Preço do frete marítimo sobe 472% na pandemia

O crescimento intenso do comércio eletrônico e ajustes na margem de lucro das grandes companhias de logística sugerem que os preços não voltarão ao patamar pré-pandemia

Estadão Conteúdo
17/Fev/2022
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Preço do frete marítimo sobe 472% na pandemia

O pequeno alívio no custo do frete marítimo da Ásia para o Brasil na primeira metade de 2021 ficou para trás, e o preço médio do serviço de transporte começou 2022 com valor 5,7 vezes maior do que antes da pandemia, conforme a Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Para entidade, a persistência dos gargalos na logística global pode sinalizar um "novo normal" de custos maiores. O principal efeito do novo cenário é encarecer os insumos importados pela indústria, pressionando a inflação.

A disparada no preço do frete marítimo ocorreu no segundo semestre de 2020. No início da pandemia, restrições ao contato social paralisaram o comércio internacional, e até fizeram o custo do frete cair. Na retomada, a demanda por bens voltou mais rapidamente do que o esperado - turbinada por políticas de transferência de renda e pelo fato de que consumidores passaram a gastar mais em produtos do que em serviços pessoais. Isso levou a uma corrida pelos serviços de transportes, pressionando a capacidade de portos, armazéns, navios e contêineres. O desequilíbrio entre demanda e oferta fez os preços explodirem.

O frete de importação da Ásia para o Brasil atingiu, em janeiro deste ano, US$ 11.150, valor 5,7 vezes superior ao de janeiro de 2020, na pré-pandemia, uma disparada de 472%. "A elevação do custo foi catalisada pela pandemia, mas há indicativos de que esses valores, bem superiores à média da última década, seriam um novo normal", afirmou Matheus de Castro, especialista em infraestrutura da CNI.

MOTIVOS PARA A ALTA

Dois fatores explicariam esse "novo normal". O primeiro é o crescimento intenso do comércio eletrônico. O hábito de comprar mais sem sair de casa parece ter vindo para ficar entre os consumidores.

O segundo fator citado pelo especialista da CNI tem a ver com o ciclo de negócios do setor de transporte global - e 90% das movimentações do comércio internacional são feitas pelo mar. Após um ciclo, nos anos 2010, ainda sob efeito da crise financeira de 2008 e marcado por margens de lucro apertadas, as grandes companhias de logística estariam entrando numa década de ganhos maiores.

Bruno Carneiro Farias, presidente da F Trade, especializada em logística para comércio exterior, vê um quadro de "colapso" na logística mundial e considera que os problemas poderão durar o ano inteiro. 

 

IMAGEM: Clovis Ferreira/DC

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