Economia

Guedes sugere a criação de um 'superconselho'


Já Bolsonaro anuncia o enxugamento da máquina pública, com redução de estatais e de ministérios


  Por Estadão Conteúdo 12 de Outubro de 2018 às 17:05

  | Agência de notícias do Grupo Estado


Coordenador do programa econômico de Jair Bolsonaro (PSL) e fiador de seu programa liberal, o economista Paulo Guedes ventilou para colaboradores da campanha e empresários entusiastas da candidatura do capitão reformado a ideia de criar um conselho econômico aos moldes do que existe nos Estados Unidos.

No governo americano, o Conselho Nacional Econômico (The National Economic Council, em inglês) tem como função definir a política econômica e assessorar o presidente em temas sobre economia.

Guedes foi anunciado novamente ontem por Bolsonaro como seu nome para a Fazenda. A proposta do economista, no entanto, tem causado confusão nos bastidores.

Alguns aliados interpretaram a menção à formação de um conselho desse tipo como indicação de que Guedes acabaria declinando do posto de chefe da Economia de Bolsonaro para assumir o papel de "superassessor", dando as diretrizes liberais do novo governo para um gestor executar. Oficialmente, ele nega a intenção.

Para Bolsonaro e seu núcleo duro, a figura de Guedes é crucial para dar credibilidade aos intentos liberais do presidenciável. Um aliado de Bolsonaro, que esteve em reuniões com Guedes, diz ter conhecimento da ideia, mas que ela não avançou para uma proposta formal.

Outra fonte da equipe diz que a formação de um conselho chegou a ser mencionada em reunião com integrantes da equipe econômica de Michel Temer, mas no contexto de um elogio ao time do governo.

*com Agência Brasil

A intenção de Guedes, explicou essa fonte que pediu para não ser identificada, era sinalizar que nomes do atual Ministério da Fazenda teriam espaço na equipe do Bolsonaro caso assim quisessem.

Guedes gosta do trabalho do ministro Eduardo Guardia, do secretário do Tesouro, Mansueto de Almeida, e da secretária executiva do Tesouro, Ana Paula Vescovi.

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O candidato do PSL, Jair Bolsonaro disse nesta sexta-feira (12/10), nas redes sociais, que, caso eleito, pretende fazer uma reforma administrativa para com a reduzir a remanejar "gastos desnecessários", além de destinar recursos para as áreas essenciais e combater fraudes.

Segundo ele, o corte de gastos passará pela diminuição de estatais e ministérios. E irá priorizar nomes técnicos e capacitados para chefiar as pastas, "sem pressões de viés sindicalista".

“Muito além de fazer, vamos desfazer o sistema falido e corrupto que o PT construiu”, disse.

Bolsonaro afirmou que vai combater as fraudes em programas sociais para garantir maior renda "aos mais necessitados". “Descentralizando recursos, estados e municípios terão maior autonomia financeira para atender as peculiaridades de cada região do país”.

Em outro post na internet, o candidato disse que “vamos combater o crime organizado e trabalhar para impedir que presos continuem controlando seus empregados de dentro dos presídios”.

Na noite de ontem (11/10), o candidato confirmou, também redes sociais, a criação de um superministério, que irá fundir Agricultura e Meio Ambiente.

Depois de encontro com empresários e políticos ligados ao agronegócio, Bolsonaro disse que o compromisso foi consolidado. “Tem que ser uma pessoa competente, com autoridade e que tenha iniciativa”, disse o candidato.