Lojistas retornam ao Bom Retiro e há escassez de pontos

Número de lojas fechadas cai de 190, em julho de 2020, para 64 em dezembro de 2022. Os espaços vagos estão nas pontas das ruas, de acordo com a CDL do bairro

Fátima Fernandes
24/Jan/2023
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Lojistas retornam ao Bom Retiro e há escassez de pontos

Após enfrentar uma das maiores crises de sua história, um dos polos comerciais mais tradicionais de São Paulo dá pistas de que está voltando ao ritmo pré-pandêmico.

De acordo com a Câmera de Dirigentes Lojistas (CDL) do Bom Retiro, havia 64 pontos comerciais fechados em dezembro de 2022 em dez principais ruas do bairro.

Em fevereiro de 2020, antes do início da pandemia do novo coronavírus, havia 60 lojas fechadas no bairro.

Este número é considerado “normal” para a região, que conta com aproximadamente 1.200 empresas, das quais 800 dos setores de atacado e varejo.

Os espaços vagos estão concentrados nas pontas das ruas, até porque são, tradicionalmente, menos procurados pelos comerciantes.

O pior número do bairro foi registrado em julho de 2020, com 190 lojas fechadas.

Muitos comerciantes não resistiram às restrições para evitar a contaminação da covid-19 e optaram por encerrar as suas atividades.

O último levantamento da CDL sugere que, neste momento, os empresários estão no caminho contrário, isto é, retornando ao bairro.

Na Rua José Paulino, a principal da região, havia nove pontos fechados em dezembro do ano passado, o mesmo número de fevereiro de 2020.

A rua que sempre foi uma das mais disputadas por lojistas do setor de vestuário chegou a ter 45 espaços vagos em setembro de 2020 e em maio de 2021.

No primeiro quarteirão da rua, que chegou a ter 12 estabelecimentos fechados no auge da pandemia, não tinha ponto disponível no final do ano passado.

A Rua Silva Pinto, que teve 37 lojas fechadas em julho de 2020 e 36 em maio de 2021, registrou 18 imóveis para locação ou venda em dezembro.

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Nelson Tranquez, diretor da CDL do Bom Retiro, comemora o fato de o número de lojas fechadas ser um dos melhores da história do bairro.

As ruas com mais pontos comerciais fechados, como a Silva Pinto e a Júlio Conceição, já sofriam antes da pandemia. “A Silva Pinto foi muito prejudicada pela ciclovia”, diz.

Na rua Aimorés, que concentra os atacados de vestuário, havia apenas um imóvel disponível em dezembro de 2022 e, na Professor Cesare Lombroso, cinco.

Para Tranquez, o que explica a volta dos lojistas é também o retorno de consumidores e de empresários de todo o país, que costumam adquirir mercadorias na região.

“A economia não melhorou, mas havia uma demanda reprimida, provocada pela pandemia. A cada mês as vendas têm melhorado no atacado e no varejo”, diz.

Com a pandemia, muitos lojistas, de acordo com Tranquez, passaram a fazer compras por WhatsApp. Os pedidos são feitos a partir de catálogos encaminhados virtualmente.

Ainda assim, tem lojistas, assim como consumidores, que preferem ver de perto as peças, tocá-las. São esses que estão de volta às lojas.

Eleições e Copa do Mundo, de acordo com o diretor da CDL, atrapalharam as vendas do comércio em dezembro.

“Sem esses eventos, muito provavelmente, o faturamento de muitos lojistas já estaria igual ao de 2019.”

Janeiro, considerado um mês fraco de vendas, diz ele, está melhor do que em igual mês do ano passado. Alguns lojistas já superam até as vendas de janeiro de 2019.

FILA

A imobiliária Hai, especializada em imóveis comerciais e industriais na região, registra fila de lojistas para entrar, principalmente na Rua José Paulino.

“A demanda por imóveis no Bom Retiro está grande”, afirma Adriana Weizmann, sócia-proprietária da imobiliária. “Muitos comerciantes querem entrar, mas não tenho opções de imóveis para mostrar”, afirma.

Na Rua Professor Cesare Lombroso, diz, a Hai possui apenas um imóvel para locação. E isso porque os valores de luvas e aluguel estão acima do preço de mercado.

Na Rua José Paulino, de acordo com Adriana, a maior procura é por imóveis térreos, de 100 a 180 metros quadrados.

Apesar do aumento da procura, os preços da locação, diz, continuam, em média, cerca de 15% a 20% menores do que os de antes da pandemia.

“Se a demanda continuar forte, aí a tendência é de os preços subirem”, afirma.

Na Rua José Paulino, depois da pandemia, diminuiu a prática de cobrança de luvas para obter um ponto comercial.

Nas ruas Aimorés e Professor Cesare Lombroso, o pagamento de luvas ainda persiste devido à alta procura por imóveis.

Considerando a rede de clientes da Hai, o maior valor de locação negociado na região depois da pandemia é de R$ 26 mil mensais.

 

 

IMAGEM: Paulo Pampolin/DC

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