Um pedaço do Vale do Silício em Heliópolis

Visitei o laboratório de inovação do Facebook em Heliópolis, um projeto pioneiro no mundo que ensina pequenos empreendedores a utilizarem a rede social

Thais Ferreira
11/Abr/2015
  • btn-whatsapp
Um pedaço do Vale do Silício em Heliópolis

Desde que participei da matéria especial Os Negócios da Quebrada em fevereiro deste ano, o tema empreendedorismo nas periferias começou a despertar meu interesse. Durante a apuração, conhecemos tantas pessoas inspiradoras e histórias interessantes que fiquei mais atenta ao que acontecia nas comunidades paulistanas.

Por isso, quando o Facebook anunciou um laboratório de inovação na comunidade da zona sul de São Paulo, meus olhos brilharam: era a oportunidade de tratar sobre esse assunto mais uma vez. 

O espaço foi inaugurado em março, em parceira com a UNAS, a União de Núcleos, Associações dos Moradores de Heliópolis e Região. O evento de abertura teve pompa e circunstância com a presença de figurões, como Aldo Rebelo, Ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação; Roberto Agune, coordenador de Inovação em Governo da Secretaria do Planejamento e Desenvolvimento Regional do Estado de São Paulo; Nádia Campeão, vice-prefeita de São Paulo.

Não perdi a oportunidade de conhecer o projeto com meus próprios olhos. Marquei de assistir uma das aulas. A grade horária é dividida entre cursos ministrados pelo próprio Facebook e por instituições parceiras como o IAB (Interactive Advertising Bureau) e o Sebrae. Os temas são relacionados a empreendedorismo, marketing e sobre as próprias ferramentas do Facebook. 

Chegar em Heliópolis não foi uma tarefa fácil, o taxista não conseguia localizar o endereço da sede da UNAS – lugar marcado para que eu fosse levada até o laboratório – no GPS. Tivemos que procurar por locais próximos. Ao nos aproximarmos da região, o motorista ficou com medo de entrar nas ruelas. Sai do carro e decidi ir caminhado. Para minha sorte, estava a menos de cinco minutos do local.  

Ao entrar na UNAS, fui recebida por Weslly Santos, de 26 anos, morador da comunidade, estudante de marketing e um dos jovens escolhidos para trabalhar no projeto do Facebook. Ele me acompanhou até o laboratório. Durante a caminhada por ruas estreitas e íngremes, Weslly foi me contando que os moradores estavam adorando as aulas e que algumas turmas ficam lotadas. 

Após observar a paisagem, ficou evidente a veia empreendedora de Heliópolis – a cada cinco casas uma tinha comércio. Passei por inúmeros açougues, quitandas, cabeleireiros, manicures, lojas de roupas e lanchonetes. 

“Tem muita gente abrindo negócios aqui, mas falta uma visão mais profissional. A maioria dos comerciantes fica sentando assistindo televisão e esperando os cliente virem até ele”, disse Weslley. 

Fachada do Laboratório: o projeto é pioneiro no mundo

A AULA

O Laboratório de Inovação do Facebook fica no alto de uma ladeira, num espaço cedido pela UNAS. A sala do laboratório é equipada com 15 computadores e um projetor e foi decorada com quadros coloridos e com o logotipo do Facebook.  

Ao chegar, fui apresentada para os alunos: um grupo heterogêneo formado por pessoas de várias idades. Muitos deles eram donos de pequenos negócios, como Cirlene Rodrigues do Nascimento, do Charmys Cabelereiro, que decidiu fazer o curso para aprender a divulgar seu salão de beleza. Além dela, conheci também Dayse Vilela Duarte, que faz artesanatos e que quer vender seus produtos através do Facebook. 
 
O tema da aula, ministrada por Camila Fusco, diretora de empreendedorismo do Facebook, era sobre os perfis pessoais na rede social e o uso das ferramentas de privacidade. As explicações alternavam entre noções básicas e configurações mais avançadas. Confesso que, mesmo sendo usuária ativa do Facebook, desconhecia algumas das funções mostradas. Os alunos prestavam atenção a cada detalhes, tiravam dúvidas e interagiam. 

