‘Relações entre shoppings e lojistas têm de se adaptar a novos modelos’

Para Marcio Werner, superintendente do Pátio Paulista, as vendas deixam de ser carimbadas como digital e presencial. No shopping, setor de entretenimento cresceu 39% no primeiro trimestre e, de alimentação, 26%

Fátima Fernandes
13/Mai/2024
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‘Relações entre shoppings e lojistas têm de se adaptar a novos modelos’

A combinação entre pandemia, mudanças de hábitos de consumo e avanço do e-commerce mexeu com a relação entre shoppings e lojistas nos últimos tempos.

Com a integração de canais de venda on-line e off-line, modelos de contratos entre as partes estão sendo colocados em xeque, assim como custos de ocupação e mix de lojas.

O fluxo de pessoas na maioria dos empreendimentos também não voltou ao que era, e ainda têm lojistas endividados, inadimplentes, à espera de um arranque no consumo.

Mas o fato é que os shoppings precisam de lojistas e os lojistas precisam de shoppings e essa parceria vai se adaptando ou tem de se adaptar com as mudanças do mercado.

Essa é a avaliação de Marcio Werner, superintendente do Pátio Paulista, administrado pela Ancar Ivanhoe, empreendedora e gestora de 24 shoppings espalhados pelo país.

“Há 15 anos, muito provavelmente, o peso da gastronomia no shopping era menor do que é hoje e a tendência é crescer, respondendo às demandas dos clientes”, afirma Werner.

Lá em 2015, diz ele, pesquisas já indicavam que a composição do mix de lojas com moda, gastronomia, serviços e entretenimento correspondia aos desejos dos consumidores.

E essa composição, diz ele, já não acontecia nos Estados Unidos, onde shoppings inteiros estão fechando as portas. “Aqui, a composição do mix foi uma benção para os empreendimentos”.

Em entrevista ao Diário do Comércio, Werner afirma que não quer mais falar de pandemia, algo do passado, e que o shopping que administra vive um momento excepcional.

Os espaços onde estão as cerca de 280 lojas estão todos ocupados, há filas de lojas querendo entrar no empreendimento e as vendas das operações superam a inflação.

No primeiro trimestre deste ano, as operações do shopping registraram aumento de 10%, em média, em relação a igual período do ano passado.

Renovações no mix de lojas, diz Werner, explicam parte do aumento de vendas. Marcas como Oficina, Osklen e New Balance entraram no empreendimento.

O setor de lazer se destacou no primeiro trimestre deste ano, diz, com crescimento de 39% no faturamento em relação a igual período do ano passado.

As operações de alimentação ficaram em segundo lugar, com expansão de 26%, seguidas das de serviços (16%).

Os restaurantes registraram aumento de 13%, as óticas, de 10%, as lojas de acessórios e joias, de 8%, e as perfumarias e lojas de vestuário, de 7% no período.

Para o ano, a perspectiva também é de alta de 10% nas vendas, em média, impulsionada por um programa de relacionamento com os consumidores que acaba de ser lançado.

O “Meu Pátio” tem como objetivo estreitar a relação com os clientes e oferecer benefícios por meio de um programa de pontuação. Cada R$ 1 gasto no shopping equivale a um ponto.

Por meio do aplicativo do shopping, as notas fiscais são inseridas e, para resgatar os benefícios com base nos gastos no shopping, os clientes entram na aba “Meu Pátio”.

“Com este programa, vamos ter informações preciosas, conhecer a jornada de compra dos clientes. É um ativo que o empreendimento passa a oferecer para os lojistas”, diz.

Hoje, o programa conta com 10 mil clientes, número que deve subir para 20 mil até o final do ano. “A expectativa é que de 10% a 15% da venda do shopping passe por este programa.”

No setor de entretenimento, o Paulista terá, no segundo semestre, em um espaço de 1,2 mil metros quadrados, a Game Station, rede de parques de diversão compactos para shoppings.

Com 62 unidades espalhadas pelo país, a Game Station oferece espaço para boliche e diversas máquinas de jogos eletrônicos. “Não tem nada similar nesta região”, diz.

Para Werner, novas operações e também o programa “Meu Pátio” devem trazer mais clientes para o shopping neste ano.

No primeiro trimestre de 2024, o fluxo de pessoas aumentou 6% sobre igual período do ano passado, chegando a 1,2 milhão de pessoas por mês.

No ano passado, o número de pessoas que foram ao Paulista foi da ordem de 12,4 milhões, 9% maior do que o de 2022, mas ainda abaixo do de 2019 (14,6 milhões de pessoas).

Veja a seguir os principais trechos da entrevista com Marcio Werner.

CONTRATOS COM LOJISTAS

Todas as vendas realizadas no ambiente do shopping são computadas como vendas locais, seja por meio de um tablet ou mesmo se o cliente só passou na loja para pegar o produto.

Se a venda foi feita dentro do espaço físico do shopping, vale para a loja do shopping, até porque o consumidor está usando a estrutura do empreendimento, que tem um valor.

A parceria entre o shopping e o lojista parte do pressuposto de que as relações comerciais são honestas, que vão se adaptar a novos modelos.

Sempre vamos encontrar um lugar comum porque trabalhamos com interesses comuns. 

Até agora não tive problema com renovação de contrato considerando compra on-line e presencial, até porque a dicotomia entre venda digital e on-line está deixando de existir.

As vendas estão deixando de serem marcadas. A jornada de compra pode começar no digital e terminar presencial e vice-versa.

PLATAFORMAS CHINESAS

Não tem impacto neste shopping, talvez devido ao perfil de produto que esses sites oferecem. São lojas de oportunidades e não deixarão de existir. 

Os shoppings e o varejo vão se adaptar às novas realidades, não vão ficar parados, vão se equilibrar dentro de uma nova dinâmica, como acontece há anos, ciclicamente.

A inovação traz incômodo. O incômodo traz reação. E a reação traz novos negócios. É assim.

SETORES 

Sabemos quais são os setores que têm vendas mais e menos expressivas.

Gastronomia deve se fortalecer, é uma tendência. Temos interesse em bons operadores, independentemente da área de operação.

O shopping trabalha com a perspectiva de renovar anualmente entre 5% e 7% da área destinada às lojas (ABL), o que equivale a um espaço de 1,2 mil metros quadrados.

E isso traz clientes para o empreendimento, seja nas áreas de moda, gastronomia, bem-estar, entretenimento.

O mix de setores no shopping de um ano para cá não teve alteração significativa. Estamos colocando moda onde já existia uma loja de roupa, o que vale para os outros setores.

 

IMAGEM: Pátio Paulista/divulgação

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