Transporte aéreo perde força em junho, mas cresce no semestre
Movimentação de passageiros em 2026 chegou a 65,2 milhões, alta de 5,4%; tarifas sobem 4,2% no mês

Com a movimentação de 10,3 milhões de passageiros, o transporte aéreo brasileiro teve queda de 0,9% em junho, na comparação com o mesmo período do ano passado. No ano de 2026, foi o mês com o menor crescimento no setor, com expansão de apenas 0,2% em relação a maio.
Os dados fazem parte de relatório divulgado nesta segunda-feira, 21/07, pela Agência Nacional de Aviação (Anac). Em junho, do total de passageiros transportados, 8,1 milhões foram registrados no mercado doméstico, queda de 1,2%, e 2,2 milhões em voos internacionais, alta de 0,3%. No setor interno, a taxa de ocupação ficou em 80,7%.
Na soma dos primeiros seis meses do ano, o número de passageiros transportados pelas companhias aéreas atingiu 65,2 milhões, uma elevação de 5,4% em relação ao mesmo período de 2025. Nos voos internos, foram 50,2 milhões de viajantes, enquanto, nas rotas para o exterior, foram 15 milhões.
De acordo com a Anac, a demanda, indicador medido pela multiplicação de passageiros por quilômetros voados, teve aumento de 0,2% no segmento doméstico e 1% no internacional em relação a junho do ano anterior. Já a oferta, mensurada pela multiplicação de assentos ofertados por quilômetros voados, cresceu 3,3% no doméstico e 2,3% no internacional.
Em junho, a empresa Gol, que detém 32,5% do setor de aviação no país, teve o maior crescimento no número de passageiros transportados, com uma alta de 10,7% na comparação com maio. Mas a Companhia Latam continua na liderança, com 40,9% do mercado. A Azul é a terceira com maior número de viajantes: 26,5%. O ranking leva em conta o indicador RPK, que mede o número de passageiros por quilômetro.
Ao longo do semestre, na comparação com o mês anterior, o mercado aéreo brasileiro cresceu 10,7% em janeiro, 12,9% em fevereiro, 8,6% em março, 2,4% em abril, 2,5% em maio e 0,2% em junho.
Segundo nota do Ministério de Portos e Aeroportos, a desaceleração no mercado doméstico ocorre devido ao aumento dos custos operacionais das companhias aéreas, especialmente pela elevação dos preços dos combustíveis. “Esse cenário tem reflexos sobre o valor das tarifas e pode influenciar o ritmo de crescimento da demanda", afirmou.
Quase 500 mil toneladas em voos internacionais
A movimentação de carga nos aeroportos brasileiros no primeiro semestre foi de 673,6 mil toneladas, 1,4% a mais do que o registrado no mesmo período de 2025. Dessas, 225,4 mil toneladas foram processadas no setor de carga doméstica e 448,2 mil, nos voos internacionais.
No mês de junho, a carga total movimentada foi de 116,1 mil toneladas, aumento de 6,6% em comparação a junho de 2025. O setor de cargas domésticas processou 38,3 mil toneladas, enquanto o segmento internacional movimentou 77,8 mil toneladas em junho.
Tarifas sobem 4,2% e combustíveis, 57,6%
Segundo a Anac, em junho, a tarifa média da passagem aérea no país, considerando todas as rotas, foi de R$ 660,54 por trecho, o que representa um aumento de 4,2% em relação a maio, quando o valor médio era de R$ 633,55.
A elevação foi de 0,3% em relação ao mesmo mês de 2025. Na época, o preço médio estava em R$ 658,24. Os dados levam em conta os índices de inflação medidos pelo IPCA calculado pelo IBGE.
No levantamento, a Anac leva em conta todos os bilhetes aéreos adquiridos em junho pelos passageiros domésticos, em cada rota. É considerado apenas o preço pago pelo transporte aéreo, sem incluir taxas adicionais, como serviços adquiridos à parte, como franquia de bagagem, marcação de assentos e taxas de embarque. Também são excluídos descontos não disponíveis ao público geral, a exemplo de passagens adquiridas com milhagem.
O levantamento da Anac mostra ainda que o preço do combustível de aviação no mês passado foi de R$ 5,66/litro, aumento de 57,6% em relação a junho de 2025 e de 34,1% se comparado a junho de 2024.
IMAGEM: Paulo Pinto/Agência Brasil

