Política e realismo

As forças políticas do centro se mostram incapazes de encontrar uma solução de alto nível, de alto patriotismo, que libere o país para ter uma opção que atenda ao interesse nacional.

Aristóteles Drummond
15/Jun/2022
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A política é fascinante, como a história, pois os fatos raramente se repetem, são previsíveis e acabam sem ferir a verdade. Apenas os radicais, cegos pela paixão, pelo ódio ou pelo ressentimento, não enxergam fatos inquestionáveis, que fogem à contestação por serem objetivos e concretos.

Muita gente não gosta de estadistas da República como Getúlio Vargas, JK e os presidentes militares. Mas não se pode negar a importância que eles tiveram na consolidação do Brasil como uma nação relevante econômica e politicamente.

Getúlio, em seus mandatos – eleito diretamente e indiretamente, como ditador – marcou o Brasil na legislação, nas obras e na promoção da ordem e do progresso em anos conturbados
como aqueles que antecederam e durante a II Guerra Mundial.

Em quase 20 anos de poder, manteve as mãos rigorosamente limpas. JK deu o grande salto, atraiu as multinacionais para se instalarem no Brasil, inclusive a indústria automobilística, rasgou o interior com acessos a Brasília e fez a Belém-Brasília, estrada de integração nacional. 

Até a década de 60 não se chegava por terra ao norte do Brasil. E os militares, que nos levaram da 46ª economia para a oitava, nos fizeram crescer a mais de 10% ao ano no Governo Médici.

Além disso, evitaram que tivéssemos aqui o terrorismo e a guerrilha instalados como no Peru e na Colômbia, com centenas de milhares de mortos ao longo das últimas décadas. Gostem ou não, foi o que aconteceu e ponto final.

Vivemos um quadro curioso neste momento da vida nacional. O presidente da República defende uma pauta afinada com a vontade popular, tem uma atuação definida na questão da segurança pública, do prestigiamento das polícias, no direito do cidadão a ter uma arma para sua defesa, de sua família e patrimônio, defende a livre empresa como mola do desenvolvimento e tem consciência social.

A corrupção que sobrevive em seu mandato não pode ser comparada ao que ocorria anteriormente. Desonestidade, cinismo, má-fé é o que se observa nos que repetem acusações menores, que beiram o ridículo.

No entanto, apesar das qualidades, o presidente constrange as elites mais cultas com um comportamento tosco, equivocado, que insiste em reiterar, não ouvindo as poucas vozes que lhe aconselham desinteressadamente. Confunde simplicidade com o se cercar de figuras insignificantes, sem história de conhecimento do que é o Brasil.

As forças políticas do centro se mostram incapazes de encontrar uma solução de alto nível, de alto patriotismo, que libere o país para ter uma opção que atenda ao interesse nacional.

Mas os empresários, rurais e urbanos, do comércio, indústria ou serviços, profissionais liberais, trabalhadores conscientes sabem que do outro lado de Bolsonaro está o caos, o comprometimento com páginas deploráveis sob o ponto de vista ético e moral de nossa história.

Uma visão de mundo que infelicitou e infelicita povos, a começar pelos  povos amigos que sofrem em Cuba, Venezuela, Peru e agora Chile. Não é este o caminho para o Brasil. O ideal seria a cada vez mais distante terceira via. Mas, se esta fracassar, como parece, é preciso que se peça ao presidente Bolsonaro que se contenha, para que o país chegue às eleições em paz e não corra o risco de fazer a pior opção.

A esta altura, só Bolsonaro pode eleger Lula, com suas ações que não encontram eco na maioria silenciosa, que foi a que o elegeu. Nesta linha belicosa corre o risco de ganhar e não levar.

**As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do Diário do Comércio

 

 

 

 

 

 

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