Brasil

Roubo de cargas quase duplicou em cinco anos


Informação está no anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, lançado nesta segunda-feira. Segundo a entidade, no ano passado 61,6 mil brasileiros foram assassinados


  Por João Batista Natali 30 de Outubro de 2017 às 14:00

  | Editor contribuinte natali@uol.com.br


O roubo de cargas nas rodovias brasileiras quase que duplicou entre 2013 e o ano passado. Passou de 13.534 para 23.656 ocorrências.

Essa multiplicação por 1,74 é revelada pelo 11º Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), lançado em São Paulo nesta segunda-feira (30/10).

O fórum, criado em 2006, tornou-se a instituição de referência na elaboração de critérios e compilação de dados sobre a criminalidade no país.

Com relação ao roubo de cargas, crime contra o patrimônio com efeito direto na indústria e no comércio, a incidência em seis anos pulou de 7 para 9,5 por 100 mil habitantes.

A maior parte das ocorrências foi registrada no Estado de São Paulo, por concentrar a maior malha rodoviária e a parcela mais importante da economia.

Boletins de ocorrência registrados pelas autoridades policiais paulistas mostram 7.959 roubos de cargas em 2013. Eles passaram para 9.943 em 2016, com crescimento de 1,24 vez – menor que o crescimento nacional.

UMA BOMBA ATÔMICA POR ANO

Ainda com relação aos crimes contra o patrimônio, o fórum revela que, entre 2015 e 2016, exatos 1.066 veículos foram roubados ou furtados. Foram pouco menos, 1.021, no biênio anterior.

Ocorre então, mais uma vez, um incremento e não uma queda. O que é uma constante nos dados trazidos pelo fórum.

Por exemplo: em 2016, foram assassinadas sete pessoas por hora, 3,8% a mais que em 2015.

Ao todo, foram 61.619 vítimas por mortes violentas intencionais, o maior número registrado na série histórica do anuário.

“É como se o Brasil sofresse um ataque de bomba atômica por ano”, diz Renato Sérgio de Lima, diretor-presidente do FBSP, tomando por base as vítimas de Nagasaqui (as de Hirochima não foram tão bem computadas), a segunda cidade destruída pelos Estados Unidos ao fim da 2ª Guerra Mundial.

Segundo o fórum, foram mortos no Brasil, no ano passado, 29,9 pessoas para cada grupo de 100 mil. Esse número cresce em Estados como Sergipe (64), Rio Grande do Norte (56,9) e Alagoas (55).

O fórum procurou fazer, pela primeira vez, um levantamento específico quanto ao assassinato de mulheres. Elas totalizaram 4.657 em 2016, mas apenas 533 casos foram registrados com a característica de feminicídio, quando a vítima é morta por questões ligadas ao gênero, como o assassinato por um marido ciumento.

MORTE DE POLICIAIS

Foram mortos em confrontos 437 policiais civis e militares no ano passado, uma alta de 17,5% com relação a 2015.

As vítimas, e é uma informação inédita no anuário, têm entre 30 e 49 anos, são negros (56%) e do sexo masculino (98,2%).

É bem maior, no entanto, o número de pessoas mortas em confronto com policiais. Foram 4.334 no ano passado, ou seja, dez vezes mais que os policiais. Essas vítimas têm sobretudo entre 12 e 29 anos (81%) ou foram identificadas como negros (76%).

O anuário traz ainda um levantamento inédito sobre os desaparecimentos de pessoas. Foram 71.796 no ano passado. Na última década, esse número cresce para 693 mil.

Há, com relação à informação, um acompanhamento pouco adequado, dizem os especialistas do fórum. Muitas vezes uma pessoa morta continua na relação dos desaparecidos, outras são encontradas pela família ou voltam para casa, sem que o fato seja registrado pela polícia.

Outra estatística em ascensão é a do latrocínio. Os roubos seguidos de morte totalizaram 2.703 ocorrências no ano passado, um crescimento de 50% em relação a 2010.

As maiores taxas estão em Goiás, com 2,8 mortes por 100 mil habitantes, seguido do Pará (2,7) e Amapá (2,4).

Por uma série de questões, a segurança pública teve em 2016 uma queda sensível em seus investimentos. O governo federal, os Estados e os municípios gastaram R$ 81 bilhões, ou 2,6% a menos que em 2015.

Os cortes nas verbas federais foram mais significativos: 10,3%. Paralelamente, no entanto, cresceu o número de policiais recrutados pela Força Nacional de Segurança (são PMs que fazem carreira em seus Estados de origem). Esse crescimento foi de 292%.

No final do ano passado, 24,6 mil adolescentes cumpriam medidas socioeducativas. Entre eles, 44,4% estavam envolvidos em roubo, e 24% com o tráfico de entorpecentes.

O Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública revela, por fim, que no ano passado 112 mil armas foram apreendidas.

 

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