Os 'superstars' do mercado de trabalho

Diretores de empresas estatais que dão prejuízo e dependem do aporte de dinheiro público receberão um adicional pelo desempenho lastimável

Rubens Figueiredo
10/Fev/2022
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Os 'superstars' do mercado de trabalho

Um brasileiro comum, desses que acorda com o cantar do galo, sacoleja colado no outro na condução, é cobrado pelo seu trabalho e pode ser demitido a qualquer momento se “pisar na bola” ou o faturamento da empresa cair, tem em média uma renda mensal de R$ 2.449,00. Os dados são do terceiro trimestre de 2021. O salário médio de um servidor de empresa estatal, que fica bonitinho sentado em sala com ar condicionado e tem emprego garantido até o fim de seus dias, pode chegar a R$ 34.000,00 dependendo da empresa, sem contar a generosíssima cesta de benefícios.

Claro que, em geral, o nível de escolaridade de um funcionário de estatal é muito superior à média do trabalhador brasileiro. E que o trabalho na administração pública pode ser mais complexo e exige uma especialização maior da mão-de-obra. E que, se houver retorno visível para o conjunto do tecido social, a remuneração a esses “superstars” do mercado de trabalho poderia até valer à pena.

Mas não deixa se ser visível a discrepância que se instaura entre a massa dos brasileiros que negocia o vale refeição do almoço para comprar leite em pó para os filhos no jantar e uma elite funcional intocável que deveria provar ao que veio, pois é paga “com o meu, o seu, o nosso dinheiro”. Tem “impostinho” em tudo que a choldra consome, nada escapa. Nem o leite em pó.

Há aberrações. Um funcionário da Petrobrás que, acumulando anuênio, quinquênio, decênio, licença prêmio, férias, insalubridade psicológica, auxílio escolar, seguro pós morte, bolsa livro, auxílio fralda, ajuda turismo etc recebe religiosamente R$ 145.100,00 todo mês. Muitas estatais dão prejuízo e as que dão lucro poderiam dar muito mais. Ou seja, pagamos muito para trabalhadores de empresas que geram déficit cobertos com recursos do Tesouro ou têm um desempenho profissional medíocre. Só para ficar bem claro: o imposto suportado pelo trabalhador produtivo na corda bamba que rala para ganhar R$ 2.449,00 é usado para custear o salário de um empregado estável que ganha por volta de R$ 30 mil e trabalha numa empresa que dá prejuízo. A irracionalidade já agride. Quando vem combinada com a injustiça, agride e revolta.

Calma que ainda vai piorar. O governo Bolsonaro decidiu liberar um bônus de até 1,5 salário a diretores de estatais dependentes do Tesouro. Você não leu errado, é isso mesmo: diretores de empresas que dão prejuízo e dependem do aporte de dinheiro público receberão um adicional pelo desempenho lastimável. Trata-se de um prêmio à incompetência, mais ou menos como dar a Copa do Mundo às seleções que não passam da fase de grupos ou entregar o troféu de campeão de Roland Garros a um tenista que nem chegou à chave principal. Um escárnio.

Das 155 estatais que o Brasil tem, 18 dependem de injeção de recursos da União: em 2020 foram R$ 19,4 bilhões em subvenção. Uma delas existe para fazer algo que nunca existiu. Trata-se da Empresa de Planejamento (EPL), criada para desenvolver o trem-bala, que ligaria São Paulo ao Rio de Janeiro, projeto que fracassou miseravelmente. Imagine um jornalista estrangeiro indo à sede da EPL para perguntar o que ela faz. Faz algo que não existe, como plantar brócolis em Netuno.

Não podemos achar que o Estado é bom só porque existe. Um país sem ensino e saúde públicas seria impensável. Mas é curioso um país que investe em educação mais do que a média da OCDE ter resultados vergonhosos nos exames internacionais. Que gasta na saúde por habitante um volume de recursos por mês que permitiria comprar um plano privado top para cada que brasileiro que necessita. Precisamos repensar essa lógica de desconsiderar os resultados daquilo que é feito com o dinheiro público, pois é possível oferecer muito mais para o cidadão-contribuinte que acorda de manhãzinha para pegar o ônibus.

**As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do Diário do Comércio

 

IMAGEM: Thinkstock

 

 

 

 

 

 

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