Por que grandes redes de varejo querem a Netshoes

Ser uma varejista online "puro sangue" e dona da Zattini fizeram empresa fundada por Márcio Kumruian (acima) conquistar inteligência de consumo na internet como nenhuma outra, dizem analistas

Estadão Conteúdo
30/Mai/2019
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Por que grandes redes de varejo querem a Netshoes

Por que um negócio que dá prejuízo há anos, perdeu quase todo o seu valor na Bolsa e enfrenta até problemas imediatos de estoque passou a ser alvo da disputa entre duas das maiores varejistas do País, a Centauro e o Magazine Luiza? Segundo fontes próximas às negociações ouvidas pelo jornal 'O Estado de S. Paulo', a resposta está nos dados.

Varejista online "puro sangue" pioneira no País - a empresa iniciou as vendas pela web há 17 anos - e dona também da marca Zattini, de roupas femininas, a Netshoes desenvolveu, graças aos anos de investimento em ganho de escala, mesmo sem dar resultado, uma inteligência sobre consumo de moda na internet que nenhuma outra empresa brasileira hoje possui, dizem fontes ligadas às negociações.

É por isso que, nas últimas semanas, a empresa se tornou alvo de uma briga acirrada. Depois de o Magazine Luiza fazer uma proposta de US$ 62 milhões (mais de R$ 240 milhões), em 29 de abril, a Netshoes parecia ter destino certo. Antes dessa oferta, a B2W - dona de Americanas.com e Submarino - também havia olhado o ativo.

Na semana passada, uma reviravolta: a varejista Centauro, que hoje obtém cerca de 18% de seu faturamento das vendas pela internet, ampliou o valor da Netshoes para US$ 87 milhões. No domingo, o Magazine veio como uma proposta de US$ 93 milhões. Ontem, a Centauro ofertou US$ 108,7 milhões (R$ 435 milhões), alta de cerca de 75% sobre o valor original. Todos os valores são em dólares porque a Netshoes tem capital aberto na bolsa de Nova York.

Analistas consultados pelo jornal 'O Estado de S. Paulo' disseram que o valor da Netshoes, neste momento, vai além de seu balanço. Em 2018, a companhia teve prejuízo de R$ 321 milhões, dobrando o resultado negativo de 2017.

As ações da companhia, que estrearam em abril de 2017, a US$ 16,35, eram negociadas à época da proposta do Magazine Luiza na casa de US$ 2. Com a disputa entre Luiza e Centauro, o papel ganhou valor e está cotado a US$ 3,70. Desde a semana passada, teve alta de 21%.

Segundo fontes próximas ao assunto, a escala e as informações detidas pela Netshoes podem ser úteis às duas empresas. O Magazine Luiza teria o projeto de se tornar uma espécie de Amazon à brasileira, ampliando sua presença em vários canais. Nesta semana, a empresa anunciou que assumirá a venda de eletroeletrônicos em duas lojas do Carrefour em São Paulo.

Já o Grupo SBF, da Centauro, atua no mesmo segmento da Netshoes, de roupas esportivas, e teria mais ganhos diretos com o negócio. Mesmo por mais de US$ 100 milhões, a empresa ainda consideraria uma opção "barata" de crescimento. Ontem, a ação da Centauro subiu 1,56%, para R$ 11,70, enquanto o principal papel do Magazine Luiza teve alta de 0,32%, para R$ 189,60.

GANHOS DE ESCALA

Como a varejista online fundada por Marcio Kumruian enfrenta problemas operacionais, um dos trunfos da Centauro seria oferecer apoio de estoque à companhia, apurou o Estado. O SBF estaria disposto a repassar R$ 300 milhões em mercadorias para o site em quatro semanas.

Para a Centauro, a Netshoes seria uma forma de ampliar a venda do tipo "compre na web, retire na loja" - pesquisa da empresa mostra que 53% das venda online incluíram visita anterior a uma unidade física. A companhia teria a intenção ainda de manter a marca Netshoes, considerada forte no varejo online. 

FOTO: Alexandre Yamada/Divulgação

 

 

 

 

 

 

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