Brasil

Brasil tinha 3,1 milhões em busca de emprego há 2 anos


Dados relativos ao 4º trimestre também apontam que 1,881 milhão de trabalhadores procuram emprego há mais de um ano, de acordo com IBGE


  Por Estadão Conteúdo 22 de Fevereiro de 2019 às 14:59

  | Agência de notícias do jornal O Estado de S.Paulo


No quarto trimestre de 2018, o Brasil tinha 3,123 milhões de pessoas em busca de emprego há dois anos ou mais, segundo os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

No trimestre anterior, esse contingente era de 3,197 milhões de desempregados em busca de uma vaga há tanto tempo.

Em relação ao quarto trimestre de 2017, aumentou em 12,1% o contingente de desempregados há pelo menos dois anos.

Outros 1,881 milhão de trabalhadores procuram emprego há mais de um ano, mas menos de dois anos. O grosso dos desempregados no quarto trimestre, 5,370 milhões, estava em busca de uma vaga havia pelo menos um mês, mas menos de um ano. Na faixa dos que tentavam encontrar um trabalho havia menos de um mês, estavam 1,822 milhão de pessoas.

PRETOS E PARDOS

A crise no mercado de trabalho penalizou mais os brasileiros que se autodeclaram pretos e pardos.

O contingente dos desocupados no Brasil no primeiro trimestre de 2012, quando começa a série histórica da pesquisa, era de 7,6 milhões de pessoas. À época, os pardos representavam 48,9% da população desempregada, seguidos por brancos (40,2%) e pretos (10,2%).

No quarto trimestre de 2018, esse contingente de desocupados totaliza 12,2 milhões de pessoas.

A participação dos pardos subiu para 51,7%, e a dos pretos aumentou para 12,9%, enquanto a dos brancos encolheu para 34,6%.

De acordo com Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, na crise, o desemprego subiu para todo mundo, mas afetou mais os canteiros de obra e chão de fábrica.

“E a população mais presente nesse tipo de ocupação é a população preta ou parda”, afirma. “A crise pegou muita gente de baixa renda, que reside na camada da população menos abastada."

Juntos, pretos e pardos representavam 64,6% dos desempregados no quarto trimestre de 2018.

No quarto trimestre de 2018, a taxa de desocupação dos que se declararam brancos foi de 9,2%, abaixo das registradas pelos pretos (14,5%) e pardos (13,3%).

Na média nacional, a taxa de desemprego foi de 11,6%. No quarto trimestre de 2018, os pardos representavam 47,4% da população fora da força de trabalho, seguidos pelos brancos (42,5%) e pelos pretos (9,0%).

NORDESTE

Mais de 60% da população desalentada no País está na região Nordeste. Na média anual de 2018, houve recorde de 4,736 milhões de pessoas em situação de desalento - que deixam de procurar emprego por achar que não conseguiriam uma vaga, por exemplo. O número é 13,4% a mais que em 2017, quando havia 4,17 milhões.

Apenas a região Nordeste concentrava 2,867 milhões dos desalentados brasileiros no ano passado.

Os Estados com maiores contingentes de pessoas em situação de desalento foram a Bahia, com 820 mil pessoas, e Maranhão, com 492 mil.

O contingente de desalentados no quarto trimestre de 2018 foi de 4,70 milhões de pessoas de 14 anos ou mais de idade, um aumento de 8,1% ante igual período de 2017, quando 4,35 milhões de pessoas estavam desalentadas.

Os maiores contingentes de pessoas em desalento no quarto trimestre do ano passado também se concentraram na Bahia (804 mil pessoas) e no Maranhão (512 mil).

RECORDE EM RORAIMA

Em meio à crise de imigração de cidadãos venezuelanos em fuga do momento turbulento que atravessa seu país, o Estado de Roraima teve o único recorde na taxa de desemprego entre todas as Unidades da Federação no quarto trimestre do ano passado.

A taxa de desocupação em Roraima subiu de 13,5% no terceiro trimestre de 2018 para 14,0% no quarto trimestre.

Segundo Azeredo, apesar dos indícios, não é possível afirmar se o desemprego é resultado do efeito migratório.

"Não tenho na pesquisa informações de que quem está procurando trabalho é imigrante, nem de que tem imigrante ocupando trabalho de brasileiro que estava na ativa", disse ele.

A taxa de desemprego média anual em Roraima subiu de 9,9% em 2017 para 12,3% em 2018.

A pesquisa só considera informações de quem mora efetivamente em domicílios visitados. Apenas os venezuelanos que possuem residência fixa no Estado podem ser contabilizados, mesmo que estejam em situação irregular no País.

"A população que vive na rua a gente não está captando", lembrou Azeredo.

O total de desempregados em Roraima aumentou de 21 mil pessoas em 2017 para 28 mil em 2018, sete mil pessoas a mais em busca de uma vaga no período de um ano.

IMAGEM: Thinkstock