Super El Niño reforça urgência do seguro rural
As mudanças climáticas têm se intensificado, aumentando as ameaças à agricultura, e o El Niño é a maior prova disso. Nesta agenda, o seguro rural se mostra ainda mais ainda indispensável até mais que o crédito subsidiado, pois estabelece uma lógica de garantia para o produtor

Uma nova ocorrência do fenômeno climático El Niño se aproxima e, de acordo com a agência oceânica e atmosférica norte-americana (NOAA), há 97% de chance de que comece a ganhar força até setembro, se estendendo até o início do outono do ano que vem. O período abrange praticamente toda safra de grãos do Brasil, do plantio à colheita, gerando, desde já, grande preocupação no agricultor.
No Centro-Oeste e Sudeste, o El Niño traz chuvas irregulares e temperaturas mais altas, com o calor podendo impactar a florada do café e os citros. A irregularidade das chuvas também pode comprometer a nova safra de soja e milho, atrasando a semeadura, desenvolvimento e qualidade dos grãos, elevando riscos de replantio. O atraso poderá prejudicar, ainda, o plantio da 2a. safra de milho – a mais importante do cereal.
Para o Sul, o El Niño acarreta em mais chuvas. Nas culturas de inverno, como o trigo, por exemplo, o quadro favorece o surgimento de doenças fúngicas, reduzindo rendimento e qualidade do grão. O cenário comprova o clichê – mais verdadeiro do que nunca -, que a agricultura é uma indústria a céu aberto.
As mudanças climáticas têm se intensificado, aumentando as ameaças à agricultura, e o El Niño é a maior prova disso. Nesta agenda, o seguro rural se mostra ainda mais ainda indispensável. Até mais que o crédito subsidiado, o seguro estabelece uma lógica de garantia para o produtor. Garantia que, no caso de um problema climático, ele terá uma indenização.
No anúncio do Plano Safra 2026/27, o seguro rural nem constou da pauta, e isso não é aceitável. Levantamento realizado pelo Observatório do Crédito e Seguro Rural da Fundação Getúlio Vargas (FGV) aponta que a área protegida com seguro rural no Brasil caiu de 3,4 milhões para 3,2 milhões de hectares entre as safras de 2021 e 2025.
A mais recente leitura do Instituto de Resseguros do Brasil (IRB) reforça esta fragilidade. No acumulado do primeiro quadrimestre, a queda observada no mercado de seguro rural privado foi de 2,5% no comparativo com igual intervalo de 2025. A subvenção governamental ao prêmio, que é o valor pago pelo produtor na apólice, precisa ter seus recursos elevados e blindados no Orçamento.
Foi o apoio governamental que viabilizou o seguro rural em países concorrentes, como os Estados Unidos, e o agro brasileiro não pode prescindir deste suporte. Estrategicamente então, faz cada vez mais sentido remanejar recursos, por exemplo, dirigidos à equalização de juros no Plano Safra para subsidiar o seguro rural.
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IMAGEM: Paulo Lanzetta/Embrapa

