Nove de Julho

Os ideais continuam os mesmos de 1932, mas os desafios de hoje são outros, talvez até mais difíceis, mas que, seguramente, iremos vencer

Alfredo Cotait Neto
09/Jul/2020
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Embora o feriado tenha sido antecipado, devemos, nesta data, lembrar as causas, o significado e o desenrolar do Movimento Constitucionalista de 1932, pelo que esse episódio representou na mobilização da população paulista, na defesa de seus ideais e honra do Estado de São Paulo.

Ao comemorar o 9 de Julho, marco da REVOLUÇÃO CONSTITUCIONALISTA, a Associação Comercial de São Paulo (ACSP) homenageia parte importante de sua história, pelo papel relevante que desempenhou em todas as etapas desse movimento cívico, que representou a luta para o restabelecimento da autonomia do Estado e pela volta ao regime constitucional e da democracia, usurpados por Getúlio Vargas.

A Associação, sob a presidência de Carlos de Souza Nazareth, junto com as demais lideranças paulistas, buscou o diálogo com o governo federal, reivindicando respeito a São Paulo e autonomia para o Estado, que vinham sendo negados por Vargas.

Quando se esgotou qualquer possibilidade de acordo, a ACSP, em consonância com o sentimento geral da população paulista, entusiasta da campanha pela defesa da Constituinte imediata, aderiu ao movimento, que culminou na deflagração da Revolução Constitucionalista.

A entidade, então, assumiu diversas funções de suporte ao Movimento. Cuidou das finanças, da intendência e do abastecimento, colaborou no alistamento e na captação e distribuição dos donativos. Criou vários departamentos e ficou responsável por procurar garantir o abastecimento da população e as finanças do movimento.

Preocupou-se também com a manutenção da vida da cidade. Solicitou que os comerciantes e industriais continuassem suas atividades, conservando os preços das mercadorias, e que mantivessem o lugar e o salário daqueles trabalhadores que se alistassem como “soldados da ordem e da liberdade”.

Quando o movimento militar avançou, e as necessidades financeiras se agravaram, a entidade coordenou a Campanha “Ouro para o bem de São Paulo”, cujos recursos, em grande parte não foram utilizados devido ao fim da Revolução. Foram então doados à Santa Casa de Misericórdia, que construiu não apenas um novo pavilhão, como, também, o edifício na Rua Líbero Badaró, que tem o nome dessa campanha e cujo formato lembra as treze listras da Bandeira Paulista.

Vencido no campo militar, devido à grande superioridade de recursos do governo federal e a falta do apoio esperado de outros estados, mas não derrotado, pode-se considerar que São Paulo foi vitorioso no plano moral, por lutar “por São Paulo e pelo Brasil”, e porque, em 1934, foi convocada a Constituinte pela qual lutara.

Carlos de Souza Nazareth assumiu toda a responsabilidade pela participação das classes empresariais e dos empresários paulistas na Revolução e, junto com diversos líderes civis, foi preso e exilado. Manteve-se altivo e, em carta aos membros da Diretoria, disse estar preparado para suportar com dignidade todas punições que lhe fossem impostas. Ao final, exortava os companheiros a “não esmorecer para não desmerecer”.

O QUE PODEMOS DIZER DESTE NOVE DE JULHO

Os ideais continuam os mesmos de 32, mas os desafios de hoje são outros, talvez até mais difíceis, mas que, seguramente, iremos vencer. O aspecto mais dramático dessa pandemia é o grande número de mortes, a destruição de muitos lares e o sofrimento das famílias.

Para os empresários, trabalhadores e população, a perda da liberdade e a intervenção do estado em todos os aspectos de nossas vidas foram seguidas de uma profunda crise econômica, social, que cobrará ainda um enorme preço de toda sociedade.

A ACSP desempenhou seu papel de liderança na classe empresarial, apoiando as medidas de restrição às atividades, mas cobrando das autoridades providências que pudessem assegurar a sobrevivência das empresas, a manutenção dos empregos, o apoio à população mais pobre. Muitas medidas foram adotadas, mas não em tempo e intensidade suficientes para evitar a morte de muitas empresas e a perda de muitos empregos.

A entidade continua a dialogar como os governantes, a informar, a cobrar, sugerir de um lado, e a orientar e procurar apoiar os empresários de outros.

Embora bastante graves os efeitos dessa crise, consideramos que sejam problemas conjunturais e que, esperamos, sejam superados em breve.

Após o término da Revolução de 32, a economia paulista se achava em grandes dificuldades devido aos esforços da guerra e o cerco que sofreu. A Associação, então, procurou coordenar a retomada das atividades, e o povo paulista se empenhou com dedicação a essa tarefa, permitindo que o Estado de São Paulo em pouco tempo retomasse a posição de destaque no cenário nacional.

Agora, passada a pandemia, caberá a tarefa da retomada da economia que exigirá do setor privado um grande esforço de superação. Embora ainda o governo deva ter uma tarefa importante nessa retomada, porque as empresas e a população ainda se acham descapitalizadas, caberá às empresas a função de comandar a modernização e a aceleração da economia.

Com a volta da liberdade, a exemplo de 32, o espírito empreendedor vai conduzir São Paulo ao caminho de crescimento econômico e, esperamos, de maior justiça social.

Esse é o grande desafio que devemos enfrentar, e a ACSP continuará a manter sua trajetória de 125 anos de lutas pela liberdade, pela livre iniciativa, pela democracia e pelo progresso de São Paulo e do Brasil.

 

 

 

 

 

 

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