Economia

|Análise|Até que ponto vamos crescer neste ano?


As projeções de expansão do PIB para 2019 têm se modificado de forma expressiva, sinalizando maior incerteza quanto aos resultados esperados


  Por Ulisses Ruiz de Gamboa 20 de Março de 2019 às 17:30

  | Economista da ACSP e professor da FIA/USP e FIPE/USP; Doutor em Economia pela FEA/USP; Pós-Doutorando pela UCLA; ex-Consultor do Banco Mundial


Os primeiros dados do ano sugerem que a retomada da atividade econômica ainda continua lenta, mostrando, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), crescimento moderado do varejo e dos serviços, e queda da produção industrial em janeiro, na comparação com o mesmo mês do ano passado.

Outros dados parecem corroborar essa visão, tais como o Indicador de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-BR), considerado um índice do “pulso” do Produto Interno Bruto (PIB) em termos mensais, que apresentou crescimento abaixo do esperado (0,8%), na mesma base de comparação. Esse indicador é construído com base nos dados de indústria, serviços (incluindo o varejo) e atividade agropecuária.

O Itaú BBA também estima um PIB mensal (PIB Mensal Itaú Unibanco – PM-Itaú) com base na evolução da produção total do País, compreendendo as atividades agropecuárias e industriais, além dos serviços privados e públicos, incluindo administração pública, defesa, saúde, educação, seguridade social e impostos. Em janeiro, esse PIB mensal cresceu apenas 1,0%, em relação a igual mês de 2018, segundo a instituição.

O Monitor do PIB, indicador mensal de atividade econômica, elaborado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), utilizando a mesma metodologia do IBGE, também aponta para fraco crescimento no primeiro mês do ano, em base interanual (1,1%), basicamente devido ao modesto desempenho da indústria, que tem provocado arrefecimento no investimento produtivo.

Esses resultados preliminares indicariam que 2019 também será um ano de baixo crescimento da economia brasileira, repetindo o modesto avanço observado nos últimos dois anos?

Na verdade, as projeções de expansão do PIB para 2019 têm se modificado de forma expressiva, sinalizando maior incerteza quanto aos resultados esperados.

Os analistas de mercado, ouvidos semanalmente pelo Relatório Focus do Banco Central, reduziram suas previsões de 2,48% para 2,01% nas últimas três semanas, enquanto o Bradesco ampliou os possíveis cenários de crescimento do PIB, que variam de 1,1% a 2,7%.

De qualquer forma, para tentar aproximar algum prognóstico é necessário utilizar indicadores diferentes dos anteriores, que constituem o que se denomina de indicador coincidente, ou seja, sinaliza a situação econômica atual, não sendo, portanto, o mais adequado para que se possa projetar algum tipo de tendência da atividade econômica.

Nesse sentido, seria mais efetivo a utilização dos chamados indicadores antecedentes, ou seja, aqueles cuja evolução tende a ocorrer em etapas anteriores ao desempenho da atividade econômica.

Um dos mais utilizados pelo mercado é o Indicador Antecedente Composto da Economia (IACE), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Economia (IBRE) da FGV e pelo The Conference Board (TCB), formado pelos comportamentos dos juros, da Bolsa, das expectativas dos empresários industriais e de serviços, das expectativas dos consumidores, da produção física de bens de consumo duráveis, do índice de termos de troca (relação entre preços de exportação e importação) e da quantidade exportada.

Segundo a FGV (IBRE), apesar do IACE ter avançado em janeiro, em relação ao mês anterior, apresentou contração em fevereiro, na mesma base de comparação (veja gráfico ao lado).

Esse último resultado se deve fundamentalmente aos recuos das expectativas dos empresários, principalmente aqueles ligados aos serviços, e do volume exportado.

Sendo assim, para assegurar um maior crescimento da atividade econômica em 2019, é essencial que o atual governo consiga manter as expectativas dos empresários em patamar elevado, aumentando a geração de empregos e a renda dentro do mercado interno, uma vez que o setor externo deverá ter desempenho menos favorável.

Para tanto, será essencial não somente aprovar uma reforma da Previdência o mais abrangente possível, como também realizar outras mudanças, que, no curto prazo, contribuam para melhorar o ambiente de negócios.

 

IMAGEM: Thinkstock