Para muito além de quando a IA chegar na loja de varejo

‘É preciso não esquecer que o que acontece na Ásia, não fica na Ásia. E se espalha pelo mundo pelo projeto estratégico da China de ampliar seu arco de alianças econômicas’

Marcos Gouvêa de Souza
12/Jun/2024
especialista em varejo, é diretor-geral da Gouvêa Ecosystem
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Para muito além de quando a IA chegar na loja de varejo

É um cenário ainda, em boa parte, apenas idealizado, já que as combinações possíveis no varejo envolvendo produtos, serviços, soluções, educação, informação, personalização, arte, experiências e atendimento integrados com tecnologia e digital e potencializados pela Inteligência Artificial estão surgindo aos poucos em iniciativas que ocorrem simultaneamente nos Estados Unidos, Europa, Ásia e até mesmo na América Latina.

É como se todo o mundo se transformasse num grande laboratório destilando alternativas para desenvolvimento e construção do futuro das lojas de varejo.

No estágio anterior as evoluções passavam das lojas conceito da Starbucks em Shangai ou Nova Iorque, às operações Fresh da Amazon nos Estados Unidos e chegavam às iniciativas da Track & Field, Cacau Show ou Boticário em algumas de suas operações no Brasil.

Também já envolviam o pagamento por reconhecimento facial na China ou Coreia, ou com o uso da palma da mão no self check out ou até mesmo a mudança do ambiente de exposição de um produto personalizando a experiência segundo o perfil do cliente identificado, também possível em operações iniciais no varejo da China.

Todo esse universo que envolve personalização de soluções, serviços e ofertas de fato tem campo para maior e mais rápido crescimento na realidade da China ou Coreia, pois todos os temas que envolvem as leis de proteção de dados e privacidade têm, digamos, uma “releitura” naquela região, podendo ser muito mais usada pelas menores restrições legais.

Isso explica em boa parte os maiores avanços que ocorrem por lá comparativamente com a realidade ocidental, onde o tema é muito mais sensível.

Mas também é importante considerar que a participação das vendas pelo e-commerce no total das vendas do varejo na Ásia é significativamente maior alavancada por operadores nascidos no ambiente da tecnologia e que evoluíram para se transformarem em ecossistemas de negócios com amplo acesso a informações geradas por meios de pagamentos digitais, social commerce e de troca de mensagens.

Quando, por exemplo, a Tencent integra o WeChat, com seu sistema de pagamento, mais o social commerce e outras dentro de seu Super App, monitorando comportamentos, abre-se uma enorme frente de oportunidades para desenvolver e alavancar negócios alinhados com Inteligência Artificial nos mais diversos canais. E criando a visão mais próxima da loja e dos centros comerciais e shopping centers do futuro.

Da mesma forma a Amazon avançou em suas diversas frentes de negócios a partir do conhecimento e monitoramento do comportamento de consumidores. E incorporou esses elementos nas suas lojas, integrando com os canais digitais, porém com as limitações da legislação ocidental de proteção de dados e privacidade.

Em alguns mercados asiáticos, em especial China, essa integração, acesso e uso dessas informações, potencializada pelo uso da Inteligência Artificial e com menores restrições legais, abriu mais perspectivas para o desenvolvimento de soluções combinando diferentes elementos para maximizar e integrar a experiência do consumidor, elevando de forma constante as oportunidades de diferenciar para atrair, reter e fidelizar.

Para muito além do varejo

É preciso não esquecer que o que acontece na Ásia, não fica na Ásia. E se espalha pelo mundo pelo projeto estratégico da China de ampliar seu arco de alianças econômicas, políticas e tecnológicas em contraponto às restrições que enfrentam nos Estados Unidos e nos países mais alinhados com a causa norte-americana.

Esse quadro traz consequências diretas para a América Latina. E mais especialmente para o Brasil, por conta de seus recursos naturais e para muito além do varejo, envolvendo todos os possíveis aspectos que exigiriam um pensamento mais estratégico e de longo prazo.

A realidade está configurada

A China em seu projeto estratégico tem definido que a liderança global no futuro estará apoiada em boa parte no trinômio “educação, tecnologia e digital” e concentra recursos, pesquisa e desenvolvimento nessas frentes.

Seu projeto envolve num primeiro momento a Ásia, como o faz com a New Silk Road Initiative, desde 2013, e avança também para África e Oceania, chegando na América Latina, onde posição, protagonismo e recursos do Brasil são dominantes.

Ficam a reflexão, a configuração do cenário estratégico e os desafios e oportunidades à frente.

Para muito além do varejo.

**As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do Diário do Comércio

 

IMAGEM: Freepik

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