LEIA MAIS: Os negócios da Quebrada

Enquanto Camila fazia as explicações, os participantes repetiam os ensinamentos nos computadores. De repente, o conteúdo teve que ser interrompido: a aula de 2 horas chegava ao fim. Todos os alunos pegaram um cartão de presença e, no final do curso, eles receberão um certificado que será entregue na sede do Facebook no Brasil. A próxima aula era sobre marketing, mas tive que correr para conseguir entrevistar a Camila antes que ela fosse embora. 

Camila Fusco, diretora de empreendedorismo do Facebook e uma das professoras do curso

O PROJETO 

Durante o caminho de volta até a sede da UNAS, Camila Fusco me contou que o Brasil foi pioneiro na criação desse projeto. Nenhum dos escritórios do Facebook ao redor do mundo tem um programa similar. 

A ideia surgiu após a equipe do Facebook percorrer diversas feiras de empreendedorismo. Durante uma dessas viagens, um comerciante de uma comunidade carioca apareceu com o dinheiro na mão pedindo para anunciar na rede social. “Percebemos que existe um grande potencial dentro das periferias, muitos empreendedores querem usar o Facebook, mas não sabem como”, disse Camila. “Decidimos fazer esse projeto para ensinar o uso dessas ferramentas e também para incentivar o empreendedorismo dentro das comunidades.”

Após uma pesquisa em diversas comunidades paulistas e cariocas, Heliópolis foi a escolhida. De acordo com o levantamento feito pelo Facebook, 90% dos cerca de 190 mil moradores da região utilizam a rede de relacionamentos. No entanto, 86% dos 5.000 comerciantes da comunidade não têm uma página de seu negócio. Além disso, a maioria ainda não sabe como utilizá-la para alavancar suas vendas.

Mas não foram apenas os números que levaram o Facebook até Heliópolis, a própria dinâmica da comunidade foi fundamental para essa escolha. “Alguns locais que visitamos serviam apenas como dormitório, ou seja, as pessoas trabalham ou estudam fora e só voltam para dormir. Em Heliópolis, tem muita gente que realiza todas as suas atividades aqui dentro, ou seja, elas têm mais tempo para realizar esses cursos”, afirmou Camila. 

LEIA MAIS: Nos lares das favelas há mais eletrodomésticos e até automóveis

O Facebook não foi o único que enxergou o potencial da favela da zona sul de São Paulo. A Coca-cola também tem um projeto que oferece cursos para capacitar jovens da região para o mercado de trabalho. Ao fim do programa, alguns alunos são selecionados para terem o primeiro emprego dentro da própria Coca-cola. Essa iniciativa já está presente em diversas periferias brasileiras. 
 
A empresa de Mark Zuckerberg tem as mesmas pretensões. Se o projeto tiver bons resultados em Heliópolis, o laboratório de inovação vai ser levado para outras comunidades.  

Veja mais detalhes do laboratório: 

 

 

 

 

 

 

Indicadores Econômicos

Fator de Reajuste

ÍNDICE
Mai
Jun
Jul
IGP-M
1,1072
1,1070
1,1008
IGP-DI
1,1056
1,1112
1,0913
IPCA
1,1173
1,1189
1,1007
IPC-Fipe
1,1227
1,1169
1,1073

Indicadores de crédito Boa Vista

Índice
Abr
Mai
Jun
Demanda por crédito
-4,3%
-2,1%
-1,9%
Pedidos de falência
--
--
--
Movimento do comércio
1,1%
1,5%
-0,8%
Inadimplência do consumidor
5,0%
7,5%
-0,6%
Recuperação de crédito
1,8%
-5,6%
2,4%
mais índices

Vídeos

Tarcísio de Freitas participa de ciclo de debates promovido pela ACSP

Tarcísio de Freitas participa de ciclo de debates promovido pela ACSP

Felipe d’Avila, do Novo, foi sabatinado por empresários na ACSP

Márcio França fala em fim da ‘tiriricação’ da política

Colunistas