Finanças

Bancos resistem em repassar queda dos juros ao consumidor


Para Alencar Burti, presidente da ACSP e Facesp, há necessidade de uma atuação mais firme por parte da autoridade monetária sobre o mercado financeiro


  Por Redação DC 31 de Outubro de 2018 às 19:53

  | Da equipe de jornalistas do Diário do Comércio


A taxa básica de juros segue no menor patamar desde 1986, quando o histórico da Selic começou a ser apurado pelo Banco Central (BC). Entretanto, esse movimento de queda não tem influenciado as taxas praticadas pelas instituições financeiras.

Essa é a opinião de Alencar Burti, presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp). Segundo ele, a autoridade monetária precisa cobrar um alinhamento maior do mercado financeiro.

“O Banco Central precisa atuar com mais firmeza junto ao mercado financeiro, para que repasse as quedas dos últimos meses da Selic para o consumidor com mais intensidade do que fez até agora”, afirma Burti, que também preside a Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp).

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Nesta quarta-feira, 31/10, o BC não alterou a Selic. Por unanimidade, o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve, a taxa Selic em 6,5% ao ano, na primeira reunião do órgão depois das eleições presidenciais.

Com a decisão, a Selic continua no menor nível desde o início da série histórica do Banco Central, em 1986.

Para Burti, não há motivo para que os juros voltem a subir no momento uma vez que o nível de atividade econômica está baixo, o desemprego ainda está elevado e há capacidade ociosa em diversos setores, fatores que contribuem para manter a inflação continue baixa.

De outubro de 2012 a abril de 2013, a taxa foi mantida em 7,25% ao ano e passou a ser reajustada gradualmente até alcançar 14,25% ao ano em julho de 2015.

Em outubro de 2016, o Copom voltou a reduzir os juros básicos da economia até que a taxa chegasse a 6,5% ao ano em março de 2018.

Em maio, o BC interrompeu a sequência de quedas da Selic e manteve a taxa em 6,5% ao ano, numa decisão que surpreendeu o mercado financeiro.

Na ocasião, o BC alegou que a instabilidade internacional, que se manifestou na valorização do dólar nos últimos meses, influenciou a decisão.

A Selic é o principal instrumento do Banco Central para manter sob controle a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o IPCA acumula 4,53% nos 12 meses terminados em setembro, um pouco acima do centro da meta de inflação, que é de 4,5%.

O índice foi o maior para meses de setembro desde 2015, influenciado pela alta do dólar, que impactou o preço dos combustíveis, e por algumas tarifas, como de água, luz e esgoto.

Até 2016, o Conselho Monetário Nacional (CMN) estabelecia meta de inflação de 4,5%, com margem de tolerância de 2 pontos, podendo chegar a 6,5%. Para 2017 e 2018, o CMN reduziu a margem de tolerância para 1,5 ponto percentual. A inflação, portanto, não poderá superar 6% neste ano nem ficar abaixo de 3%.

INFLAÇÃO

No Relatório de Inflação divulgado no fim de setembro pelo Banco Central, a autoridade monetária estima que o IPCA encerrará 2018 em 4,4%. De acordo com o boletim Focus, pesquisa semanal com instituições financeiras divulgada pelo BC, a inflação oficial deverá fechar o ano em 4,43%.

Do final de 2016 ao final de 2017, a inflação começou a diminuir por causa da recessão econômica, da queda do dólar e da supersafra de alimentos.

Os índices haviam voltado a cair no início deste ano, afetados pela demora na recuperação da economia, mas voltaram a subir depois da greve dos caminhoneiros, que durou 11 dias e provocou desabastecimento de alguns produtos no mercado.

 

IMAGEM: Paulo Pampolin/Hype