já são mais de 2,3 milhões de cadastros no programa de compra e venda de títulos públicos, um aumento de 55,7% nos últimos 12 meses.

"Esse pode ser um novo patamar", diz Paulo Marques, gerente do Tesouro Direto.

De acordo com Marques, as incertezas tanto no exterior quanto no mercado interno tendem a levar as pessoas para aplicações menos arriscadas - e, naturalmente, elas caem na renda fixa, a despeito dos juros em um patamar historicamente baixo.

A guinada no Tesouro acontece em meio a um cenário que penaliza a maioria dos investimentos considerados mais arriscados, como ações e fundos multimercado, destaca o professor de Finanças do Coppead/UFRJ Carlos Heitor Campani.

Ele lembra que junho, mês que antecedeu o recorde do Tesouro, a Bolsa acumulou perda de 5%, enquanto o dólar subiu 4%. "O medo leva as pessoas para o extremo oposto."

A grande demanda pelo Tesouro Selic - 47% das vendas - reforça a tese de Campani. Esse título é considerado o mais seguro, pois acompanha a taxa básica de juros. Ele permite resgate a qualquer momento sem risco de perdas, uma vez que, independentemente do cenário, o investidor ganha o juro básico.

Olhando para os outros títulos, Marcos Piellusch, professor do Laboratório de Finanças da FIA, salienta que há bons retornos que chamam o investidor para essa aplicação.

Para se ter uma ideia, o Tesouro IPCA+ 2024, está pagando uma taxa de 5,86% mais a variação da inflação. Outro exemplo é o título prefixado com vencimento em 2021, com taxa a 9,85%.

Na comparação com produtos com taxa de administração maior do que 0,5% ao ano (custo médio da taxa de custódia do Tesouro mais o Imposto de Renda), tratam-se de bons rendimentos para aplicações de baixíssimo risco.

Esses títulos, contudo, sofrem com a marcação a mercado - atualização do preço do ativo. Ou seja: se o investidor quiser se desfazer do títulos antes do prazo, está sujeito a uma nova taxa, que pode ser maior ou menor que a inicial. Se levar até o vencimento, não terá surpresas e receberá a taxa contratada.

Além do cenário atual, Myrian Lund, professora de finanças da FGV, destaca que a educação financeira também é um dos motivos para o recorde.

Ela acredita que esse perfil de investidor - que faz aportes baixos e olha para o curto prazo - não está tão atento à conjuntura, mas sim a alternativas à poupança, e o Tesouro é a porta de entrada. Hoje, a caderneta está em desvantagem, pois paga 70% da Selic.

O Tesouro Selic 2023 daria, por exemplo, um retorno líquido de 6,38% ao ano; já a poupança, de 5,5%. 

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