Brasil

Em maio, informalidade no emprego volta a crescer


Entre um trimestre e outro a informalidade no emprego voltou a crescer, com o contingente de empregados do setor privado sem carteira assinada tendo aumentado 2,9% no trimestre de março a maio, de acordo com o Pnad


  Por Redação DC 29 de Junho de 2018 às 10:04

  | Da equipe de jornalistas do Diário do Comércio


A taxa de desemprego fechou o trimestre encerrado em maio em 12,7%, praticamente estável em relação ao trimestre encerrado em fevereiro deste ano, quando a taxa de desocupação foi 12,6%, alta de apenas 0,1 ponto percentual.

Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que ressalta, no entanto, o fato de que entre um trimestre e outro a informalidade no emprego voltou a crescer, com o contingente de empregados do setor privado sem carteira assinada tendo aumentado 2,9% no trimestre de março a maio, em relação ao trimestre anterior.

Em números absolutos, o resultado representa mais 307 mil pessoas em postos de trabalho que não oferecem várias garantias de direitos trabalhistas. Em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, o aumento foi de 5,7%, o que corresponde a 597 mil pessoas a mais na informalidade.

Segundo o IBGE, na comparação com o trimestre de março a maio de 2017, quando a taxa de desemprego estava em 13,3%, houve queda de 0,6 ponto percentual no indicador.

Com a estabilidade da taxa de desemprego, a população desocupada também ficou estável em 13,2 milhões de pessoas. No trimestre encerrado em fevereiro a taxa foi de 13,1 milhões. Já na comparação com igual trimestre do ano anterior, quando havia 13,8 milhões de desocupados, houve queda de 3,9%.

O país tinha em maio último uma população ocupada de 90,9 milhões de trabalhadores, também mostrando estabilidade no emprego em relação ao trimestre imediatamente anterior (dezembro do ano passado a fevereiro deste ano). Em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, quando havia 89,7 milhões de pessoas ocupadas, a população ocupada aumentou 1,3%. 

O aumento na população inativa, que impediu um avanço maior na taxa de desemprego em maio, pode ser reflexo do desalento, confirmou Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O fenômeno ocorre, por exemplo, quando as pessoas deixam de procurar emprego por acreditarem que não conseguiriam uma vaga.

DESALENTO  

No trimestre encerrado em maio, a população fora da força de trabalho alcançou o recorde de 65,413 milhões de pessoas, 475 mil indivíduos a mais nessa condição do que no trimestre anterior, terminado em fevereiro.

No mesmo período, 204 mil trabalhadores foram demitidos e apenas 115 mil passaram a buscar uma vaga. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) divulgados nesta sexta-feira (29/08), pelo IBGE.

Azeredo calcula que cerca de 60% da população fora da força de trabalho mas com potencial para voltar ao mercado esteja em situação de desalento.

CONTRA A TENDÊNCIA 

A redução na proporção de pessoas trabalhando na passagem do trimestre encerrado em fevereiro para o trimestre terminado em maio contraria uma tendência sazonal de geração de vagas no período, lembrou Cimar Azeredo.  

O nível de ocupação da população em idade de trabalhar diminuiu de 53,9% no trimestre até fevereiro 53,6% no trimestre até maio.

"O que preocupa é esse sinal negativo e significativo no nível da ocupação. O nível de pessoas ocupadas está menor.

Em maio, você tem uma proporção menor de pessoas ocupadas do que tinha em fevereiro, isso é uma situação não favorável. Porque em maio, dada a sazonalidade, você já imaginaria reversão do processo de dispensa de temporários e contratação de funcionários", declarou Azeredo.

PERDA DE VAGAS NO COMÉRCIO

O coordenador do IBGE lembrou que outro sinal negativo no mercado de trabalho é a continuidade da extinção de vagas com carteira assinada no setor privado.

Entre o trimestre encerrado em fevereiro e o trimestre terminado em maio foram perdidos mais 351 mil postos de trabalho formais, com destaque para as perdas nos segmentos de comércio e informação e comunicação.

"A queda da carteira assinada no comércio chegou a menos 265 mil no trimestre", disse Azeredo.  

 

 

GREVE

Quanto aos possíveis impactos da greve dos caminhoneiros na pesquisa referente a maio, Azeredo afirmou que não há reflexos visíveis da paralisação sobre os dados coletados do mercado de trabalho. "Não tem nada (na pesquisa) que diga que possa ter efeito da greve dos caminhoneiros", afirmou.

FOTO: Thinkstock / *Atualizada às 14h40 (Com informações da Agência Brasil e Estadão Conteúdo)