Sindicalismo e fascismo

A legislação herdada do Estado Novo e de Mussolini criou uma casta de dirigentes sindicais, alimentada por um dinheiro expropriado dos assalariados

Paulo Saab
09/Ago/2016
Jornalista, Bacharel em Direito, professor universitário e escritor.
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Uma das excrescências da vida brasileira, a prevalência nos dias de hoje da Carta de Lavoro de Mussolini, da Itália fascista, adotada por Getúlio Vargas a caminho de um século, em nossa legislação trabalhista, serve de âncora ao desenvolvimento da relação patrão/empregado no país e sustenta a formidável máquina de arrecadação sindical no país.

A classe privilegiada dos sindicalistas que essa aberração trabalhista –a imposição de leis em vez da livre negociação- e o estado paralelo que se tornou na prática o modelo do então ditador italiano, não só se beneficiam do sistema como, ainda, satisfeitos, querem dobrar a contribuição do trabalhador brasileiro –espoliado de todo lado—para manutenção de seu poder e privilégios.

Em artigo esclarecedor que recebi pela rede social, Jacy Mendonça ressalta a garantia, que a Constituição brasileira dá, de existência da liberdade de filiação, sendo a obrigatoriedade (portanto inconstitucional) e a contribuição sindical cópias da invenção de Mussolini.

A questão se aprofunda quando verificamos na agora decadente moribunda –felizmente- era Lula, que o Brasil estava se tornando uma republiqueta sindical, com todos os vícios e distorções que o já há tempos anômalo sistema propiciou e ainda propicia.

Sob o quase dogma de se defender o direito dos trabalhadores, criou-se uma fantástica máquina de poder e recursos que, geralmente, acaba por ser dominada por grupos que utilizam a máquina em favor pessoal, eleitoral ou de compra e manutenção de poder.

A luta pelo controle é indescritível em sua violência e métodos. Quem duvida leia no livro de José Nêumanne Pinto (O que eu sei de Lula) sobre a ascensão sindical do hoje acusado de ser o chefe da quadrilha que assaltou os cofres públicos no país.

No entender de Mendonça, que endosso, o sistema de obrigatoriedade hoje existente empobrece o trabalhador e enriquece pessoas que se tornam milionárias sem trabalhar, na condição de liderança sindical.

Uma reforma deve, em vez de aumentar o poder desse sistema viciado e nefasto, proclamar a livre contribuição sindical, a liberdade de sindicalização e a morte desse entulho fascista que tanto agrada e serve a pseudo-socialistas.

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