Lembrando dos bons tempos II

Recordar o passado não é saudosismo, é conhecer o que deu certo e o que deu errado

Aristóteles Drummond
26/Jan/2022
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Uma curiosidade na leitura de um apanhado das colunas de Ibrahim Sued, nos anos 1950 e 1960, é a frequência com que os grandes astros de Hollywood vinham ao Rio. Muitos a convite de Jorge Guinle, mas outros vinham por outras vias, o que fazia o Rio presente nas colunas internacionais da época, que eram publicadas em centenas de jornais pelo mundo. E a presença de brasileiros que estavam nas altas rodas.

O diplomata Hugo Gouthier, por exemplo, foi com sua mulher, Laís, de convívio frequente com o Xá do Irã e sua mulher Soraia, quando servia na embaixada em Teerã.

Também, quando em Roma, estava com os duques de Windsor em suas viagens à Itália. Aliás, sua passagem na embaixada em Washington, como Conselheiro, foi tão marcante que tem uma rua com seu nome. Estes e outros personagens de alto nível da vida brasileira e presentes nas colunas do jornalista que marcou época.

Claro que alvo da inveja, das referências maldosas, naturais no Brasil onde o sucesso não é perdoado. O passeio pelo livro “30 Anos de Reportagem” mostra um Brasil tão civilizado, com tanta integração de pessoas de elevada educação, que estimula a todos os que desejam estes tempos de volta.

O Brasil de Gilberto Freyre, cordial; marcante pelos seus políticos de postura amena e conciliadora como Getúlio Vargas; alegre, otimista e dinâmico como JK; austeros e realizadores como os militares que pegaram o Brasil como a 46ª economia do mundo e a deixaram em oitavo lugar. Hoje, parece que estamos entre a 12ª e a 14ª posição. 

Recordar o passado não é saudosismo, é conhecer o que deu certo e o que deu errado. JK, por exemplo, enfrentou duas sublevações de oficiais da Aeronáutica e, como não houve violência, foram anistiados ainda em seu governo, que era da cultura da conciliação e da fraternidade, que nos impulsionaram.

Nada desta história de “nós contra eles”, de cotas, de privilégios que apequenam os beneficiários e não os protege como devia. No caso das universidades públicas, bastava cobrar dos que podem pagar e dar bolsas, inclusive para custeio, aos que não podem pagar. 

Quem tiver tempo e disposição, aproveito para deixar aqui a sugestão do livro de JK, “Meu Caminho Até Brasília”, que é uma lição de otimismo, fé no Brasil, nos brasileiros e na fraternidade. 

**As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do Diário do Comércio

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